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Dona Teinha — a lição silenciosa de uma vida bem vivida

Por Rinaldo Remigio*

Há pessoas cuja partida não produz apenas silêncio, mas também reflexão. A professora Doroteia de Lima Guimarães, nossa querida Dona Teinha, foi uma dessas presenças raras: daquelas que passam pela vida sem alarde, mas deixam marcas profundas, duradouras e luminosas.

Conheci Dona Teinha no início da década de 1970, quando fixei residência em Afogados da Ingazeira. Morávamos quase de frente, o que, mais do que proximidade geográfica, criou laços de convivência e respeito. Ali, no cotidiano simples das ruas, aprendi a reconhecer nela uma mulher de fé firme, católica praticante, educadora por vocação e mãe por excelência.

Seus filhos — Maria Antonieta, Jorge Teobaldo e João Adriano — cresceram diante dos nossos olhos, sempre guiados por valores sólidos: honestidade, respeito, trabalho e amor ao próximo. Pessoas do bem, como a própria mãe. Não por acaso. Dona Teinha educava não apenas com palavras, mas com o exemplo diário, silencioso e constante.

Como professora, exerceu o magistério com dignidade e compromisso, ajudando a formar gerações, muitas vezes sem saber o quanto sua paciência, sua firmeza e sua doçura estavam moldando destinos. Como mulher, foi referência de equilíbrio e serenidade. Como mãe, foi abrigo. Como cristã, foi testemunho vivo da fé traduzida em atitudes.

Sua casa era um lugar de acolhimento. Dona Teinha sempre recebeu bem a todos que a procuravam. Um sorriso sincero, uma palavra ponderada, um gesto de atenção — era assim que ela se fazia presente na vida alheia. Nunca fechou portas, nunca economizou humanidade.

Dona Teinha parte no final de uma tarde, como quem se despede sem ruído, mas deixa um legado exemplar para a sociedade de Afogados da Ingazeira. Um legado que não se escreve apenas em registros formais, mas que permanece vivo na memória afetiva de quem teve o privilégio de conhecê-la.

Fica aqui registrada nossa homenagem e nossa gratidão. Algumas vidas não se encerram com a despedida: transformam-se em referência. Dona Teinha é, e sempre será, uma dessas presenças que continuam ensinando — mesmo depois da partida.

*Professor universitário aposentado, memorialista e amigo da familia!

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