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João Alves Guimarães ou simplesmente “Santo Antônio, sinômino de fé, arte e cultura de Afogados da Ingazeira

Por Rinaldo Remígio

João Alves Guimarães, com sua história rica e peculiar, é como um personagem que transcende o tempo, encapsulando o espírito e a cultura de uma época no sertão nordestino. Apelidado de “Santo Antônio” pelo seu talento artístico e paixão pela confecção de imagens sacras, sua jornada começou em 21 de julho de 1900, em Afogados da Ingazeira, uma pequena cidade impregnada pela tradição e religiosidade.

Desde a infância, o menino João Guimarães já demonstrava um talento inato para as artes, que se tornou sua marca registrada ao longo da vida. Com apenas 12 anos, teve o privilégio de contribuir para a construção da Catedral Diocesana de sua cidade ao lado do visionário Padre Carlos Cottart, plantando as primeiras sementes de sua conexão com o patrimônio religioso e cultural da região.

Sua vida pessoal foi marcada por altos e baixos, como qualquer boa narrativa humana. Após seu primeiro casamento com Anália Siqueira e o luto que se seguiu, João encontrou uma nova oportunidade de amar ao lado de Dorotea, com quem construiu uma família que perpetua sua memória: Maria Antonieta, Jorge Teobaldo e João Adriano.Funcionário dedicado do DER por 40 anos, sua aposentadoria em 1967 não foi o fim, mas um recomeço. João mergulhou profundamente no mundo do artesanato, se tornando o pioneiro santeiro de Afogados da Ingazeira. Cada escultura, cada pintura, seja em madeira, gesso ou barro, era um testemunho do cotidiano sertanejo e da alma nordestina. Suas obras, incluindo os delicados anjinhos da Catedral e as restauradas imagens sacras, são testemunhos vivos de sua genialidade e sensibilidade artística.

O uso de madeira, gesso e barro refletiam tanto as tradições artesanais quanto os recursos disponíveis em sua época, evidenciando um compromisso com a autenticidade regional.

É importante afirmar que suas esculturas e pinturas frequentemente retratavam aspectos do cotidiano sertanejo. Esse vínculo com sua terra natal e sua gente foi uma fonte constante de inspiração.

João Alves Guimarães, ou melhor, Santo Antonio não foi apenas um artesão; ele foi um cronista do sertão, esculpindo histórias e memórias em cada obra que criou.

Mesmo após seu falecimento em 4 de fevereiro de 1984, vítima de um AVC, seu legado permanece vivo, ecoando nas paredes da Catedral e no coração do povo afogadense.

Com mãos habilidosas e alma generosa, deixou um legado que transcende a arte e invade os corações: o de alguém que, através de sua paixão e trabalho, eternizou o sertão e seus valores. Seu lugar no Cemitério São Judas Tadeu é, na verdade, um marco para que nunca esqueçamos que o verdadeiro artista vive para sempre através de suas obras.

Fonte de Informações: Maria Antonieta (filha)


1 comentário

  1. Gratidão aos amigos Rinaldo Remígio e Finfa, por nos trazer bela história de papai, que tanto nos encantou com a sua arte.

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