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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

IRMÃOS DAS RUAS

Por Ademar Rafael

Uma das maiores chagas que o cotidiano urbano nos “oferece” é a cena dos moradores de rua. Antes esse fenômeno social era verificado somente nas grandes cidades, hoje faz parte da “paisagem” até de cidades de pequeno porte. A poética urbana de Adoniran Barbosa em “Saudosa Maloca” e as crônicas cariocas é cosia do passado a situação atual é sem poesia e sem os encantos de literários dos cronistas da antiga Capital Federal.

A omissão plena do Estado pela ausência de políticas públicas que atuem nas causas é de certa forma abrandada com as ações de voluntários de congregações cristãs que atuam diretamente nos efeitos. Aqui entendido como a fome, a falta de higiene pessoal e de abrigo e a exposição ao frio sem qualquer proteção.

O pior de tudo é que os voluntários que atuam nas obras destinadas aos moradores de rua escutam repetidamente de pessoas abordadas com pedido de ajuda as seguintes frases: “Larguem isto, são bandidos”, “Não dou dinheiro para vagabundos”, “Não ajudo drogados”, etc.

Nos dias atuais três fatores contribuem para aumento das legiões de moradores de rua. As drogas, o desemprego e o abandono das famílias. Na maioria dos casos um deles motiva o outro e assim segue o agravamento da “chaga”.

Existe solução? Tenho certeza que sim. A união entre o primeiro, o segundo e o terceiro setor da economia para criação de abrigos com a simultânea ocupação de todos com idade e condições de trabalho sanariam grande parte do problema. Nas oficinas poderiam ser fabricadas fardas e bolsas para uso nos escolas do ensino básico e fundamental, sacolas para compras de supermercados e outros artefatos comuns e de uso permanente pela população. Com o tempo as atividades seriam ampliadas e o volume produzido alcançaria escala chinesa. Quem inicia?

Crônica de Ademar Rafael

Por: Ademar Rafael

BRASIL X HOLANDA

Nossa relação com a Holanda não pode nem deve se resumir as nossas derrotas para o selecionado holandês nas copas de 1994, 2010 e 2014 e nossas vitórias em 2004 e 2008, tem muito mais a ser narrado.

Registros históricos dão conta que em 1621 os holandeses tentaram entrar no Brasil, através da Bahia e não foram exitosos na missão. Em 1630 uma segunda expedição foi bem sucedida pelo território de Pernambuco, onde permaneceram até a expulsão em 1654. Contudo, Maurício e Nassau e sua turma deixaram marcas na arquitetura de Recife e de Olinda.

Durante a ocupação holandesa dois fatos ocorridos no Rio Grande Norte deixaram feridas abertas por envolver questões religiosas. O primeiro no dia 16.06.1645 em Cunhaú, quando 70 pessoas foram assassinadas em
evento apontado como retaliação contra católicos que não aceitaram ingressar no calvinismo. O segundo as margens do Rio Uruaçú, em 03.10.1645 quando 80 pessoas foram mortas por não aderir ao protestantismo holandês.

Por força de tais eventos o Papa Francisco em 2017 canonizou os Padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, assim como Mateus Moreira e seus companheiros. A beatificação havia ocorrido em 2000, por ato do Papa João Paulo II.

Após devastação ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial produtores holandeses, apoiados pela Liga de Agricultores Católicos, entre 1947 e 1950 ingressaram no Brasil para na região de Mogi Mirim fundar uma
cooperativa onde hoje está situada o linda cidade de Holambra – junção de Holanda, América e Brasil. Hoje a produção da cidade paulista representa algo próximo de 40% do mercado brasileiro de flores e plantas
ornamentais e é, de fato, um pedaço de Holanda no Brasil. A relação tumultuada do início é agora pacífica e ornamentada por lindas flores.

Crônica de Ademar Rafael

Por: Ademar Rafael

ADMINISTRAR É…

A abertura de um curso sobre Rotinas Administrativas nas cidades de Pedras de Fogo-PB e Caaporã-PB solicitei que alunos do Programa Profissional Rural – SENAR – PB, respondessem o eu era administrar. Cada aluno elaborou uma frase ou um pequeno texto com as respostas e as palavras mais repetidas foram: Ética, coragem, meta e resultado.

Na oportunidade apresentei os conceitos a seguir: “Administração é simplesmente o processo de tomada de decisão e controle sobre as ações dos indivíduos, para o expresso propósito de alcance de metas
predeterminadas.” e “Administração é um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz de recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas organizacionais.” Autorias de Peter Drucker e Reinaldo Oliveira da Silva, respectivamente.

Podemos identificar convergência entre as opções dos alunos e os conceitos dos dois autores apenas em “resultados” e “metas”. Apesar de não figurarem nos textos dos pensadores da administração a ética e a coragem devem estar presentes em cada ato administrativo praticado por administradores que buscam o sucesso em suas atividades, ambas fazem parte do cardápio das ações cotidianas dos administradores de vanguarda.

Nesta data – 09.09 -, que comemoramos o dia do administrador não poderíamos deixar de fazer este registro sobre a profissão do Administrador, cujo curso é a mais cosmopolita de todos os cursos superiores ofertados em nosso país. O graduado em Administração estuda: Sociologia, Filosofia, Direito, Finanças, Psicologia, Matemática,
Estatística, Português, Contabilidade, entre outras disciplinas.

Para mim o bom administrador é o que: “Transforma o caos em ordem, as crises em oportunidades e produz resultados crescentes com recursos cada vez mais escassos”. Parabéns administradores do Brasil.

Crônica de Ademar Rafael

Por: Ademar Rafael

MARCOS ANTÔNIO CAMPOS DA FONSECA

Beto Fuscão, colega do Banco do Brasil, durante uma caminhada na praia perguntou se eu havia escrito algo sobre Marcos de Zé Coió. Para atendê-lo e premiar os leitores e leitoras deste espaço resolvi adaptar a crônica “Valeu Marcos” publicada no site www.afogadosdaingazeira.com.br.

Marcos quando jovem não quis um curso superior, pois sabia que Deus havia lhe dado talento suficiente para prescindir diplomas, sempre procurou ir além e entreva com tudo em cada empreitada que a vida lhe reservou.

Como jogador de futebol era detentor potente chute, que falem os goleiros que ele fez ir buscar a bola no fundo da rede. Como meia esquerda brilhante formou ao lado do saudoso Alex um extraordinário meio de campo no Santa Cruz de Ninô. Ainda no futebol nos deu, em conjunto com Arnaldo, Batista, Murilo, Dinda e o nosso inesquecível Dinga ou Branco de Everaldo, o Guabiraba, único time capaz de vencer o Barcelona. Ali Marcos impediu muitos gols, foi um dos maiores goleiros da história de Afogados. No campo fazia, na quadra evitava

Com seu sorriso franco e carisma peculiar mudou-se para Princesa Isabel-PB, após o casamento. Para lá levava sempre que podia seus amigos, destacou-se em tudo que fez na terra de Zé Pereira. Tudo que ele fazia colocava muito amor e garra, nunca vi Marcos reclamar de ninguém se era para fazer algo ele tomava a frente e realizava da melhor maneira.

A morte de Mário tirou muito do brilho de seu olhar, mas jamais desistiu de qualquer coisa, foi um vitorioso com suas próprias pernas, todas as vezes que precisei de Marcos para qualquer coisa ele atendia no ato, era seu jeito. Faleceu em 1999 deixando o exemplo para que os jovens de nossa terra lutem por seus objetivos como Marcos fez. Na Paraíba sempre dava guarida aos filhos do Pajeú, anfitrião de mão cheia e bom de papo em volta de uma mesa, agregador e líder nato. VALEU MARCOS.

Crônica de Ademar Rafael

IZABEL MARIA MARINHO PATRIOTA

Por: Ademar Rafael

Na manhã de 03.08.19 estava com amigos na Praça Arruda Câmara de Afogados da Ingazeira quando recebi uma missão do amigo Saulo Gomes. Por telefone ele me pediu para escrever algo sobre Zá Marinho que completaria 60 anos no dia 04.08.19.

Nesta minha trajetória terrestre não encontrei, além de Zá, ninguém que trouxesse um coral na garganta. A filha de Lourival e Helena foi – quem tiver outro entendimento guarde -, a dona da voz com mais docilidade e melodia que ouvi em minha vida. A fragilidade corporal escondia uma cantora sublime um anjo de coração santo. Seu olhar quando se debruçava sobre um excluído conduzia uma energia gerada somente em seres iluminados.

Tinha gestos difíceis de serem narrados com palavras. No dia que minha esposa conheceu Zá disse-lhe de frustração que teve quando notou que o cantor contratado para nosso casamento não havia ensaiado a música
“Amor de índio”. Prontamente ela disse a Helaine: “Nunca cantei esta música vou aprendê-la e em nosso próximo encontro cantarei para você.” Dias depois na casa do irmão Hilário cantou “Amor de índio” com uma
intensidade que até hoje ecoa em nossos ouvidos.

Certa vez ganhou um casaco de frio da irmã Maria Helena. No caminho da sua residência encontrou uma moradora de rua sem coberta e entregou-lhe o casaco. Maria descobriu no dia seguinte e sem qualquer sentido de crítica perguntou: “Zá destes o casaco que lhe dei?” Zá prontamente disse: “Ninha, quando vi a pessoa sem nada para enfrentar o frio e eu protegida, indo para debaixo dos meus cobertores, não tive outra saída dei o presente que havia recebido.” Essa era a Zá cidadã.

A voz de Zá transformava qualquer música em clássico, seu cunhado Antônio José ganhou uma versão personalizada de “Um homem chamado Alfredo”, nós outros ganhamos um repertório sem parelha.