Por Rinaldo Remígio*
Inspirado pela sensibilidade poética de Ademar Rafael, inicio esta crônica com seus versos, que abraçam Quixaba e celebram as conquistas de sua gente:
“Hoje abraço Quixaba
A caçula do sertão .
Que acumula muitos prêmios
Por méritos na educação
Na forma que imaginou
O prefeito Antonio Pezão”
Ademar Rafael
A poesia abre os caminhos da memória e nos convida a olhar esta terra com carinho. É com esse sentimento, como sertanejo e memorialista, que escrevo sobre Quixaba: uma cidade cuja história merece ser contada e cuja gente merece ser reconhecida.
Através de pesquisas e relatos de pessoas que conhecem a cidade, encontro uma beleza especial na origem de Quixaba. Segundo a memória histórica registrada pela Prefeitura, seu povoamento ganhou impulso em 1928, quando Solidônio Pereira de Carvalho promoveu uma feira de produtos regionais. Rapadura, queijo, mel e outros alimentos ajudaram a reunir pessoas e a formar o povoado. A pequena capela, dedicada a São Sebastião, acrescentou à convivência do comércio o encontro da fé.
Há cidades que precisam ser contempladas com a delicadeza de quem abre um álbum de família. Suas ruas guardam lembranças, suas casas abrigam histórias e seus caminhos revelam o esforço de gerações. Quixaba, no Sertão do Pajeú, é uma dessas cidades: um lugar cuja grandeza se reconhece na vida de sua gente.
Entre serras e paisagens da caatinga, na vizinhança de Pernambuco com a Paraíba, Quixaba tem o encanto das comunidades em que a terra participa da história de cada família. O inverno esperado, a semente guardada, o comércio aberto cedo, a celebração religiosa e o reencontro na feira compõem um cotidiano que merece ser conhecido e valorizado.
É bonito pensar numa cidade que cresceu ao redor de uma feira. Antes das repartições, dos documentos e das solenidades, havia gente trazendo o resultado do próprio trabalho. Cada produto carregava um pouco da casa, do roçado e da esperança de quem o oferecia. Naquele movimento de comprar, vender e conversar, Quixaba começava a escrever sua história.
A quixabeira, associada à origem do nome do município, oferece uma imagem apropriada para essa trajetória. Árvore do Sertão, lembra a importância das raízes e a capacidade de atravessar tempos difíceis. A autonomia municipal, conquistada em 1º de outubro de 1991, abriu um novo capítulo dessa caminhada, assentado sobre uma história que a população já vinha construindo havia décadas.
A cultura quixabense vive nessa continuidade. Está na devoção a São Sebastião, nas festas juninas, no forró, nas comidas regionais e nos costumes transmitidos entre gerações. Está também em Lagoa da Cruz e nas comunidades rurais, onde a memória encontra abrigo nas conversas, nas celebrações e no trabalho compartilhado.
Preservar essa cultura exige cuidado com quem a mantém viva. O músico, o agricultor, a cozinheira, o artesão e o morador mais velho, que conhece os acontecimentos de outros tempos, têm muito a ensinar. Uma cidade se fortalece quando oferece espaço para essas vozes e permite que seus jovens reconheçam valor na própria origem.
Quixaba também possui possibilidades que merecem planejamento e incentivo. A agricultura familiar pode ganhar renda com assistência técnica, acesso à água, organização dos produtores e beneficiamento dos alimentos. Queijos, mel, frutas e derivados da mandioca podem carregar o nome da terra para outros mercados, desde que haja estrutura e condições para produzir e comercializar.
As serras, as paisagens rurais e as manifestações religiosas oferecem oportunidades para um turismo acolhedor, organizado com participação dos moradores. Trilhas bem cuidadas, orientação aos visitantes, gastronomia regional e valorização da memória local podem gerar trabalho. O sol abundante também convida a pensar no aproveitamento responsável da energia solar, com atenção aos benefícios que podem permanecer no município.
E como anda a gestão municipal? Sob a administração de José Pereira Nunes, o Zé Pretinho, há iniciativas recentes que merecem registro, sobretudo na educação. Em março de 2026, a Prefeitura divulgou uma nova conquista do Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. É um reconhecimento relevante para a rede municipal e para o esforço de professores, equipes escolares, estudantes e famílias.
Outra notícia promissora foi o início das obras da creche de Lagoa da Cruz, divulgado em agosto de 2026, em parceria com o Governo de Pernambuco. Uma creche representa cuidado com a infância e apoio concreto à rotina das famílias. Acompanhar sua conclusão e seu funcionamento será tão importante quanto celebrar o começo da construção.
Na saúde e na educação, a Prefeitura também informou a entrega, em novembro de 2025, de oito veículos, entre eles uma ambulância UTI e um ônibus escolar. São investimentos com potencial para melhorar serviços essenciais, especialmente onde as distâncias fazem parte dos desafios cotidianos.
Esses registros oferecem motivos para reconhecer avanços, embora, por si sós, não constituam uma avaliação completa da administração. A qualidade da gestão se confirma no atendimento que chega ao cidadão: na consulta realizada, na criança que aprende, na estrada rural conservada, na água disponível e na prestação de contas compreensível. O reconhecimento público ganha força quando acompanha resultados percebidos pelas famílias.
Quixaba tem pela frente a tarefa de ampliar oportunidades para sua juventude, apoiar quem produz e cuidar de suas comunidades. Para isso, a experiência administrativa precisa caminhar junto com a escuta da população, a transparência e o planejamento. Cada melhoria duradoura ajuda a construir um município em que permanecer seja uma escolha possível e esperançosa.
Enaltecer Quixaba é reconhecer o agricultor que prepara a terra, o professor que acompanha uma descoberta, o comerciante que movimenta a economia e o servidor que atende com respeito. É compreender que o desenvolvimento acontece por muitas mãos e que a dignidade de uma cidade começa na dignidade de seus moradores.
Imagino aquela feira de 1928: os produtos sobre as bancas, as conversas se cruzando, gente chegando por caminhos de terra. Talvez ninguém pudesse dimensionar o futuro daquele encontro. Mas ali já estava uma força que continua necessária: a disposição de trabalhar, conviver e construir alguma coisa juntos.
Quixaba cresceu dessa semente. Entre serras, fé e trabalho, continua a cultivar seu lugar na história do Pajeú — com raízes profundas e espaço para novos sonhos.
*Professor universitário aposentado e memorialista.







Seja o primeiro a comentar