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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

ACOLHIMENTO

Quando buscamos uma definição para palavra “acolhimento” encontramos entre outros conceitos: “ato ou efeito de acolher”, “ação de aproximação”, “estar com”, “estar perto de”, ou seja, uma “atitude de inclusão”. Essa atitude implica, por sua vez, “estar em relação com algo ou alguém”.

Trazemos o preambulo acima para validar a linha de pensamento que julgamos aderente com fatos ocorridos em nossa região quando pessoas ligadas a cultura regional acolheram o cantor, compositor e apresentador de programa de televisão Renato Teixeira. Pelo que acompanho na múltipla carreira da autor de “Romaria” arisco-me a dizer que ele ficou muito feliz com o que viu e ouviu, como grande pesquisador que é.

Após uma apresentação emblemática na festa dos cento e dez anos do poeta Lourival Batista em São José do Egito, onde Renato Teixeira, Maciel Melo e Jessier Quirino reeditaram um encontro realizado em São Paulo no ano passado, o músico paulista literalmente “pegou a viola” e percorreu vários municípios do Pajeú em Pernambuco e do Cariri na Paraíba.

Aqui quero destacar as visitas às residências de Paulo Matricó e Zé de Cazuza, passeio na Serra do Giz, comunidade Quilombola Leitão da Carapuça, com rodada de conversas e apresentações contemplando arte, música, poesia e roda de coco com o grupo de Coco Negras e Negros do Leitão da Carapuça, patrimônio Vivo de Pernambuco.

Cabe destacar ainda evento na casa de Sandrinho Palmeira, prefeito de Afogados da Ingazeira, onde se apresentaram, entre outros, os músicos Gustavo Pinheiro, Edierck José, Edinho Oliveira, Leandro Cavalcante e os poetas Diomedes Mariano e Jessier Quirino. Durante o circuito Augusto Martins, Alexandre Moraes e outros ativistas culturais apresentaram
versões sobre nosso potencial no universo da cultura raiz. Em Afogados da Ingazeira o périplo foi encerrado com visitas ao Cine Teatro São José, a Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, ateliê do artista plástico Edierck José e ao Museu do Rádio, único em Pernambuco.

Crônica de Ademar Rafael

O CAOS DO CAOS

Certa vez em uma atividade de sala de aula perguntei aos aprendizes sob o ponto de vista individual, sem consultas a qualquer fonte, qual seria sua definição para Administrar.  Uma das respostas obtidas guardo comigo por entender que representa de forma simplificada um conceito válido. A resposta foi: “Transformar o caos em ordem.”

Esta tem sido missão impossível na esmagadora maioria das cidades brasileiras no tocante o trânsito  urbano. A lista de culpados é infinita, medidas corretivas tem listagem imensa e soluções podemos contar nos dedos de uma mão.

Umas das definições para Municipalização de Trânsito é: “… integrar-se ao Sistema Nacional de Trânsito e assumir as responsabilidades pela gestão do tráfego local.” A Confederação Nacional de Municípios – CNM, utilizando informações da Secretaria Nacional de Trânsito – SENATRN, informa em março do ano passado que somente 33,93% dos municípios brasileiros realizaram o processo de integração.

Entendo, no entanto, que a distância entre “realizar o processo de integração” e solucionar o caos é maior que a distância entre à praia do Seixas na Paraíba e o Rio Moa no Acre. É comum verificarmos de leste a oeste, de norte a sul do Brasil que a municipalização foi eficiente somente no que se refere a cobrança de multas.

Pelo que vejo nas ruas não me arisco em atestar qual o estágio deste processo em nossa querida Afogados da Ingazeira. Mas uma coisa é certa a cidade é detentora de um dos piores sistema de mobilidade urbana que conheço. Classificar como ”O caos do caos” não é exagero. Tenho certeza que o assunto incomoda os gestores públicos e entendo que é hora de agir.

A importância de Afogados da Ingazeira para região do alto Pajeú não permite que fiquemos reféns das dificuldades. Julgo que o momento é agora, esperar só agrava a complicada situação. Ação imediata, se for com medidas duras e impopulares que seja. Omissão é pecado grave!

Crônica de Ademar Rafael

O PODER DA ORAÇÃO

Existem algumas tendências e por serem tendências não alcançam todos com a mesma intensidade que é questionarmos coisas aparentemente sem respostas.  Eu particularmente sempre desejei entender a importância da entrega total durante nossas orações toda vez que me deparei com divagações que ocorrem naturalmente.

A base do meu questionamento deriva da minhas naturais limitações e do que ouvimos. Com o juízo de valor que carrego sempre entendi que Deus, com sua extrema misericórdia,  nos permite fazer escolhas. Quer nossa atenção mas nos deixa viver, diferente dos humanos que muitas vezes exigem atenção exclusiva.

Na última semana lendo uma revista de cunho católico encontrei um texto que traz clareza para minha dúvida. O conteúdo que me refiro é de São Tomás de Aquino, extraído da sua “Suma Teológica”. De pronto o Doutor Angélico, nos ensina: “… a oração consiste na elevação de nossa mente a Deus, inflamada pela devoção e pelo fervor da caridade. Não rezamos a Deus para manifestar algo desconhecido por sua infinita sabedoria ou para mudar os desígnios de sua providência divina, mas para nós mesmos nos convencermos da necessidade de recorrer ao seu auxílio e de pedirmos tudo quanto Ele determinou, desde toda a eternidade, nos conceder pelo mérito de nossas preces.”

Em seguida, com sua sabedoria pergunta e logo responde: “No decurso de nossas orações, pareceria ilícita toda e qualquer distração, mesmo quando empenhamos nossos melhores esforços. Podemos elevar súplicas a Deus, com proveito, enquanto nossas cogitações divagam longe de sua Divina Majestade?”  – “Ninguém está obrigado ao impossível. E é impossível manter a mente atenta em algo por muito tempo sem ser subitamente levada para outra coisa. Portanto, não é necessário que a oração seja sempre acompanhada pela atenção”. O texto sabiamente sugere que devemos lutar contra as distrações voluntárias e reduzir as involuntárias. Dentro dos seus princípios cada leitura e cada leitor faça suas escolhas.

Crônica de Ademar Rafael

SEM ADJETIVOS

Na casa que nasci no Sítio Quixaba – Jabitacá – Iguaracy – PE por ser localizada às margens da estrada que nos leva a Monteiro – PB sempre erámos abordados por viajantes. Nossos pais recomendavam que não deveríamos abrir as portas para estranhos. Certa vez eu estava em casa sozinho e uma cigana bateu pedido água. Eu, na minha inocência, disse que não tinha água para lhe dar e ela disse: “Gajão um dia morrerás de sede dentro de um poço d’água”.

Narro a história acima por entender que ela tem perfeita sintonia com o sofrimento dos moradores de Afogados da Ingazeira diante da inercia total e da inoperância crônica da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA na questão do ineficaz fornecimento d’água aos usuários. Isto mesmo, não há como explicar a falta do precioso líquido numa cidade praticamente dentro da Barragem de Brotas. Um sistema usando somente a gravidade abasteceria a cidade sem zero de dificuldade.

Adjetivos aderentes a atuação da COMPESA são impublicáveis. As contas chegam com regularidade distante mais de cem mil quilômetros do fornecimento regular da água. Alguns moradores alegam que o problema ocorre por falta de ação da população e dos poderes executivo, legislativo e judiciário, discordo. O problema deriva totalmente de uma administração equivocada da COMPESA e do descompromisso com suas obrigações que tem proporções geométricas. A Inteligência Artificial, aliada aos melhores sistemas computacionais do mundo seriam ineficientes para medir essa falta de compromisso.

A empresa que existe no site não é a organização real, vejam a “Missão” ali publicada: “Prestar, de forma sustentável, serviço de abastecimento de água e esgotamento sanitário, com a promoção do bem estar e da qualidade de vida dos clientes.” Na pratica nenhuma palavra deste texto é realidade em Afogados da Ingazeira – PE. Cidade que em pleno século vinte e um tem que recorrer ao galão nos ombros e lata na cabeça para ter um pote cheio em casa. Não há esperança para solução.

Crônica de Ademar Rafael

ESCURIDÃO TOTAL

Ao buscarmos o significado de “transição”, entre outros podemos encontrar “passagem do velho para o novo” é essa a finalidade daquilo que costumeiramente é chamado de “transição de governo”. Período em que o futuro gestor tenta identificar a situação atual do ente que administrará junto ao gestor que ocupa o cargo, conforme sugere regras legais.

Invariavelmente ouvimos “lenga-lenga ou mimimi” sobre a transição em determinado município ou estado dessa falida “Federação” conhecida como Brasil. Fica sem resposta os motivos que levam um gestor a negar acesso às informações para as comissões nomeadas na forma da lei. Aumenta essa dúvida quando constatamos que tais gestores que agora negam os dados em passado recente reclamaram da prática. Isto mesmo, os gestores atuais que se disseram vítimas hoje se vingam.

Essa maléfica prática além de ferir de morte regras legais sugere a falta de compromisso de gestores públicos com assuntos de interesse coletivo, imagino que estas figuras se acham acima das leis e do que podemos chamar respeito com seus pares. O pior disto tudo é que Governo Federal, Tribunais de Contas, entidades que cuidam da transparência em órgãos públicos gastam muito dinheiro editando regularmente cartilhas e outras publicações com roteiros sobre “transição de governos”. Referidas informações, muito bem catalogadas, são ignoradas de leste a oeste, de sul a norte desse país cujo sistema político está submerso pelos esgotos da falcatrua e do jeitinho brasileiro.

Em uma dessas cartilhas encontrei a seguinte sequência: “1º passo: Instalar a equipe de transição – 2° passo: Preparar relatórios – 3° passo: Disponibilizar informações e 4º passo: Publicar os documentos para encerrar a transição.” Cada passo deste é seguido de ricas informações sobre a sua importância para que os novos mandatários iniciem a gestão com informações básicas e necessárias. Mesmo assim muitos não se sensibilizam e negam fornecer dados relevantes para o processo. Nossa falida nação é campeã em criar e desrespeitar regras.