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Votar para, quem sabe, transformar as coisas

Por Betânia Santana/Folha PE

Domingo, 4 de outubro, vamos às urnas. Nos últimos meses, andei menos do que gostaria, mas o suficiente para ouvir o pulsar do povo. Na redação e nas ruas, tenho aprendido que fazer política não é luxo. É sobrevivência.

Vi e ouvi de tudo. Ouvi gente irritada com barulho de campanha e trânsito travado; vi feirantes desacreditados, dizendo ser “tudo farinha do mesmo saco”; no ônibus, ouvi frases como “tanto faz como tanto fez”; no metrô, não me escaparam resmungos do tipo “nada muda”.

Entendi a razão do desencanto. Mas vi também o outro lado.

Vi o povo do Morro da Conceição, Zona Norte do Recife, celebrar a redução no racionamento d’água. Vi a vibração de mulheres em São Bento do Una quando a governadora Raquel Lyra (PSD) inaugurou um trecho da Adutora do Agreste. Eram pessoas diferentes unidas pelo mesmo sentimento: a dignidade.

Mudei rota de pautas para ver, por exemplo, a entrega de uma cozinha comunitária em Limoeiro. Já era noite quando homens, mulheres e crianças receberam um prato de cuscuz com galinha guisada – para alguns, a primeira refeição do dia.

Fui a Afogados da Ingazeira ver o então prefeito João Campos (PSB) dar os primeiros passos na estruturação de sua candidatura ao governo.

Em São José do Egito, acompanhei a governadora entregando outra cozinha comunitária, num tempo em que ela ainda não tinha a força que ostenta hoje no Sertão.

Em abril, me emocionei ao entrar no Hospital da Criança no último dia da gestão de João Campos no Recife: uma estrutura grande e moderna e atendimento digno, provando que a saúde pública de qualidade é possível. Vibrei com as entregas do Parque da Tamarineira e do Parque Eduardo Campos

Vi a disputa ganhar corpo na Missa do Vaqueiro de Serrita, com Raquel e João lado a lado sob um sol de 40 graus e a poeira do Sertão. Fui para a Missa do Vaqueiro em Floresta, para a Corrida da Galinha em São Bento do Una, passei por Gravatá, Caruaru, Garanhuns, Canhotinho…

Registrei o que deu tempo. Mas nada do que vi se perdeu.

Vi Raquel Lyra, 47 anos, fazer história como a primeira governadora de Pernambuco, ser resiliente e disposta a buscar a reeleição.

Vi João Campos ser reeleito com 78% dos votos – maior votação da história do Recife – e manter o entusiasmo de, aos 32 anos, fazer a gestão pública movimentar a esperança das pessoas.

E vi, em uma campanha acirrada, o ex-vereador Ivan Moraes, 50 anos, colocar-se na disputa, como alternativa.

Do prato de comida ao hospital, tudo se consolidou porque alguém tomou uma decisão política. E antes dessa decisão, alguém foi às urnas e votou. Domingo, a responsabilidade é nossa – seja ao escolher quem comandará Pernambuco ou a Presidência da República.

E lembrar do Executivo exige olhar com o mesmo peso para o Legislativo. Eleger deputados estaduais, federais e dois senadores comprometidos é o que garante um contraponto forte e uma democracia viva.

Não podemos renunciar ao nosso poder de votar, de tentar de novo e de novo. O futuro não é só o que nos acontece: é muitas vezes o que a gente escolhe. Quando é possível.

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