*Por Rinaldo Remígio
A história institucional de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, foi construída por homens e mulheres que exerceram funções públicas com discrição, responsabilidade e profundo senso de dever. Entre esses nomes, destacam-se o Senhor Luiz de França Amaral (1915–1976) e da Sra. Maria Estelita Leite do Amaral, figuras centrais da memória notarial do município.
O Senhor Luiz de França Amaral nasceu em 1915, na cidade de Triunfo, Pernambuco. Ainda jovem, mudou-se com a família para Afogados da Ingazeira, onde fixou raízes definitivas. Filho de Virgílio de Queiróz Amaral e de Emília de Queiróz Viana, assumiu, em 1941, após o falecimento de seu pai, a responsabilidade pelo Tabelionato Público da cidade, passando a exercer a função de tabelião, cargo que ocupou até os seus últimos dias, sempre pautado pela ética, sobriedade e respeito à fé pública.
Ao seu lado, de forma permanente e igualmente relevante, esteve Maria Estelita Leite do Amaral, sua esposa, que também exerceu a função de tabeliã em Afogados da Ingazeira. Sua atuação foi marcada pela atenção ao público, pelo rigor técnico e pela postura serena, características indispensáveis à atividade notarial. Juntos, formaram uma dupla que deu ao cartório não apenas eficiência administrativa, mas também humanidade no trato com a população.
Tive a oportunidade de conhecê-los quando residi em Afogados da Ingazeira, em razão de um relacionamento inicialmente profissional, decorrente das frequentes idas ao cartório para condução de documentos do Banco do Brasil, instituição onde atuei como menor aprendiz. Em todas essas ocasiões, encontrava o Senhor Luiz de França Amaral e a Sra. Maria Estelita Leite do Amaral no exercício pleno de suas atribuições, sempre acessíveis, atenciosos e solícitos no atendimento.
O cartório, sob a condução do casal, caracterizava-se pela organização, pela segurança jurídica e pelo respeito indistinto a todos os cidadãos. Em um período de profundas transformações sociais e administrativas, o trabalho de ambos contribuiu decisivamente para a estabilidade institucional do município, fortalecendo a confiança da sociedade nos atos públicos ali praticados.
Além do relacionamento profissional, tive a oportunidade de conhecer alguns de seus filhos, entre eles Teresa Amaral, reconhecida jornalista e escritora; Luiz de França Amaral, herdeiro do nome e da tradição familiar; e o Juiz Virgílio Amaral. São pessoas que não apenas ajudaram a construir a história de Afogados da Ingazeira, mas que fazem parte integrante dessa história, cada qual deixando sua contribuição nos campos da cultura, do direito e da vida pública.
O Senhor Luiz de França Amaral faleceu em 1976, aos 61 anos de idade. Se vivo estivesse, iria teria completado 110 anos em 2025. E a Sra. Maria Estelita Leite do Amaral faleceu em junho de 1976, ambos permanecem igualmente inscritos na memória coletiva da cidade como tabeliães dedicados e referência de postura pública.
Registrar a trajetória do Senhor Luiz de França Amaral e da sua emposa Maria Estelita Leite do Amaral é preservar a memória de um tempo em que a fé pública era exercida com rigor técnico, respeito humano e compromisso moral. Seus nomes permanecem associados à construção silenciosa, porém sólida, da história institucional de Afogados da Ingazeira.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e memorialista.
**Fonte de informações e imagens: Fernando Pires











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