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PERNAMBUCO ELEIÇÕES com Alê Cavalcanti

Os fatos, personagens e movimentos que marcaram a semana eleitoral

LULA DESEMBARCA NA ELEIÇÃO PERNAMBUCANA

Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno, Lula desembarcou no Recife nesta sexta-feira (25) e entrou presencialmente numa disputa estadual que, até agora, acompanhava à distância.

O presidente participou de ato ao lado de João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco, numa caminhada que saiu do Cais de Santa Rita em direção ao Marco Zero. No palanque, também estiveram aliados como os candidatos ao Senado Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT). Lula pediu votos para João e para os candidatos de sua aliança no Estado.

Mas um detalhe do ato chamou atenção justamente pelo que não aconteceu.

Embora Lula tenha explicitado seu apoio a João, nem o presidente nem os principais discursos do palanque transformaram Raquel Lyra (PSD) em alvo. A governadora não foi atacada durante o ato. E a ausência de confronto não parece ter sido casual: antes da visita, já havia sido noticiado que havia, no entorno presidencial, preocupação em evitar que a passagem por Pernambuco produzisse um rompimento com Raquel. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também havia conversado com a governadora antes da agenda.

A cautela tem uma explicação política. Lula veio a Pernambuco para pedir votos a João, seu candidato ao Governo do Estado, mas mantém com Raquel uma relação institucional de diálogo. A governadora, por sua vez, tem destacado publicamente a interlocução com o Governo Federal em torno de obras, investimentos e políticas destinadas ao Estado.

Há ainda uma particularidade desta eleição: as fronteiras da disputa presidencial e da estadual não coincidem perfeitamente em Pernambuco. Há lideranças que estão no palanque de Raquel para o Governo e apoiam Lula para a Presidência. O exemplo mais visível na sexta-feira foi Túlio Gadêlha (PSD), candidato ao Senado na chapa da governadora, que participou da mobilização de Lula acompanhado por apoiadores seus e de Raquel, embora fora da estrutura principal da Frente Popular.

Enquanto isso, Raquel cumpriu agenda no Sertão do Araripe, mantendo a programação de sua campanha no interior.

O QUE ISSO MUDA?

Para João, a presença de Lula colocou fisicamente na rua uma aliança nacional que já estava politicamente definida. Para Raquel, o episódio mostrou que ter o presidente no palanque adversário não significou, naquele ato, ser transformada em alvo dele.

É uma fotografia interessante da política pernambucana nesta reta final: Lula deixou claro em qual palanque estadual está. Mas também mostrou que subir nele não exige incendiar a ponte institucional construída com quem está no outro.

E, para além da campanha, preservar canais de diálogo entre os governos federal e estadual tem efeitos concretos sobre a execução de obras, investimentos e políticas públicas em Pernambuco.

Na sexta-feira, portanto, houve o discurso que se ouviu – e a ausência que também falou.

A DISPUTA SEGUE NA MARGEM

A semana também trouxe novas fotografias da corrida pelo Governo.
O Datafolha divulgado na quinta-feira (24) mostrou Raquel Lyra com 48% e João Campos com 44%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, o que configura empate técnico. Foram ouvidos 1.204 eleitores entre os dias 22 e 24 de setembro.

É importante repetir um cuidado que esta coluna tem adotado: pesquisas de institutos diferentes têm metodologias, amostras e períodos próprios. Por isso, não devem ser simplesmente emendadas para construir artificialmente uma linha de subida ou descida.

Nesta reta final, os levantamentos são fotografias. A urna ainda será o filme inteiro.

PRESTE ATENÇÃO NISSO

Nem todo mundo que foi ver Lula estava no mesmo palanque estadual.

Túlio Gadêlha (PSD), candidato ao Senado na chapa de Raquel Lyra, participou da mobilização do presidente no Recife. Ficou fora do trio principal e esteve acompanhado de apoiadores seus e da governadora. Túlio apoia Lula para presidente e integra, em Pernambuco, a chapa encabeçada por Raquel.

O episódio repete, em escala maior, algo que esta coluna vem observando há algumas semanas: as alianças nacionais, estaduais e municipais nem sempre cabem dentro das mesmas fronteiras.

Na semana passada, falamos das cores misturadas da política pernambucana. Nesta, elas chegaram à mesma rua.

Às vezes, a fotografia política mais interessante é aquela em que nem todos estão posando para a mesma chapa.

A ELEIÇÃO DENTRO DA ELEIÇÃO

Na semana passada, esta coluna explicou por que o pernambucano terá dois votos para o Senado. Nesta, o Datafolha trouxe um dado que merece atenção: na pesquisa espontânea, 58% dos entrevistados não souberam apontar em quem votar para senador.

Na pesquisa estimulada, Marília Arraes (PDT) registrou 19%; Humberto Costa (PT), 17%; Mendonça Filho (PL), 13%; Eduardo da Fonte (PP), 10%; Túlio Gadêlha (PSD), 6%; e Carlos Sant’Anna (Novo), 2%. A margem de erro geral é de três pontos percentuais.

O número da espontânea ajuda a dimensionar o espaço ainda existente para definição dos dois votos nessa disputa.

Muita gente já sabe que terá direito a escolher dois nomes. Escolher os dois nomes é outra história.

NO TABULEIRO

ENTRE O SERTÃO E O RECIFE

A reta final encontra Fernando Monteiro (PSD) construindo agendas em duas pontas do mapa pernambucano. Em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, o deputado federal e candidato à reeleição passou a contar com o apoio do vereador Zé Negão, do ex-vereador Edson Henrique e de outras lideranças locais. A adesão foi anunciada no início de setembro, depois de articulações realizadas no Recife.

Na região, Fernando também tem associado sua campanha à defesa da duplicação da BR-232 em direção ao Sertão, pauta que vem levando às articulações políticas em torno da rodovia.

Na segunda-feira (28), o mapa muda. Fernando estará no Recife, ao lado de Déa de Paula, em encontro marcado para as 18h55, no bairro da Madalena, conforme convite divulgado para o evento.

Déa, coordenadora do PSD Mulher em Pernambuco e filha do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), declarou apoio à reeleição de Fernando em agosto. O anúncio ocorreu durante encontro no Recife que contou também com a presença do ministro.

E há uma eleição passada ajudando a explicar a articulação presente. Déa disputou uma vaga na Câmara Municipal do Recife em 2024 e recebeu mais de 6 mil votos. Ao anunciar o apoio a Fernando, afirmou que a parceria também fortalece o projeto político que vem construindo para a capital pernambucana.

Assim, a mesma candidatura que busca ampliar articulações no Pajeú chega à última semana com agenda na capital e uma parceria que, pelas próprias declarações de Déa, também dialoga com um projeto político voltado ao Recife.

Nas proporcionais, antes de contar votos, vale contar pontes. Algumas cruzam o mapa. Outras, o calendário.

Do Araripe para Pernambuco

No Sertão, a candidata a deputada federal Eliane Soares (PSB) intensificou a agenda justamente em seu território de origem. Natural de Ouricuri, Eliane disputa uma vaga na Câmara Federal. Nesta semana, realizou porta a porta no bairro Santa Maria, dentro de uma sequência de agendas pelo Araripe.

Ela também vem construindo uma dobradinha na região com o candidato a deputado estadual Bruno Marques (PSB). Na semana anterior, os dois estiveram juntos em Bodocó, em encontro com lideranças e apoiadores.

A candidatura coloca em cena um movimento diferente daquele de quem parte da capital em busca do interior: Eliane tenta levar para uma disputa estadual uma trajetória política nascida no Sertão. O ponto de partida é o Araripe. A disputa, agora, tem o tamanho de Pernambuco.

Uma pedra no caminho – literalmente

Também em Ouricuri, a campanha teve nesta semana um episódio que ultrapassou a disputa política. A candidata a deputada estadual Ruana Bezerra (PSOL) foi atingida na cabeça por uma pedra, na terça-feira (22), quando se preparava para uma caminhada no bairro Santa Maria. Ela recebeu atendimento no Hospital Regional Fernando Bezerra e foi liberada posteriormente.

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso. Segundo informações divulgadas, Ruana também havia relatado furto de material de campanha. Até agora, a autoria da agressão não foi identificada.

Vale destacar que campanha é disputa de voto. Violência não faz – nem nunca fará – parte dela.

ELAS ENTRARAM NO CENTRO DA CAMPANHA

A presença das mulheres apareceu por outro caminho nesta semana.
Durante o ato no Recife, Lula pediu que mulheres votassem em mulheres e relacionou esse voto à ampliação da representação feminina no Congresso.

Ao mesmo tempo, candidaturas femininas seguem tentando transformar presença municipal e regional em representação estadual e federal – caso de nomes que esta coluna vem acompanhando nas proporcionais.

O movimento das campanhas também mostra que as eleitoras passaram a aparecer explicitamente como segmento nos discursos da reta final.

Isso não autoriza prever como as mulheres votarão – muito menos tratá-las como um bloco eleitoral homogêneo. Mas permite registrar algo concreto:

Na última semana de campanha, as mulheres não estão apenas nas estatísticas. Estão também no centro de parte do discurso eleitoral. Não por acaso.

Há uma força política imensa nesse eleitorado – e talvez a urna seja um dos lugares em que as mulheres ainda estejam descobrindo o tamanho da própria voz.

PELO MAPA

Recife recebeu Lula e João Campos. Raquel percorreu o interior.

Ouricuri apareceu duas vezes nesta edição: na caminhada de Eliane Soares e no episódio envolvendo Ruana Bezerra.

O Araripe segue movimentado. O Recife começa a próxima semana com Fernando Monteiro e Déa de Paula em agenda conjunta.

A reta final espalhou a eleição pelo Estado.

Rua. Feira. Bairro. Rádio. Porta a porta. Caminhada.

Na reta final, ninguém quer deixar Pernambuco grande demais para percorrer.

TRE DE OLHO

Antes de sair para votar, confira onde.

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco informou que 771 seções eleitorais funcionarão em locais diferentes dos utilizados em 2024. As mudanças atingem 90 municípios e representam cerca de 3,5% das 22.091 seções do Estado.

Recife concentra 88 alterações; depois aparecem Olinda, com 38; Carpina, 31; Lagoa de Itaenga, 30; e Paulista, 29. O TRE orienta que o eleitor confira antecipadamente o local de votação pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou pelos canais de atendimento do tribunal. Justiça Eleitoral

O primeiro turno acontece em 4 de outubro, das 8h às 17h.

Parece detalhe.

No dia da eleição, pode ser a diferença entre chegar à sua seção e chegar ao endereço antigo.

DE OLHO

Agora, o calendário muda de tom.

A próxima será a última semana completa antes do primeiro turno.

As pesquisas continuarão chegando. Os candidatos intensificarão agendas. As campanhas proporcionais tentarão transformar apoios acumulados ao longo dos últimos meses em presença nas ruas e votos na urna.

E há um dado interessante sobre essa reta final: pesquisa Datafolha divulgada nesta semana apontou que um em cada três eleitores pernambucanos não sabia informar o número do candidato que dizia apoiar.

Para as campanhas, portanto, não basta ser lembrado.

É preciso chegar à urna.

A ÚLTIMA LINHA

Lula veio.

Os candidatos percorreram estradas.

As pesquisas trouxeram números.

O Sertão fez campanha de porta em porta, o Recife recebeu um presidente e até uma mesma rua conseguiu abrigar grupos que, na eleição estadual, caminham por lados diferentes.

Agora falta pouco.

Daqui em diante, haverá cada vez menos tempo para construir alianças e cada vez mais necessidade de transformar as já construídas em voto.

A política continuará fazendo barulho: palanque, caminhada, carro de som, pesquisa, discurso.

Mas, no domingo seguinte, tudo isso caberá no silêncio de uma cabine.

A campanha ainda tem muito a dizer. A urna, quando falar, dirá em silêncio.

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