*Por Rinaldo Remígio
Num tempo em que a medicina era vocação e coragem, nasceu em Cortês, no Engenho Humaitá, um menino que viria a operar milhares de vidas, transformar destinos e escrever sua história com bisturi, caráter e paixão. Filho de Severino e Severina — nomes simples, raízes profundas — Dr. José Edson de Moura é daqueles homens que carregam no semblante a marca dos que vieram de longe, venceram com trabalho e não esqueceram de onde partiram.
Formado em 1968 pela respeitada Universidade Federal de Pernambuco, depois de duas tentativas e de uma bolsa da Sudene, entrou na sala de aula como quem entra em um templo: com reverência e propósito. Estava entre filhos da elite, mas trazia a nobreza dos que conhecem a labuta. Com esforço, venceu barreiras, não só para se formar, mas para construir uma carreira grandiosa, pautada na dedicação ao outro.
Sua trajetória profissional é um verdadeiro mapa do Brasil que pulsa: passou pelo hospital de Feira Nova, pelo hospital Michel Yzar no Paraná, foi cirurgião no Hospital da Restauração, no Hospital Emília Câmara em Afogados, e por 10 anos comandou com mãos firmes o hospital Luiz José da Silva Neto, em Tabira. Foram mais de 30 mil cirurgias, 10 mil partos e 50 anos de bisturi e compaixão — um número que não se mede apenas em quantidades, mas em vidas tocadas.
Mas Dr. Édson não parou na medicina: foi diretor médico do Sport Club do Recife, oficial da reserva do Exército Brasileiro, prefeito de Tabira em duas gestões e deputado estadual. Um homem público que nunca deixou de ser médico, e um médico que jamais deixou de ser humano. Fundou o Centro Hospitalar Dr. José Evóide de Moura, orgulho do interior pernambucano, referência em atendimento e estrutura — um sonho construído com resistência, enfrentando obstáculos burocráticos e descrença, até ver o tijolo virar legado.
Sua família é espelho e herança: cinco filhos, quatro deles médicos, conheci a Michele recentemente e lembro do Edson Júnior quando criança, e um surfista profissional — todos frutos do amor com Márcia Soares de Moura. E como ele mesmo diz, tudo começou com o sonho de dois pais analfabetos, que queriam para seus filhos uma vida de conhecimento e dignidade. O que parecia impossível no engenho virou orgulho na universidade, e referência na história.
Dr. Moura também é homem de memória. Registrou suas experiências em livros — não para o mercado editorial, mas para amigos e para a posteridade, tenho um deles OS SAPOS DA POLITICA. São crônicas, causos e confissões de quem viveu intensamente. E, como se não bastasse, transformou os presentes simbólicos que recebeu de pacientes ao longo da vida — muitas vezes como forma de pagamento — em peças de museu. Um museu de afetos, preservado no Recanto dos Moura e em Afogados da Ingazeira, a pedido do pai. Porque quem não se esquece da origem, não se perde no caminho.
Hoje, longe das salas de cirurgia, mas ainda firme em seu consultório, o Dr. José Edson de Moura continua servindo à saúde e à memória de um povo que o aprendeu a amar — não apenas como médico, mas como exemplo de dignidade, ética e entrega.
Estive presente à solenidade de concessão da Medalha Dom Francisco Austregésilo de Mesquita Filho, honraria concedida ao Doutor Edson, eu pude sentir — nos aplausos, nos olhares, nas palavras emocionadas — o quão ele foi, e continua sendo, importante para a região do Pajeú.
Foi uma cerimônia de reverência, mas acima de tudo, de gratidão.
Gratidão por cada vida salva, por cada família acolhida, por cada gesto silencioso que ecoou forte no coração de um povo inteiro.
Em um país de tantas ausências, Dr. Edson é presença constante.
Um farol sertanejo.
Um médico de muitas vidas.
Um amigo para sempre.
*Administrador, contador, historiador e professor universitário
Fonte de informações: Blog Fernando Pires e Blog do Finfa


Seja o primeiro a comentar