O advogado pernambucano Thomas Crisóstomo, investigado pela Polícia Federal (PF) e réu em um processo por ter atacado o presidente Lula (PT) nas redes sociais, foi o responsável por ingressar com um pedido de habeas corpus em favor dos donos do site Bastidor.PE, que está no centro das investigações sobre a divulgação de panfletos apócrifos contra a governadora Raquel Lyra (PSD). Por decisão judicial, a página tinha até domingo (6) para fornecer dados que contribuíssem com a identificação dos responsáveis pelos cartazes, mas se recusou sob o argumento de que precisa proteger suas fontes.
Crisóstomo recorreu a uma solução parecida à utilizada por ele próprio após entrar na mira da Justiça Federal. Em 2023, ele postou na rede social X que a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) “virou cabide de emprego pra mulher do ex-presidiário Lula”. Na época, ele defendeu o direito de criticar governantes. O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia por entender que houve injúria contra o presidente da República, argumentando que a liberdade de expressão não é um salvo-conduto para ferir a honra. O advogado não aceitou um acordo de não persecução oferecido no processo e apresentou um pedido de habeas corpus, aceito pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) em agosto deste ano.
Ligado à direita pernambucana, Crisóstomo se identifica como cofundador do Livres, reduto de políticos neoliberais e antiLula, a exemplo do ex-deputado Daniel Coelho (PSD) e de nomes ligados ao partido Novo, como George Bastos (candidato a deputado federal) e Eduardo Inojosa (candidato a estadual). A vice-governadora Priscila Krause (PSD) também ingressou no movimento em agosto de 2021, com recepção registrada pelo próprio Crisóstomo em foto da época. Outra liderança do Livres é Rodrigo Ambrosio, dono do Bastidor.PE e um dos nomes acionados na Justiça no caso dos panfletos contra Raquel.
A controvérsia em torno do Bastidor.PE começou por conta das ligações políticas de seus responsáveis. O especialista em marketing político Rodrigo Ambrosio e o jornalista Fillipe Vilar tiveram cargos comissionados no Governo Raquel Lyra, de onde saíram em 2025 para fundar o site junto ao jornalista Leo Malafaia, que atua como videomaker da campanha de Raquel à reeleição. Em 30 de agosto, a página foi a primeira a publicar fotos de panfletos contra a governadora, gerando comoção na política local. No dia seguinte, o Bastidor.PE fez uma nova postagem indicando a localização de vários exemplares, exceto de um que tinha a frase “Ela matou o marido para ganhar a eleição”, usado como capa da postagem e o que mais repercutiu.
Por conta dessa lacuna, a Frente Popular incluiu os titulares do Bastidor.PE em uma notícia-crime apresentada à Justiça Eleitoral, pondo em dúvida a existência do panfleto e argumentando que investigações em torno do site seriam relevantes para viabilizar a elucidação do caso. Na sexta-feira (4), o Juízo das Garantias da Justiça Eleitoral de Pernambuco acatou a petição, determinando que a Polícia Federal apure se o cartaz realmente foi produzido e afixado em um espaço público ou se a fotografia é resultado de montagem, manipulação ou fabricação digital. O site tinha dois dias para fornecer as informações.
Além de não indicar dados que poderiam ajudar a desvendar a autoria dos cartazes, Crisóstomo peticionou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em nome de Ambrosio e Vilar, “a suspensão imediata de cumprimento de eventual mandado de busca e apreensão ou expedição futura, bem como proibição de qualquer medida neste sentido contra aparelhos eletrônicos ou outras medidas aptas a revelar as fontes jornalísticas”. Também solicitaram que seja expedido um salvo-conduto “proibindo prisão ou quaisquer atos coercitivos decorrentes do exercício regular do direito que é a observância do sigilo da fonte”.



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