Por Rinaldo Remígio*
Quero parabenizar meu amigo e irmão Ademar Rafael, também poeta, que semanalmente vem compartilhando, por meio dos blogs, sua sensibilidade, seus versos e suas memórias. Ao escrever, Ademar constrói o próprio legado poético e presta um serviço precioso à nossa cultura: mantém presentes os nomes e as obras daqueles que fizeram da poesia uma razão de viver.
Um fato interessante tornou essa leitura ainda mais significativa para mim. Eu estava me deslocando para o escritório e conversava com Ilza, minha esposa, justamente sobre a importância de resgatar histórias e fazer com que a geração atual conheça quem fez e quem continua fazendo a diferença em nossa sociedade.
Comentávamos como estamos vivendo um tempo de muita velocidade. Tudo passa depressa diante dos olhos, e parece cada vez mais difícil parar para ouvir, conhecer uma trajetória e sentir de perto o valor de uma experiência. Entre tantas informações, corremos o risco de passar por histórias preciosas sem lhes dedicar a atenção que merecem.
Pouco depois, ao acessar o Blog do Finfa, deparei-me com o texto de Ademar. A coincidência me tocou. Ali estava meu amigo fazendo exatamente aquilo sobre o que acabáramos de conversar: resgatando lembranças, reconhecendo contribuições e oferecendo aos leitores a oportunidade de conhecer pessoas que merecem permanecer em nossa memória.
Conversando com Júnior Finfa, editor deste blog, ouvi dele, com muita alegria, um testemunho que merece registro: “Ademar assina sua crônica no Blog do Finfa desde o início do blog, que está prestes a completar 14 anos, no próximo dia 24 de outubro. Sinto-me honrado em poder ser seu amigo. ”
Essa convivência de quase quatorze anos revela a constância de Ademar e o vínculo de amizade e respeito construído ao longo do caminho. Merece reconhecimento também o espaço que Júnior oferece à poesia e à memória regional, permitindo que essas histórias cheguem aos leitores e encontrem novos admiradores.
O texto “Poetas não morrem!” é uma bela expressão desse compromisso. Ao recordar Heleno da Silveira e Raimundo Borges, Ademar faz justiça a dois defensores da cantoria de improviso, cujas vozes encontraram no rádio um caminho para levar a cultura popular a tantos ouvintes.
Para quem ama o Sertão, o rádio e a poesia têm um lugar especial na memória. Quantas vezes uma voz atravessou a distância, entrou numa casa e fez companhia a uma família inteira! Quantos versos despertaram sentimentos, contaram histórias e aproximaram pessoas que nunca chegaram a se conhecer! Recordar quem dedicou a vida a essa missão é reconhecer a importância de um trabalho que continua repercutindo mesmo depois da despedida.
O testemunho de Ademar comove também pela proximidade. Ele conheceu os dois poetas e guarda lembranças que revelam a humanidade por trás dos microfones. Raimundo Borges aparece como o amigo que aconselhava reservadamente, com respeito, e que soube incentivar um jovem a aperfeiçoar seus versos. Heleno da Silveira surge na delicadeza de reconhecer uma virtude de Quincas Rafael, pai de Ademar: o respeito por todos os cantadores, independentemente da fama.
São recordações que merecem ser preservadas. Nelas, encontramos lições de amizade, humildade e generosidade. Um conselho oferecido com cuidado, uma palavra de incentivo e o reconhecimento de um companheiro podem permanecer na memória por uma vida inteira.
Ao trazer esses episódios aos leitores, Ademar permite que outras pessoas conheçam um pouco daqueles homens e compreendam por que suas ausências são tão sentidas. Sua escrita aproxima gerações e ajuda a impedir que o tempo apague contribuições valiosas à poesia popular.
Foi isso que tanto me alegrou naquele encontro com seu texto. Em meio à pressa cotidiana, encontrei uma leitura que me fez parar. Lembrei-me da conversa com Ilza e pensei no quanto precisamos de pessoas dispostas a registrar essas histórias, enquanto ainda há quem possa contá-las com a riqueza de quem esteve presente.
Meu amigo Ademar, receba meus parabéns pela constância desse trabalho e pelo carinho com que você reverencia os nossos poetas. Ao registrar suas lembranças e publicar seus versos, você também deixa sua marca, oferecendo às próximas gerações uma parte daquilo que viveu, ouviu e aprendeu.
Que Deus conforte os familiares, os amigos e os admiradores de Heleno da Silveira e Raimundo Borges. E que continuemos pronunciando seus nomes, lendo suas obras e reconhecendo o bem que fizeram à nossa cultura.
Enquanto houver alguém disposto a recordar um verso e contar a história de quem o criou, haverá uma voz encontrando novamente o caminho de casa.
*Professor universitário aposentado e amigo!







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