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Irmãos

Por: Milton Oliveira

Quando Deus criou a humanidade, teve o generoso cuidado de dar ao homem algumas pessoas indispensáveis ao seu engrandecimento pessoal e moral, no afã de facilitar a caminhada na estrada da vida.

Por não bastarem os pais, exclusivamente – que são as maiores dádivas divinas –legou os irmãos, com os quais se aprende o real significado da parceria, da confiança e do amor.

Se você é filho único e se considerar fora do contexto, entenda que irmãos não são só os de sangue, gerados dos mesmos pais; aqueles que a vida nos dá, às vezes, são melhores do que esses.

No tempo de criança, os irmãos brigam motivados por qualquer banalidade, em especial quando um resolve revelar uma traquinice do outro à mãe. São através das contendas pueris que se fortalecem os sentimentos fraternos e se compreende que o corpo de um irmão se alonga até o outro, formando um organismo pleno, apesar da diversidade de físicos, caráteres e opiniões.

Irmãos são almas gêmeas que a vida jungiu com os laços do amor. São anjos deixados na Terra para fazer a felicidade dos mortais.

Desde pequenos, conhecemos o ensinamento bíblico de que devemos amar-nos uns aos outros como o Pai nos tem amado. Tal instrução não se limita, apenas, à célula familiar; todas as pessoas que estão ao nosso redor são irmãos a quem devemos deferir respeito, compreensão e amor.

É, justamente, através da pureza do coração que se alcança a felicidade, a abundância de afeto eficaz a afastar as sensaborias comuns no dia a dia, fazendo com que, nos páramos terrestres, possamos usufruir das venturas celestes.

Entretanto, é com tristeza e decepção que sabemos da existência de irmãos que se odeiam. Alguns chegam ao descomedimento de exterminar a vida do outro, vida que eles tinham obrigação moral de defender e honrar. São criaturas inferiores que não conseguem entender que a vida passa – infalivelmente, passa – e, na última
estação da estrada, temos de depositar o que restou do corpo cansado, na esperança de que seja possível usufruir sossego ao longo da eternidade.

Como não é permitido voltar no tempo e consertar falhas pretéritas, nada mais se pode fazer em benefício de quem não deu chance ao amor; restar-lhe-á o desgosto de ter sido estúpido, suportando a responsabilidade dos seus atos nefandos.

Sabemos que, ao longo da vida, os desentendimentos entre alguns irmãos versam sobre herança (leia-se bens materiais) e dinheiro, como se fosse possível levar essas coisas quando a morte chegar. Lamentavelmente, há quem defira excessivo valor à pecúnia e a imóveis, esquecendo-se da virtude, da fraternidade e da caridade, comuns aos homens pródigos de amor.

Só é possível crescer aos olhos de Deus e dos homens aqueles que amam seus pares como se verdadeiros irmãos fossem.

Amar é ser o outro.

Bem se expressou o ativista norte-americano Martin Luther King: “O amor é a única força capaz de transformar um inimigo em amigo.”

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