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Waldecy Xavier de Menezes: A voz que ecoa no tempo, vida que inspira!!!

Por: Rinaldo Remigio*

Se estivesse entre nós, Waldecy Xavier de Menezes completaria 97 anos em 2025. Mas há 36 anos, partiu cedo demais, aos 61, deixando um legado que ainda ressoa na memória daqueles que tiveram o privilégio de ouvi-lo.

Nascido em uma manhã ensolarada de abril de 1928, na Rua Maciel Pinheiro, em Nazaré da Mata, Pernambuco, Waldecy veio ao mundo sem pompa, mas com um destino grandioso. A infância foi simples, marcada pelo estudo no Grupo Escolar Maciel Monteiro e pelo trabalho no pequeno sítio da família. Entre livros e plantações, moldou-se um jovem de espírito inquieto e sonhador.

O encontro com o padre Mota foi um divisor de águas. Primeiro como sacristão, depois como aluno do colégio fundado pelo religioso, Waldecy encontrou no conhecimento um caminho para além das cercas do sítio. Mas sua alma ansiava por mais.

No Recife, começou como bilheteiro no Cinema Glória e, em pouco tempo, tornou-se gerente. Mas o destino o chamava para os palcos. Contra a vontade do pai, seguiu com a Companhia de Teatro Oden Soares, enfrentando dificuldades, fome e incertezas. Em Quixadá, no Ceará, conheceu a solidariedade de um povo que, ao perceber o sofrimento dos artistas, os socorreu com dinheiro e alimentos.

O teatro o levou a Campina Grande, onde a companhia se desfez. No Recife, fez um teste na Rádio Clube de Pernambuco e, em 1951, pronunciou sua primeira frase ao microfone: “Patroa, o jantar está na mesa.” Era apenas uma linha, mas foi o início de uma trajetória brilhante.

Em 1954, ajudou a instalar a Rádio Marajoara, no Pará, e, ao retornar ao Recife, consolidou sua carreira na Rádio Clube e na Rádio Tamandaré. Trabalhou ao lado de Chico Anysio e outros gigantes da comunicação. Mas foi em 1959 que sua vida tomou um rumo definitivo.

Dom Mota, agora bispo de Afogados da Ingazeira, convidou Waldecy para administrar a recém-inaugurada Rádio Pajeú. No dia 26 de setembro daquele ano, ele pisou pela primeira vez no solo da cidade que o adotaria como filho.

A Rádio Pajeú foi sua grande paixão. No dia da inauguração, entrou no Cine São José com um rádio de pilha na mão e anunciou ao bispo: “Dom Mota, sua emissora está no ar!…”

Casou-se em 1966 com a professora Ivanise Pereira de Menezes e teve quatro filhos. Mesmo com a família crescendo, nunca abandonou a Rádio Pajeú. “Estou e estarei na Rádio Pajeú até o fim dos meus dias”, prometeu. E cumpriu.

Além do rádio, Waldecy foi professor, ator e declamador. Trouxe artistas renomados para seus programas e encantou plateias com sua voz e presença marcante. Seu monólogo mais famoso, “Perfil de Hospício”, emocionava e arrebatava os ouvintes.

Nos últimos anos, a catarata lhe roubou a visão, mas não a determinação. Contava os passos de casa até a Rádio, recusando-se a quebrar a promessa feita a Dom Mota.

Em 4 de dezembro de 1989, sua voz se calou para sempre. Mas sua história, sua paixão pelo rádio e seu amor por Afogados da Ingazeira permanecem vivos. Seu sepultamento foi acompanhado por uma multidão, prova de que Waldecy Xavier de Menezes não foi apenas um radialista, mas um ícone, um amigo, um mestre.

Hoje, 35 anos após sua partida, sua voz ainda ecoa na memória dos que o ouviram. E, como as ondas do rádio que ele tanto amou, seu legado continua a atravessar o tempo.

*Administrador, contador, historiador e professor universitário
Fontes: Fernando Pires, Milton Oliveira e o Blog do Finfa

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