Telexfree- O sonho da riqueza fácil e rápida
Nos últimos dias, por onde tenho andado, não consigo fugir dos assuntos ou propagandas referentes à Telexfree; nas redes sociais, nem se discute; nas principais ruas por onde trafego, é incontável o número de veículos portando cartazes de incentivo à adesão; no Facebook, especificamente, é quase uma epidemia e não se fala em outra coisa.
Mas o que é realmente e o que quer a Telexfree?
Essa empresa se apresenta como fornecedora de serviços de voz. Mas o que vem atraindo mesmo as pessoas é a sua propaganda de enriquecimento fácil para quem se torna “divulgador”. O trabalho oferecido pela Telexfree consiste em espalhar anúncios pela internet. Para participar, contudo, o colaborador tem que pagar uma taxa de adesão e comprar um kit que o habilita à função. A empresa oferece ainda o pagamento de comissão a quem trouxer mais membros.
Segundo o depoimento de um dos “divulgadores”, como são chamadas as pessoas que se cadastram para participar do sistema, ele pagou R$ 2.850,00 para entrar num plano da empresa, para ter um lucro de R$ 850 por mês. “Em quatro meses eu tirei o investido, conta José Edson da Silva, mas no mês que (sic) eu iria começar a ter lucro, veio o embargo da justiça”, diz, salientando que torce para que a proibição acabe. Ele diz que seu trabalho é copiar e colar numa página da internet os anúncios da Telexfree e não sabe para que serve isso, mas confessa que entrou para ganhar dinheiro.
“Todo mundo que entra sabe do risco. Só que eu não conheço ninguém que teve prejuízo”, confessa um outro divulgador.
Um exemplo da quantidade de gente atraída pela empresa é a quantidade de comentários de internautas a cada nova notícia publicada sobre a Telexfree. Os divulgadores parecem um exército defendendo o negócio através de argumentos contra ou xingamentos a quem tem opiniões distintas.
Para alguns observadores, os problemas enfrentados pela Telexfree são ocasionados pela ignorância. Segundo eles, essa é uma empresa de marketing multinível como tantas outras, a exemplo de AmwaY e Herbalife.
Apesar da grita de quem entrou no negócio à espera de lucro rápido, o cerco está cada vez mais fechado contra a empresa. Na sexta feira (28/06), o Ministério da Justiça, através do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), abriu processo administrativo contra a Telexfree, que formalmente se chama Ympactus Comercial Ltda, suspeita de ser uma pirâmide financeira. A empresa, sediada no Espírito Santo, atuava pela internet e terá dez dias para se defender. Ela pode ser multada em até R$ 6 milhões, caso fique comprovado o crime.
É mais um revés. No dia 27.06, o Ministério Público do Acre, onde as primeiras medidas contra a Telexfree foram tomadas, ampliou a pressão sobre a empresa. O grupo já era investigado pela Promotoria de Defesa do Consumidor e agora vai enfrentar inquérito criminal. Os promotores Danilo Lovisaro e Rodrigo Curti, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), passaram a investigar os procedimentos da empresa. Eles querem saber se a Telexfree cometeu crime contra a economia popular, lavagem de dinheiro, estelionato, formação de quadrilha, entre outros.
E você, o que acha?
A Telexfree diz vender pacotes de contas de telefonia VoIP (pela internet) para os “divulgadores”, que sequer precisam vendê-los para lucrar. Basta que eles postem anúncios em sites feitos só para receber os anúncios (não tem mais nada fora isso) e, principalmente, que consigam novos divulgadores.
O fato é que a empresa tem se enrolado em suas explicações. Carlos Costa, sócio da empresa, gravou um vídeo alegando ter um seguro com a Mapfre, que, no entanto, negou qualquer tipo de relacionamento comercial ou parceria com a empresa. Costa, depois disse ter sido mal interpretado e que na verdade a Susep e o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) haviam aprovado o seguro. Mas a Susep é um órgão de regulação e o IRB é um “seguro de seguradoras” e não do consumidor final. Ambos negaram ter recebido ou autorizado qualquer documento da Telexfree.
E agora, qual a nossa opinião?
Particularmente, não temos nada contra a Telexfree, só achamos difícil uma empresa ganhar tanto que possa dar o retorno financeiro que ela oferece. Além do mais, diferentemente de Amway e Herbalife -citadas no texto – o que é que ela vende para ser tão lucrativa? E esse é o grande mistério: já que ela nada vende para justificar suas receitas, se pararem de entrar mais pessoas, o esquema quebra, deixando no prejuízo os últimos da fila, uma quantidade de pessoas muito maior do que aquelas que já lucraram.
Em todo caso, vamos aguardar o desfecho. A minha recomendação, enquanto humilde colaborador desta página, é de prudência. Não estou na Telexfree e não tenho a menor vontade de ingressar. Até porque as únicas pirâmides de que tenho notícia que fizeram história no mundo foram as egípcias, de Gizé (Quéops, Quéfren e Miquerinos), construídas 2.500 anos antes de Cristo.
Por: Danizete Siqueira de Lima
Recife-PE. – julho de 2013.




Seja o primeiro a comentar