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Isaias Almeida – Um patrimônio vivo da Princesa do Pajeú

*Por Rinaldo Remígio

Há viagens que são muito mais do que deslocamentos geográficos — são reencontros com o tempo. E assim foi minha recente visita à querida Afogados da Ingazeira, nossa Princesa do Pajeú. Em cada rua, uma lembrança; em cada rosto, uma história. Foram dias breves, mas repletos de sentido, onde tive o privilégio de abraçar amigos da infância, da adolescência, da juventude — capítulos vivos do livro da minha vida.

Entre tantos encontros memoráveis, um em especial tocou-me profundamente: o reencontro com o senhor Isaias Almeida, aos 93 anos, ao lado de sua eterna companheira, a professora Luzinete Amorim. O tempo, ali, pareceu suspenso. Foi mais do que uma visita — foi um mergulho na gratidão, na memória e no afeto.

Isaias não é apenas uma figura notável da cidade — ele é um verdadeiro patrimônio humano, um símbolo da dedicação e do espírito público que marcaram uma geração. Fundador da Agência do Banco do Brasil em Afogados da Ingazeira, é o único remanescente vivo desse feito. Um pioneiro. Um homem que plantou estruturas e sonhos, e que continua, com sua lucidez e gentileza, colhendo o respeito e a admiração de todos que com ele conviveram.

Mas para mim — e para tantos outros — Isaias foi mais do que o fundador de uma agência: foi mentor, mestre e exemplo. Tive o privilégio de ser um dos menores aprendizes sob sua orientação. Aos 14 anos, foi ele quem me ensinou a decifrar os caminhos dos números, dos valores e das responsabilidades. Com paciência e firmeza, moldou jovens como eu, deixando marcas que o tempo jamais apagará.

Isaias não apenas formou bancários. Formou cidadãos. Com seu modo sereno, com sua ética firme e com o carinho de quem acredita no futuro, ele nos inspirou a seguir em frente. Seu legado não cabe num extrato bancário — está guardado nos corações de todos os que beberam de sua sabedoria.

Ao visitar sua casa e ser recebido com tamanha hospitalidade por ele e pela querida Luzinete, senti que ali não havia apenas uma memória viva da cidade, mas uma chama que ainda aquece e ilumina. Conversamos, rimos, relembramos. E, sobretudo, agradeci.

Assim, deixo aqui minha homenagem sincera e emocionada ao amigo Isaias Almeida — e a sua família, que perpetua esse legado de generosidade e compromisso com o outro. Que todos os ex-menores aprendizes, como eu, se juntem neste tributo silencioso, porém cheio de reverência.
Porque certos encontros — e certas pessoas — valem uma vida inteira.

*Administrador, contador, historiador e professor universitário (ex-menor aprendiz do BB)

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