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Especialista aponta que provas da PF podem levar à cassação de chapa em Afogados da Ingazeira

Por: André Luis – Causos & Causas

Advogada eleitoral Tassiana Bezerra analisa inquérito que investiga campanha do prefeito Sandrinho Palmeira e afirma que conjunto de indícios é suficiente para ação judicial com risco de perda de mandato
As provas coletadas pela Polícia Federal no inquérito que investiga a campanha de reeleição do prefeito de Afogados da Ingazeira, Alessandro Palmeira (Sandrinho Palmeira), constituem base sólida para uma ação judicial que pode resultar na cassação da chapa, segundo análise da advogada especialista em direito eleitoral Tassiana Bezerra.

Em entrevista ao Causos & Causas, a especialista afirmou que o inquérito da PF apresenta indícios concretos de três graves infrações eleitorais: compra de voto (captação ilícita de sufrágio), corrupção eleitoral e abuso de poder econômico.

“Se no decorrer do processo o juiz entender que de fato essa investigação comprova essas situações, é cassação da chapa“, explicou Tassiana Bezerra. “Por mais que a prática do ato tenha sido feita por um terceiro, foi no intuito de beneficiar um candidato, a chapa majoritária.”

Caixa dois eleitoral
A advogada destacou que a investigação revela fortes indícios de caixa dois eleitoral, evidenciado pela grande discrepância entre os valores declarados pela campanha e os recursos efetivamente movimentados – especialmente em relação aos tickets de combustível apreendidos com o ex-secretário municipal de Finanças, Jandyson Henrique Xavier Oliveira, coordenador da campanha.

“O inquérito nos leva a crer em compras de voto por meio de tickets de combustível, com bem discrepância de valores levando a crer a existência de um caixa dois eleitoral”, analisou a especialista.

Tipos penais aplicáveis
Conforme Tassiana Bezerra, os crimes eleitorais que podem ser imputados em uma eventual ação judicial incluem corrupção eleitoral, caixa dois, abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio.

“Esses tipos, se comprovados, com certeza levam à cassação da chapa”, reforçou a advogada, lembrando que o inquérito representa a fase preliminar da investigação: “Esta é a finalização do inquérito. Depois é que o Ministério Público vai dar encaminhamento à possível ação.”

A especialista acrescentou que, se já existir alguma ação em curso relacionada ao caso, as conclusões da investigação da PF poderão ser incorporadas aos autos, fortalecendo a posição do Ministério Público Eleitoral.

O caso teve início a partir de denúncia anônima e abordagem policial que resultou na apreensão de R$ 35 mil em espécie, notas fiscais de abastecimento totalizando R$ 240.214,06 e 135 tickets de autorização de abastecimento na véspera das eleições.

 

 

 

O Coronel do povo: A vida e o legado de Miguel de Campos Góes

Por Rinaldo Remígio*

Há homens cuja grandeza não se mede pelos títulos formais, mas pela postura com que caminharam entre seus semelhantes. Homens que, mesmo sem diploma superior, alcançaram o mais alto grau de sabedoria: o respeito do povo. Assim foi o senhor *Miguel de Campos Góes*, o eterno *Miguelito*, nascido em 1º de novembro de 1907, em Afogados da Ingazeira, coração pulsante do Sertão do Pajeú.

Filho do senhor *Luiz Alves de Góes e Melo*, coronel da Guarda Nacional, e da senhora *Petronila de Siqueira Campos do Amaral Góes*, Miguelito cresceu em meio a uma família numerosa — doze irmãos — todos marcados pela cultura, pelo estudo e por uma rara vocação para servir à sociedade. O ambiente doméstico era um verdadeiro berço de talentos: seu irmão *Oscar de Campos Góes*, renomado pesquisador botânico, chegou a se corresponder simplesmente com *Albert Einstein*; outro irmão, *Padre Luís Gonzaga de Campos Góes*, tornou-se figura influente no Rio de Janeiro, construtor do Santuário São Judas Tadeu (Laranjeiras), celebrante em cerimônias de Juscelino Kubitschek e amigo de *Assis Chateaubriand*, magnata da comunicação brasileira.

Entre tantos nomes ilustres, Miguelito destacou-se não por ostentação, mas por caráter.

Desde jovem, chamava atenção pela coerência nas decisões e pela habilidade nata de solucionar conflitos. Em uma época de escassez de professores, concluiu apenas o curso primário, mas encontrou nos jornais sua principal fonte de formação. Era leitor assíduo, observador atento da vida política e social. Tornou-se autodidata por vocação e líder por natureza.

Em 25 de março de 1941, casou-se com *Maria do Carmo Dantas Campos Goes*, com quem formou uma família respeitada, educada e unida. Tiveram cinco filhos — uma descendência que perpetua, até hoje, os valores de retidão e decência que marcaram sua existência.

Inspirado pelo pai e pelo ambiente de liderança moral em que fora criado, ingressou na política. Em 1959, enfrentou uma disputa acirrada contra Possidônio Gomes dos Santos e saiu eleito prefeito de Afogados da Ingazeira para o período de 1959 a 1963. Seu governo deu continuidade à construção do prédio da Prefeitura Municipal — obra que, embora inaugurada anos depois, recebeu de Miguelito a condução responsável e honesta que caracterizava sua vida pública.

Chamavam-no de *“Coronel Miguelito”*. Ele mesmo explicava, com simplicidade: não herdara a patente militar, mas sim o *respeito do povo*, que continuou a tratá-lo como antes tratara seu pai. Era o título informal da autoridade moral — aquela que não se compra, não se impõe e não se proclama: conquista-se.

Seu papel como mediador, entretanto, foi talvez sua marca mais profunda. Em Afogados da Ingazeira, quem tinha um conflito familiar, uma disputa de terras, uma rixa entre vizinhos procurava Miguelito. E ele resolvia. Não para um lado nem para outro — resolvia pelo equilíbrio. Seu conhecimento instintivo das leis e sua influência respeitosa no poder Judiciário faziam dele um verdadeiro pacificador da cidade.

Como tabelião do Cartório de Notas e Protestos, consolidou ainda mais essa imagem de homem justo, ponderado, íntegro. Era procurado não apenas pelos atos oficiais, mas pelos conselhos, pelos pareceres, pela palavra que serenava ânimos.

Morava com a família na antiga Praça Oscar de Campos Goes — hoje Praça *Prefeito Miguel de Campos Góes. O endereço mudou de nome, mas não de significado: continua sendo lugar de memória, de histórias contadas por quem viveu a época em que Miguelito caminhava entre o povo, cumprimentando de chapéu na mão e opinião sempre equilibrada.

Embora irmão de figuras profundamente religiosas, Miguelito era católico discreto. Sua fé revelava-se mais no trato humano do que nas práticas litúrgicas. Era, sobretudo, homem de valores, de convivência pacífica e de honestidade inegociável.

Afastou-se da política em 1965, preferindo a tranquilidade ao acirramento das disputas públicas. Viveu seus últimos anos já fragilizado pelo cigarro e pela idade, até partir em 21 de junho de 1996, aos 88 anos. Foi sepultado no Cemitério São Judas Tadeu, deixando atrás de si um rastro luminoso de serviços prestados.

Em 2002, quando a praça onde viveu foi rebatizada com seu nome, Afogados da Ingazeira fez mais que uma homenagem: reconheceu oficialmente o legado de um homem que ajudou a construir sua identidade social e política.

Seu Miguelito não deixou monumentos grandiosos, mas deixou algo maior: deixou paz, deixou respeito, deixou exemplo.

Sua grande obra foi a coerência. Seu monumento foi a palavra honrada. Seu legado, a pacificação.

Afogados da Ingazeira, ao recordar Miguelito, recorda também uma época em que liderança era sinônimo de responsabilidade, e política era, antes de tudo, serviço.

Homens como ele não passam pela história.

Permanecem nela.

*Professor universitário aposentado e memorialista!

Fonte de informações: Fernando Pires, Miguel Neto.

Os trapalhões sumiram após o descomissionamento

Uma fonte afogadense enviou ao blog o seguinte relato sobre o descomissionamento do Açude Zé Mariano.

O epísódio do descomissionamento desse açude histórico em Afogados da Ingazeira revelou mais uma vez que a ocupação de espaços no governo Sandrinho Palmeira é meramente política, financista e com zero compromisso público.

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira não só deixou de exercer seu papel de cobrar ao proprietário o licenciamento para realizar a atividade de secar o reservatório, como ainda deu apoio à ação, colocando a Defesa Civil para monitorar o volume de água que descia da Barragem.

De uma só tacada, prevaricou, ajudou ao cometimento de uma ilegalidade e ainda apoiou a atividade. Pela lei, o proprietário teria que ter licenças de CPRH e APAC. Isso numa prefeitura que tem nomes como Adelmo Santos, o Secretário de Meio Ambiente que assumiu há um ano, recebe em dia para nada, nenhuma ação concreta, e Elias Silva, que recebendo dinheiro público está dentro de vários comitês como o do São Francisco e numa hora dessa não tem sequer a iniciativa de explicar ao prefeito a lei.

Detalhe: pelo que o blog apurou, nenhum deles está em Afogados da Ingazeira essa semana. Na Rádio Pajeú, o radialista Nill Júnior informou que nomes como Elias teriam levado o gestor a erro, autorizando a ação.

Dona Lica: O sabor que ficou na memória de Afogados da Ingazeira

*Por Rinaldo Remígio

Algumas pessoas não precisam de monumentos para serem lembradas; basta o brilho silencioso da vida que viveram. Maria Salomé Gomes — a eterna Dona Lica — pertence a esse seleto grupo de figuras que, mesmo décadas após sua partida, continuam presentes na lembrança afetiva de um povo inteiro. Se estivesse entre nós, comemoraria neste mês de outubro seus 117 anos. Partiu em 1992, aos 83, mas deixou um legado que nem o tempo, nem o silêncio, nem a saudade conseguem apagar.

Nascida em 28 de outubro de 1908, no sítio Saco dos Queiróz, era filha de Francisco Gomes da Silva e Maria Francelina da Conceição. Vinda de uma família simples de cinco irmãos, cresceu entre o cheiro da terra molhada, o batuque das tradições sertanejas e o calor de um lar que carregava, em cada gesto, o valor da simplicidade e da dignidade.

Ainda adolescente, mudou-se para Afogados da Ingazeira, cidade que, sem imaginar, ganharia ali uma de suas personagens mais emblemáticas. Trabalhou como zeladora no antigo Ginásio Pinto de Campos e dedicou anos de sua vida ao movimentado Cine Pajeú, onde foi funcionária até sua aposentadoria. Porém, se sua presença era marcante nesses espaços, foi na cozinha que ela realmente se tornou inesquecível.

A culinária de Dona Lica atravessou fronteiras simbólicas. Era admirada por visitantes, autoridades, viajantes e, sobretudo, pelos filhos de Afogados da Ingazeira, que encontravam em seus pratos um sabor impossível de replicar. Mulher de estatura mediana, tez morena, traços marcados pela forte descendência indígena, ela cozinhava não apenas com técnica, mas com alma. Cada panela era um gesto de afeto; cada prato, uma história.

Não foram poucos os convites que recebeu para trabalhar em grandes cidades. A própria primeira-dama de São Paulo, Leonor de Barros, esposa do então governador Ademar de Barros, tentou levá-la para o sudeste. Chegaram até propostas dos Estados Unidos, reconhecimento raríssimo para uma cozinheira sertaneja no início do século XX. Mas Dona Lica recusou todas as oportunidades. E recusou por amor: não deixaria seu filho Carlos para trás. Escolheu ficar. Escolheu sua terra. Escolheu sua gente.

Construiu uma família forte e afetuosa. De sua união nasceram quatro filhos: Antônio Gomes,
Neuza de Melo Tavares, José Francisco do Nascimento e Francisco Carlos Gomes.

Para eles, foi porto seguro. Para a comunidade, foi referência de dedicação, amizade e generosidade.

Mesmo sofrendo por longos anos com problemas cardíacos, manteve-se firme, trabalhando, acolhendo e repartindo sua mesa como quem distribui bênçãos. Em 27 de abril de 1992, seu coração, tão grande e tão exigido pela vida e pelos afetos, finalmente repousou. Foi sepultada no Cemitério São Judas Tadeu, deixando a cidade envolta em profunda comoção.

Mas a história de Dona Lica não terminou ali. Ela se perpetuou no imaginário coletivo de Afogados, nos relatos de quem provou seus pratos, nas conversas à sombra das calçadas, no orgulho de um povo que reconhece quem ajudou a construir sua identidade.

Dona Lica não foi apenas uma cozinheira. Foi um símbolo cultural, um patrimônio afetivo, uma mulher à frente de seu tempo que, com seu talento e sua humildade, mostrou ao mundo que grandeza não depende de títulos, e sim de legado.

E o dela permanece — vivo, forte, inesquecível — como o perfume de uma panela que acabou de ser aberta na cozinha do sertão.

*Professor universitário aposentado e memorialista!

Sindicato diz que governo não apresentou propostas para as pautas da educação em Afogados

Por Blog Juliana Lima

O SINDUPROM-PE divulgou nesta sexta-feira (21) uma nota criticando a reunião realizada com a Prefeitura de Afogados da Ingazeira, considerada frustrante pela falta de propostas concretas e pela ausência de avanços na pauta que envolve professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais.

Segundo o sindicato, a gestão passou anos sem responder ofícios, sem diálogo e sem qualquer audiência para tratar das demandas da categoria. Mesmo assim, na reunião, a prefeitura não apresentou estudo de impacto financeiro, cálculos ou simulações sobre a regularização da hora-aula, apesar de reconhecer a defasagem.

O SINDUPROM-PE também alertou para a possibilidade levantada pela gestão de retirar recursos da Educação por meio de suplementação orçamentária, o que classificou como um ataque grave à educação pública e ao Fundeb.

A reunião acabou se limitando a dois pontos, ambos sem avanço: a hora-aula e a discussão sobre a suplementação. A gestão informou que só apresentará algo concreto após reunião com o contador, prometendo nova rodada de diálogo nos próximos dias.

A coordenadora geral do SINDUPROM-PE, Dinalva Lima Pereira Vieira de Mello, afirmou que o sindicato seguirá mobilizado, não aceitará retirada de recursos da educação e continuará cobrando valorização e respeito aos profissionais do magistério.

SINDUPROM-PE – NOTA PARA O BLOG

Anos de luta, silenciamento da gestão e nenhuma proposta concreta: o que realmente aconteceu na reunião com o prefeito de Afogados da Ingazeira

O SINDUPROM-PE esteve reunido com o prefeito de Afogados da Ingazeira após anos de tentativas frustradas de diálogo, inúmeros ofícios protocolados sem nenhuma resposta e uma pauta que se arrasta há mais de dois anos sem qualquer avanço real. A reunião era aguardada pela categoria como uma oportunidade de finalmente destravar problemas graves que atingem diretamente os professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais.

Apesar disso, a gestão chegou sem apresentar absolutamente nada de concreto.

1. Anos de luta ignorados pela gestão

O sindicato vem há muito tempo solicitando diálogo, enviando documentos, apresentando cálculos e cobrando respostas.
Ao longo de vários anos:

nenhum ofício foi respondido;

o prefeito sempre se esquivou das demandas;

nenhuma audiência foi concedida para tratar da pauta da educação.

Somente agora, diante da pressão e da mobilização da categoria, o gestor assumiu um compromisso verbal de que, a partir de agora, responderá aos ofícios do sindicato.
Mas ainda não sabemos se isso se cumprirá, já que esse compromisso vem após um longo histórico de silêncio e omissão.

2. Gestão chegou sem proposta e sem estudo de impacto financeiro

Mesmo após anos de cobrança, a gestão não levou nenhuma proposta pronta, especialmente sobre o ponto mais aguardado pela categoria:
a regularização da hora-aula dos professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, cuja defasagem é reconhecida inclusive pela própria prefeitura.

A correção da hora-aula deveria vir acompanhada do estudo de impacto financeiro, mas:

nenhum dado foi apresentado;

nenhum cálculo foi mostrado;

nenhuma simulação foi discutida;

a gestão ainda disse que iria procurar o contador para fazer algo que já deveria estar pronto há muito tempo.

Ou seja: anos de espera e a gestão não tinha nada preparado.

3. Tentativa de suplementação retirando recursos da Educação: um ataque grave

A gestão ainda levantou a possibilidade de enviar à Câmara uma suplementação orçamentária retirando recursos da Educação, para resolver problemas administrativos criados pelo próprio governo.

Se essa medida for adiante:

👉 representa um ataque direto à educação pública, porque desvia dinheiro que deveria estar garantindo valorização profissional, piso, carreira e qualidade nas escolas.

O SINDUPROM-PE deixa claro que é totalmente contrário a qualquer tentativa de tirar dinheiro da Educação para cobrir falhas administrativas.
Essa prática compromete o Fundeb, enfraquece o sistema educacional e prejudica toda a comunidade escolar.

4. Dois únicos pontos discutidos — e sem avanço

A reunião, que deveria atender a uma pauta acumulada por anos, acabou reduzida a apenas dois pontos — ambos sem avanço:

a) Regularização da hora-aula

A gestão reconhece a defasagem, mas não apresentou a solução e ainda dependerá do contador para fazer um cálculo que já deveria estar pronto há muito tempo.

b) Debate sobre suplementação

A prefeitura tenta viabilizar mecanismos junto à AMUPE para justificar a retirada de recursos da Educação, alegando dificuldades geradas por uma alíquota que, no caso de Afogados da Ingazeira, chegava a mais de 57% da folha — valor totalmente insustentável e que nunca poderia ter recaído sobre os professores.

Nada além disso foi discutido.
Diversos itens importantes da pauta ficaram de fora por falta de tempo e pelo volume acumulado de dois anos sem diálogo real.

5. O compromisso de nova reunião — mas ainda sem garantias

O prefeito afirmou que:

conversará com o contador até quarta-feira;

apresentará algo concreto na próxima reunião, marcada para sexta-feira ou, no mais tardar, segunda-feira.

O sindicato aguarda, mas mantém a postura de vigilância.

6. A posição do SINDUPROM-PE

O sindicato reafirma:

não aceitará nenhum ataque à educação pública;

não permitirá retirada de recursos do Fundeb para cobrir falhas administrativas da gestão;

não abrirá mão da regularização da hora-aula, com estudos reais e impacto financeiro;

continuará firme, mobilizado e combativo.

Afogados da Ingazeira precisa de gestão responsável, diálogo verdadeiro e valorização do magistério.

E esse compromisso passa, obrigatoriamente, por respeito aos profissionais da Educação — e isso o SINDUPROM-PE continuará exigindo.

Dinalva Lima Pereira Vieira de Mello- Coordenadora Geral do SINDUPROM-PE

Estacionada inadequadamente na Avenida Rio Branco

Acabei de chegar a sede do blog, aqui na Avenida Rio Branco em Afogados da Ingazeira, me deparei mais uma vez com alguns proprietários de motos, que estacionam inadequadamente, ocupando os lugares de dois automóveis. Se não bastasse esse trânsito caótico da cidade, ainda vem alguns que se dizem motociclistas ocupando o lugar que poderia estacionar dois veículos. Foto: Finfa

Coluna do Finfa

Seu Minel, Dona Erotides e a família Marinho: Um legado que o tempo não apaga

*Por Rinaldo Remígio

Há famílias cuja história se entrelaça com a história de uma cidade. E há pessoas cuja presença, mesmo após a partida, permanece ecoando nos gestos, na memória afetiva e na identidade de todos que conviveram com elas. Assim é a trajetória de Seu Hermenegildo Marinho dos Santos, o inesquecível Seu Minel, de Dona Erotides e de toda a família Marinho — uma linhagem marcada por valores, trabalho e profundo senso de humanidade.

Nascido em 1º de setembro de 1919, na serena Serra da Sebastiana, em Carnaíba, Seu Minel veio ao mundo carregando a simplicidade e a força dos sertanejos. Filho de Jacob Marinho dos Santos e Herculana Maria da Conceição, aprendeu cedo que dignidade se planta no dia a dia, com trabalho, respeito e palavra honrada. Cresceu entre roçados, escola e labuta, moldando o caráter que o acompanharia por toda a vida.

A juventude levou a família para Afogados da Ingazeira, onde as oportunidades eram maiores e onde o destino lhe reservava seu grande amor. Trabalhando ao lado do pai no comércio, conheceu Erotides Pires Ferreira, a jovem que, em 5 de dezembro de 1948, se tornaria sua companheira de jornada, sua parceira constante, sua força mansa e firme. A partir daquele dia, o casal formou um alicerce de vida pautado por afeto, comunhão e propósito.

Dessa união nasceram Almir (i.m.), Fernando, Maria Elane, Solange, Rejane, Erotides Filha, a querida Tidinha (i.m.) e Hermenegildo Filho, o querido Nenel — cada qual trazendo no olhar e nos modos os valores cultivados em casa: o respeito ao próximo, o amor ao estudo, a lealdade, a humildade e a importância de manter a família sempre unida.

Em minha própria trajetória, tive o privilégio de conviver com alguns deles.
Fernando Pires, por exemplo, marcou minha formação profissional enquanto fui menor aprendiz do Banco do Brasil. De trato impecável, educado e sempre disposto a ensinar, ele refletia — como um espelho nítido — as lições herdadas do pai. Nenel e Tidinha, meus colegas no Colégio Normal Estadual, também carregavam no comportamento sereno e amistoso a marca indiscutível da educação familiar que receberam.

Mas a figura de Seu Minel ultrapassava o círculo doméstico. Comerciante respeitado, conduziu com maestria a tradicional Casa Marinho, situada na Praça Domingos Teotônio, um ponto de referência comercial e social na cidade. Seu senso de organização, ética e justiça transformou o estabelecimento num verdadeiro símbolo de confiança.

Como se não bastasse, nutria dotes variados: músico habilidoso, tocava clarinete na Banda Padre Carlos Cottart; atleta, defendia com garra o time local; líder comunitário, atuou na diretoria do saudoso ACAI, contribuindo para o brilho esportivo e social de Afogados da Ingazeira.

Seu lar, na imponente Avenida Rio Branco, era espaço de convivência exemplar — uma casa que recebia amigos, acolhia familiares e respirava serenidade. Ali, ao lado de Dona Erotides, construiu uma família respeitada, admirada e profundamente integrada à vida cultural e social da cidade.

No dia 28 de março de 1988, uma segunda-feira silenciosa, Seu Minel encerrou sua jornada terrena aos 68 anos. Foi sepultado no Cemitério São Judas Tadeu, mas sua partida não apagou sua presença. Pelo contrário: ampliou-a.
Seu legado permaneceu — nas histórias contadas, na admiração dos que o conheceram, no exemplo reproduzido por filhos, netos e todos aqueles que cruzaram seu caminho.

Porque homens como Seu Minel jamais deixam apenas lembranças; deixam raízes.
E mulheres como Dona Erotides, tão firme quanto afetuosa, eternizam essas raízes, nutrindo a família e mantendo vivo o espírito de união.

Hoje, ao revisitar essa trajetória, reconhecemos que a família Marinho continua sendo uma referência de solidez moral, trabalho honrado e amor sincero — um patrimônio afetivo de Afogados da Ingazeira.

E assim seguirá:
Seu Minel, Dona Erotides e sua família continuarão sendo lembrados com respeito, carinho e profunda admiração.
Um legado que o tempo não apaga.

*Professor universitário e memorialista!
Fonte: Fernando Pires, filho!