Desde 2022, número de cadastros mais que dobrou, enquanto a cidade passou a contar com 17 Ecoestações e mais de 150 Pontos de Entrega Voluntária para o descarte correto dos resíduos recicláveis
A coleta seletiva do Recife vem ganhando mais alcance, estrutura e participação. Atualmente, o serviço porta a porta conta com cerca de 5 mil pontos cadastrados, entre residências, condomínios, estabelecimentos comerciais e outros geradores. Em 2022, eram menos de 2 mil. Como um único condomínio pode reunir dezenas ou centenas de unidades habitacionais, o número de domicílios efetivamente atendidos é superior ao total de cadastros.
As rotas dos caminhões da coleta seletiva já abrangem cerca de 70% da cidade. Para aumentar a adesão, a Prefeitura do Recife, por meio da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife, a Emlurb, realiza ações de conscientização, cadastramento em eventos e visitas a condomínios e outros geradores, com orientações sobre a separação correta dos resíduos e os dias e turnos de atendimento em cada região. O cadastro no serviço e as informações sobre os pontos de entrega, dias e turnos das rotas estão disponíveis no site recifelimpa.recife.pe.gov.br.
“Conseguimos ampliar significativamente a estrutura e o alcance da coleta seletiva, mas a participação da população continua sendo essencial. A coleta seletiva começa dentro de casa, no condomínio, no comércio e nas empresas. Quando o material é separado corretamente, ele deixa de seguir para o aterro, fortalece as cooperativas, gera renda e pode retornar à cadeia produtiva como matéria-prima”, destaca o diretor de Limpeza Urbana da Emlurb, José Mário Antonino.
CERCA DE 330 TONELADAS POR MÊS – Atualmente, a coleta seletiva municipal recolhe aproximadamente 4 mil toneladas de materiais recicláveis por ano, o equivalente a uma média de 330 toneladas por mês. Todo esse material é encaminhado às 11 cooperativas de catadores que mantêm termo de parceria com a Emlurb, onde passa por triagem e separação antes de ser comercializado e reinserido na cadeia produtiva.
Além de destinar os recicláveis às cooperativas, a Emlurb remunera essas organizações pelos serviços prestados, com o pagamento de R$ 200 por tonelada de material triado e comercializado. A gestão municipal também atua na estruturação e profissionalização das cooperativas. As unidades da Reciclando Vidas e da Recicla Torre já passaram por processos de requalificação, e o trabalho deve avançar nas demais organizações parceiras.
A separação adequada também influencia a qualidade dos materiais encaminhados. Recicláveis misturados a restos de alimentos ou outros rejeitos podem ser contaminados, dificultando a triagem, aumentando as perdas e reduzindo o valor comercial do material destinado às cooperativas.
ESTRUTURA MAIS QUE DOBROU – A expansão também ocorreu nos equipamentos disponíveis para a entrega voluntária de materiais recicláveis. Em 2022, o Recife possuía oito Ecoestações e cerca de 50 Pontos de Entrega Voluntária, os PEVs. Atualmente, são 17 Ecoestações e mais de 150 PEVs distribuídos pela cidade.
Os equipamentos funcionam como alternativas para quem não utiliza a coleta seletiva porta a porta ou precisa encaminhar diretamente os materiais recicláveis.
POTENCIAL PARA AVANÇAR – Apesar do crescimento, o Recife ainda possui grande potencial para ampliar a quantidade de materiais recuperados. Estudo gravimétrico realizado pelo município aponta que aproximadamente 30% dos resíduos sólidos urbanos gerados na cidade têm potencial para reciclagem.
Para que esse material seja efetivamente reciclado, ele precisa ser separado na origem e encaminhado pelos canais adequados. Quando os recicláveis são misturados ao lixo comum, seguem para o aterro sanitário, deixando de gerar benefícios ambientais, econômicos e sociais.
A ampliação da coleta seletiva depende de uma responsabilidade compartilhada entre poder público, população, empresas, grandes geradores, indústria e cooperativas. Quanto mais materiais forem separados corretamente, maior será a recuperação de recicláveis, a geração de renda para os catadores e a redução do volume enviado ao aterro sanitário.


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