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Entre o patrimônio público e a responsabilidade com o dinheiro do povo

Por Rinaldo Remigio*

Tenho visitado com certa frequência Afogados da Ingazeira, terra que guarda parte importante da minha infância e adolescência. Sempre que retorno, levo comigo o sentimento natural de quem ama suas origens e deseja ver sua terra prosperar, crescer e cuidar bem daquilo que pertence ao seu povo.

Nos últimos tempos, porém, tenho observado — e também acompanhado pelas matérias publicadas no Blog do Finfa e em outros espaços da imprensa regional — uma preocupação crescente de parte da população, de jornalistas e de cidadãos atentos em relação ao elevado número de aluguéis de imóveis pagos pela Prefeitura, mesmo havendo patrimônios públicos disponíveis.

Chama a atenção o silêncio da gestão municipal diante das indagações levantadas pela sociedade. O debate público é saudável e necessário, especialmente quando envolve recursos que pertencem ao contribuinte.

A inquietação aumenta quando se observa que o Açougue Público permanece em estado de abandono, enquanto uma casa própria adquirida com recursos públicos em 19 de dezembro de 2024 segue fechada, intacta e sem utilização. Ao mesmo tempo, novos contratos de aluguel surgem no cenário administrativo.

Segundo informações divulgadas, dois novos imóveis privados passaram a integrar essa lista:
• um localizado na Avenida Rio Branco, nº 36, destinado à Secretaria de Administração;
• e outro na Avenida Artur Padilha, nº 672, que deverá abrigar setores da Saúde.

Naturalmente, toda gestão pública possui autonomia administrativa para organizar suas estruturas. Contudo, a boa governança recomenda algo essencial: transparência, planejamento e prioridade ao uso do patrimônio público já existente.

Quem ama Afogados da Ingazeira — mesmo morando fora, como é o meu caso — deseja apenas que a cidade seja conduzida com zelo, responsabilidade e respeito ao dinheiro do povo. Afinal, cada imóvel público abandonado e cada gasto desnecessário com aluguel levanta uma pergunta simples que ecoa na consciência da população:

Se há patrimônio público disponível, por que não utilizá-lo antes de recorrer ao bolso do contribuinte?

Afogados é uma cidade de história, de gente trabalhadora e de consciência política ativa. E justamente por isso, o debate público não deve ser visto como crítica destrutiva, mas como expressão legítima de cidadania de quem deseja ver sua terra cada vez melhor administrada.

*Professor universitário aposentado, administrador, contador e memorialista!

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