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Bolsonaro não sai da cadeia antes de 2027. Nem os aliados querem isso

Por Igor Maciel – JC Online

Nem terminou o julgamento de Bolsonaro (PL), com a condenação do ex-presidente a 27 anos de cadeia e a anistia já entrou no cardápio político. Mas é como se fosse um prato principal servido em um banquete em que ninguém se entende sobre o tempero. Cada grupo político chega à mesa com seu próprio garfo e uma fome específica: todos querem que ele seja liberado, mas nem todos querem liberar ele para ser candidato.

No fim das contas, ninguém está pensando nos condenados de 8 de janeiro, apenas em como usar a anistia como ferramenta para os seus próprios interesses.

O cálculo do bolsonarismo
Para o bolsonarismo, a conta é simples. Se a anistia não incluir Bolsonaro, não serve. Os discursos já deixaram isso claro. Eles não aceitam solução parcial, como diminuir a pena de quem quebrou vidraça em Brasília e deixar o ex-presidente de fora.

A anistia só interessa se for total, ampla e irrestrita, garantindo inclusive que Bolsonaro possa se lançar candidato em 2026. Faz sentido porque, sem ele na disputa, a narrativa da direita perde o seu principal líder e abre espaço para novos nomes.

O jogo do centrão
Do outro lado da mesa, o centrão até aceita a ideia de tirar Bolsonaro da prisão, mas desde que ele fique longe das urnas. Para eles, Bolsonaro serve como cabo eleitoral, não como candidato.

É útil para arrastar votos, mas se volta para a disputa presidencial vira um problema. A ironia é curiosa. Eles defendem a anistia com discursos inflamados, mas recuam na mesma hora em que alguém sugere devolver ao ex-presidente o nome na urna de 2026.

Republicanos, União Brasil, Progressistas, todos entram no debate pensando em seus nomes para a corrida presidencial.

Tarcísio de Freitas (Republicanos) quer os eleitores, mas não quer disputar espaço com Bolsonaro, Ronaldo Caiado (União) também não, e Romeu Zema muito menos.

Eles falam em “justiça” e “reparação” quando defendem anistia, mas o que realmente move essas siglas é o cálculo eleitoral. A generosidade tem prazo de validade: a convenção partidária.

O Supremo no caminho
E se não bastasse a disputa de interesses, há ainda o Supremo Tribunal Federal. Os ministros já avisaram que, se o Congresso aprovar uma anistia que inclua os crimes pelos quais Bolsonaro foi condenado, a lei não sobrevive. Será derrubada por inconstitucionalidade. Em outras palavras, mesmo que deputados e senadores encontrem um acordo difícil, a anistia ainda terá de enfrentar uma barreira jurídica quase intransponível.

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