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Governadora Raquel Lyra apresenta ao ministro Waldez Góes demandas do Estado para diminuir os impactos das chuvas

A governadora Raquel Lyra se reuniu, nesta segunda-feira (4), no Palácio do Campo das Princesas, com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, para debaterem a continuidade das ações emergenciais após as chuvas intensas. A gestora reforçou o encaminhamento ao governo federal da solicitação de recursos para execução de medidas urgentes para mitigar os impactos das chuvas dos últimos dias no Estado, através do Novo PAC. Com valor total estimado em R$ 6,3 bilhões, as medidas abrangem recuperação de escolas, construção de barragens para contenção de cheias, política habitacional para famílias afetadas e obras estruturais para redução de riscos, como contenção de encostas e macrodrenagem. Antes da reunião, os gestores sobrevoaram áreas afetadas pelas chuvas. Ainda nesta segunda, o governo federal reconheceu o decreto de situação de emergência publicado pelo governo estadual.

“A partir do início das fortes chuvas era o momento da gente salvar a população, assegurando estruturas, cuidando das pessoas, com abrigamentos e garantia de mantimentos e ajuda humanitária. Desde o primeiro momento, a equipe do ministro Waldez está à disposição do Governo de Pernambuco e dos municípios do nosso Estado. Agora, é o momento de reconstruir e refazer estruturas que eventualmente tenham sido perdidas. Avançamos na parceria com o governo federal para que a gente consiga mais recursos para investimento em obras que garantam às nossas cidades a possibilidade de serem mais resilientes”, destacou a governadora Raquel Lyra, ao lado da vice-governadora Priscila Krause.

Entre as medidas, a chefe do Executivo estadual reforçou a solicitação de inclusão no Novo PAC de obras das barragens de Engenho Maranhão, São Bento do Una, Engenho Pereira e Barra de Guabiraba, com valor estimado em R$ 750 milhões. As barragens são importantes para garantir a contenção de cheias, além de fortalecer a produção de água tratada para diversos municípios pernambucanos, beneficiando diretamente 1,3 milhão de pernambucanos.

O ministro Waldez Góes destacou a união dos governos federal e estadual para apoio à população afetada. “No sobrevoo que fizemos na região e durante a reunião, entendemos a gravidade da situação e reconhecemos todas as providências que o Governo de Pernambuco já vem adotando em atenção aos municípios impactados. Além disso, tratamos também de diminuir o risco de vida das pessoas afetadas pelas chuvas, isso se faz com investimentos em prevenção. Estamos aqui para reafirmar a presença do governo federal a pedido do presidente Lula e reconhecer todo o esforço e coordenação da governadora Raquel Lyra e sua equipe, altamente eficiente, presente e com muita rapidez nas ações. Prestamos nossa solidariedade às famílias atingidas e nos unimos para dar assistência aos municípios impactados e diminuir os futuros riscos com ações em parceria com o Governo do Estado”, afirmou o gestor.

O Governo do Estado destacou que a inclusão das intervenções no Novo PAC garante a rápida execução de obras estratégicas e assegura a retomada da normalidade de forma mais rápida.

Acompanharam a reunião o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, o deputado federal Túlio Gadêlha, e os secretários estaduais Fabrício Marques (Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional), João Salles (Assessoria Especial à Governadora e Relações Internacionais), Túlio Vilaça (Casa Civil), Almir Cirilo (Recursos Hídricos e Saneamento), Rodrigo Ribeiro (Desenvolvimento Urbano e Habitação), Simone Nunes (Projetos Estratégicos) e o secretário executivo de Proteção e Defesa Social, Clóvis Ramalho. Ainda estiveram presentes o deputado federal pela Paraíba Damião Feliciano e a diretora do Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Lígia Feliciano.

Após reunião no Planalto, João Campos ressalta investimentos do governo Lula para cidades atingidas pelas chuvas

_Por Medida Provisória, R$ 305 milhões serão disponibilizados para Pernambhco e outros estados que tiveram municípios afetados_

Nesta segunda-feira (04/05), o presidente Lula anunciou uma Medida Provisória para liberação de R$ 305 milhões para municípios de estados atingidos pelas chuvas, incluindo Pernambuco. João Campos, presidente nacional do PSB e pré-candidato a governador, destacou a importância desse anúncio após sair do Palácio do Planalto, onde teve reunião com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.

“Tive uma reunião importante com a ministra Miriam Belchior para tratar do cenário das chuvas no Recife, na Região Metropolitana e na Zona da Mata. O presidente Lula acabou de assinar uma Medida Provisória para liberar cerca de R$ 300 milhões em recursos da Defesa Civil Nacional para as cidades atingidas. Esse suporte federal é fundamental, tanto para a resposta imediata quanto para o fortalecimento das obras de proteção e mitigação que já vêm sendo construídas em parceria com o Governo Federal”, ressaltou.

João Campos vem se articulando com o Governo Federal desde o primeiro momento, tendo sido citado pelo próprio Lula depois de discutir por telefone sobre o impacto das fortes chuvas que atingiram o solo pernambucano. Além disso, tratou dos primeiros encaminhamentos em conversa também com o senador Humberto Costa e, posteriormente, em reunião com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, e prefeitos de municípios atingidos.

“É momento de unidade, de trabalho e de ação rápida. Quem mais precisa agora é quem deve estar no centro de todo esforço. Por isso, seguimos buscando apoio, articulando soluções e cobrando a proteção necessária para as pessoas atingidas”, pontuou o ex-prefeito do Recife.

Lula e Trump têm reunião marcada em Washington nesta quinta-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca para Washington nesta quarta-feira (6) para um encontro oficial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira (7).

O encontro é visto pela diplomacia brasileira como um passo crucial para normalizar as relações comerciais, após um período de incertezas e tarifas de importação.

Além da economia, temas como a situação na Venezuela e parcerias em minerais críticos e terras raras devem compor a mesa de discussões.

A confirmação da viagem vem depois de um momento negativo para o governo Lula. O Congresso impôs duas derrotas ao presidente na semana passada, rejeitando a indicação de Jorge Messias para o STF e derrubando o veto presidencial ao PL da Dosimetria.

A visita aos EUA ocorre, então, em um momento apropriado para mostrar o presidente Lula forte nas relações internacionais.

O encontro também ocorre pouco tempo após o recente impasse diplomático entre os dois países, causado pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. O governo Trump retirou as credenciais do delegado brasileiro que atuou na prisão, e o Brasil fez o mesmo, utilizando o princípio da reciprocidade (entenda mais abaixo).

Negociação desde janeiro e pauta ‘olho no olho’

Inicialmente, o encontro estava previsto para março, mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.

De lá para cá, Lula fez críticas a Donald Trump por causa dos ataques dos Estados Unidos ao Irã, subindo um pouco o tom.

A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone durante cerca de 50 minutos.

Naquela ocasião, os líderes manifestaram o desejo de realizar um encontro presencial para resolver divergências diretamente — o que o presidente brasileiro classificou como uma conversa “olho no olho”.

As negociações, no entanto, enfrentaram alguns obstáculos que adiaram a data original, inicialmente prevista para março.

Conflitos internacionais: o agravamento das tensões no Oriente Médio, envolvendo EUA, Israel e Irã, redirecionou a prioridade da agenda da Casa Branca.

Divergências comerciais: o governo brasileiro busca reverter o “tarifaço” imposto por Trump a produtos nacionais.

Segurança Pública: há um interesse mútuo em fortalecer a cooperação no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro, tema que avançou em reuniões técnicas em abril.

O governo também trabalha para impedir que os EUA incluam facções criminosas como o CV e o PCC na lista de organizações terroristas internacionais.

Prefeito Fredson cumpre agenda na CONAB, em Recife, em defesa da agricultura familiar de São José do Egito

O prefeito de São José do Egito, Fredson Brito, esteve nesta segunda-feira (04/05) em Recife, na sede regional da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), cumprindo agenda voltada ao fortalecimento da agricultura familiar do município.

Durante o encontro, Fredson se reuniu com o superintendente Antônio Elizaldo, onde tratou de pautas importantes para os agricultores egipcienses, como o abastecimento de milho e a liberação de recursos para as associações rurais.

Um dos pontos destacados pelo prefeito foi o funcionamento do galpão da CONAB, que em breve estará operando para apoiar diretamente o homem e a mulher do campo, garantindo o acesso ao milho com preço mais acessível — cerca de 30% mais barato para o agricultor familiar.

Fredson ressaltou a importância da articulação para assegurar melhores condições de produção no campo:

“Estamos trabalhando para garantir apoio direto ao agricultor, com insumos mais baratos e recursos chegando às associações. Isso é fortalecer quem produz e movimenta a nossa economia.”

A agenda reforça o compromisso da gestão municipal em buscar parcerias e soluções que impactem positivamente a vida dos produtores rurais, promovendo mais dignidade, renda e desenvolvimento para São José do Egito.

Alepe discute o Canal do Sertão em audiência pública nesta terça (5)

A Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realiza, nesta terça-feira (05), às 9h, uma audiência pública para discutir o Canal do Sertão de Pernambuco. O encontro acontece no Auditório Sérgio Guerra, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), e é uma iniciativa do deputado estadual Luciano Duque, que preside o colegiado.

A audiência reunirá representantes do poder público, especialistas, produtores rurais e entidades ligadas ao setor agrícola para debater a importância da obra como eixo estruturador do desenvolvimento no interior do estado. A proposta é ampliar o diálogo sobre os impactos econômicos e sociais do Canal do Sertão, especialmente no enfrentamento da estiagem e no fortalecimento da produção rural.

Para Luciano Duque, o momento é estratégico para construir soluções concretas para o semiárido pernambucano. “Estamos falando de uma iniciativa que pode transformar a realidade do Sertão, garantindo segurança hídrica, fortalecendo a produção e gerando oportunidades para quem vive no campo. É fundamental reunir todos os atores envolvidos para avançarmos com planejamento e prioridade”, destacou o deputado.

Canal do Sertão – O projeto do Canal Adutor do Sertão Pernambucano tem como objetivo conduzir água do Rio São Francisco para o interior do estado, atendendo a diferentes usos, como abastecimento e produção. A iniciativa deve alcançar cerca de 138,6 mil pessoas e tem potencial para gerar aproximadamente 33 mil empregos diretos e outros 66 mil indiretos, impulsionando a economia da região.

Atualmente, o empreendimento encontra-se em etapa de estudos técnicos, elaboração de projetos, aquisição de áreas, além da implantação de estruturas básicas e ações de preservação ambiental, sob responsabilidade da Codevasf. O canal está previsto para o Submédio São Francisco, na margem esquerda do rio, com abrangência em territórios que incluem o município de Casa Nova, na Bahia, e diversas cidades pernambucanas, como Petrolina, Afrânio, Dormentes, Santa Filomena, Santa Cruz, Ouricuri, Trindade, Araripina, Ipubi, Bodocó, Granito, Exu, Parnamirim, Moreilândia, Cedro e Serrita.

Coluna do Finfa

Governo de Pernambuco fortalece ações de reconstrução em municípios atingidos pelas chuvas

Após dias de intensas chuvas na Região Metropolitana do Recife e Zona da Mata, o Governo de Pernambuco continua realizando operações emergenciais para reconstrução de áreas em municípios atingidos. Neste domingo (3), a governadora Raquel Lyra vistoriou os serviços de recuperação das estradas de acesso aos Engenhos Novo e Folguedo, na cidade de Goiana, e conversou com a população no local. Mais cedo, a gestora comandou reunião no Recife com secretarias e órgãos do governo para dar continuidade às definições dos trabalhos. Na próxima terça-feira (5), a governadora cumpre agenda em Brasília para solicitar recursos ao governo federal para restabelecimento da normalidade. No sábado (2), o governo decretou situação de emergência em 27 municípios afetados pelas inundações, com prazo de 180 dias.

“Estamos aqui em uma estrada vicinal na cidade de Goiana, junto com as comunidades de Engenho Novo e Folguedo. Temos dezenas de famílias ilhadas após as chuvas que atingiram Pernambuco. Já estamos com as máquinas trabalhando para restabelecer o direito de ir e vir da população e só vamos sair daqui quando concluirmos todas essas reconexões. E estamos com muitos outros serviços para reconstruir perdas, como entregas de colchões e kits de limpeza. Vamos continuar trabalhando incansavelmente para restabelecimento da normalidade da vida das pessoas”, destacou a governadora Raquel Lyra.

Em uma estrada de Goiana, a atuação do Governo de Pernambuco foi intensificada após demandas apresentadas pela população ainda na manhã de hoje. Durante a vistoria, a chefe do Executivo estadual verificou o trabalho de equipes sendo realizado com cinco equipamentos, entre caminhões e retroescavadeiras, destinados à recuperação das estradas de acesso aos Engenhos Folguedo e Novo. Os danos foram provocados pelo transbordamento de um açude na Usina Maravilha, que comprometeu a infraestrutura viária e isolou comunidades.

“Goiana foi a cidade mais afetada pelas fortes chuvas que atingiram Pernambuco nos últimos dias. Hoje, estamos com máquinas trabalhando para recuperar os acessos aos povoados que estão isolados da sociedade. O Governo de Pernambuco está chegando na maior velocidade possível a esses locais para atender a quem mais precisa”, pontuou o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Rodrigo Ribeiro.

Ajuda humanitária – Mais de 7,6 mil itens de ajuda humanitária já foram entregues pela gestão estadual como parte das ações emergenciais desde o dia 1º. As entregas contemplam itens essenciais, como colchões, itens de higiene e limpeza. As equipes técnicas seguem mobilizadas em todo o Estado, realizando o monitoramento das áreas de risco. “No depósito da Defesa Civil, o Governo de Pernambuco mantém um estoque permanente para atender pelo menos 6 mil pessoas em situação de emergência. No antigo galpão não cabiam nem 500 colchões. Com as ocorrências deste final de semana uma parte desse estoque já seguiu para os municípios que estão solicitando ajuda”, ressaltou a vice-governadora Priscila Krause.

Canal do Fragoso – O Governo de Pernambuco está realizando uma força-tarefa emergencial coordenada com a mobilização de 42 equipamentos – entre escavadeiras hidráulicas, retroescavadeiras e caçambas volantes – que aceleram a retirada de sedimentos e baronesas no Canal do Fragoso, em Olinda. O trabalho tem o objetivo de otimizar o escoamento das águas.

Até o momento, o Estado de Pernambuco contabilizou, através do Corpo de Bombeiros, o resgate de 814 pessoas, sendo 808 pessoas com vida e seis óbitos. Em paralelo, a Defesa Civil registrou 1.632 pessoas desabrigadas, além de 7.908 pessoas desalojadas.

Do orgulho ao esquecimento: o destino do Clube Campestre Afogadense

Por Rinaldo Remígio*

Há obras que se constroem com cimento, ferro e esforço. Outras, porém, nascem de algo mais nobre: visão, propósito e compromisso com o bem comum. O Clube Campestre Afogadense pertence a essa segunda categoria.

Erguido em 1982, não foi fruto do acaso. Foi concebido por homens de visão — homens livres e de bons costumes — que compreenderam, ainda àquela época, que uma cidade não se sustenta apenas pelo comércio ou pela política, mas também pelos espaços de convivência, onde famílias se encontram, amizades se fortalecem e a vida social floresce com dignidade.

O Campestre nasceu grande. Nasceu com propósito.

Ali, não se construíram apenas paredes, mas memórias. Quantos encontros, quantos risos, quantas celebrações ficaram impregnadas naquele chão? Quantas famílias ali escreveram capítulos inteiros de suas histórias? Eu mesmo guardo lembranças das minhas visitas: almoços, eventos sociais, momentos simples — e, por isso mesmo, grandiosos — que davam sentido à convivência comunitária.

Era mais do que um clube. Era um ponto de encontro da alma afogadense.

Hoje, porém, ao nos aproximarmos de seus portões — danificados, fragilizados — o que encontramos não é apenas o desgaste do tempo. É um silêncio que incomoda. Um silêncio que fala alto. Um silêncio que ecoa abandono.

E dói.

Dói saber que aquele espaço, outrora vibrante, hoje vê o mato avançar sobre áreas valiosas, especialmente nas proximidades da Barragem de Brotas. Ali, onde ainda se respira ar puro, onde a natureza insiste em mostrar sua força, permanece latente um potencial extraordinário — à espera, talvez, de mãos que cuidem, de olhares que se importem, de decisões que resgatem.

Porque a natureza resiste. Mas o patrimônio humano precisa de zelo.

É preciso, antes de tudo, fazer justiça àqueles que sonharam e realizaram. Os fundadores do Campestre não pensaram pequeno. Não ergueram um espaço qualquer. Criaram um ambiente de convivência familiar, de lazer saudável, de integração social — algo que, para uma cidade do porte de Afogados da Ingazeira à época, representava ousadia, organização e espírito coletivo.

Esse legado não pode ser negligenciado.

Aos atuais dirigentes e permissionários, cabe uma responsabilidade que vai além da gestão administrativa. Cabe-lhes a guarda de um patrimônio que, embora juridicamente privado, é, na prática, parte da memória coletiva da cidade. Cuidar do Campestre não é apenas manter uma estrutura — é preservar uma história.

E história não se reconstrói depois de perdida.

Não se trata aqui de crítica vazia, mas de um chamado à responsabilidade. Manutenção não é custo — é investimento na permanência. Conservação não é obrigação burocrática — é compromisso moral com o passado e com o futuro.

Afogados da Ingazeira já foi protagonista — e ainda pode ser. No comércio, nos esportes, na educação, construiu uma trajetória respeitável no Vale do Pajeú. Mas cidades que deixam seus espaços simbólicos à deriva correm o risco de perder, pouco a pouco, sua identidade.

Recentemente, ao visitar a AABB, ainda se percebe algum esforço de resistência — iniciativas pontuais, tentativas de manter viva uma estrutura que também enfrenta desafios. Mas, ao mesmo tempo, nota-se a ausência de uma presença institucional mais forte, de uma articulação mais ampla que sustente esses espaços ao longo do tempo.

E o Campestre precisa disso.

Precisa de gestão. Precisa de cuidado. Precisa, sobretudo, de compromisso.
A sociedade afogadense — os que estão e os que partiram, mas não esqueceram — também tem seu papel. É hora de olhar novamente para esse patrimônio. De provocar debates. De estimular parcerias. De buscar caminhos que respeitem sua natureza jurídica, mas que não o condenem ao esquecimento.

Porque uma cidade que abandona seus espaços de convivência, aos poucos, abandona a si mesma.

E o Campestre…

o Campestre não pode ser reduzido a ruínas de lembranças.

Ele ainda pode — e deve — voltar a ser palco de encontros, risos e histórias.

Basta que o silêncio seja interrompido.

E que a responsabilidade fale mais alto.

*Professor universitário aposentado, administrador, contador, mestre em economia.

Governadora Raquel Lyra decreta situação de emergência em 27 municípios atingidos pelas chuvas

A governadora Raquel Lyra decretou, neste sábado (2), situação de emergência em 27 municípios afetados pelas fortes chuvas. O documento está publicado em edição extra do Diário Oficial, com prazo de 180 dias. O decreto é importante para acelerar a execução de ações emergenciais e solicitação de apoio e investimentos ao governo federal. O anúncio também foi feito aos prefeitos dos municípios atingidos durante reunião virtual na tarde deste sábado. No encontro, com a participação do diretor do Departamento de Restabelecimento e Reconstrução da Defesa Civil Nacional, Paulo Falcão, também foram apresentadas pela governadora as ações estaduais na assistência às famílias impactadas. Participaram da reunião prefeitos da Região Metropolitana do Recife e Zona da Mata Norte.

“Conversamos com os prefeitos e prefeitas de cidades afetadas, o Estado está decretando situação de emergência para poder a gente continuar apoiando os municípios no restabelecimento da normalidade e buscar junto ao governo federal investimentos para as ações. Também debatemos com os prefeitos o passo seguinte. Primeiro era o resgate e salvamento das pessoas que estavam afetadas pelas chuvas, foram mais de 800 resgates feitos pelo Corpo de Bombeiros junto com a Defesa Civil e os municípios. Agora ajuda humanitária acontecendo, distribuição de colchões, mantimentos, apoio, abertura de escolas para colocar os desabrigados”, declarou a governadora Raquel Lyra.

O decreto de situação de emergência também considera que os habitantes dos municípios afetados não têm condições satisfatórias de superar os danos e prejuízos provocados pelas inundações. Outros municípios ainda podem ter estado de emergência reconhecido pelo Governo do Estado após novas avaliações.

Na reunião, também foram levantados pelos prefeitos alguns danos causados pelas chuvas em suas cidades para poder receberem apoios nas ações de reconstrução. “Gostaria de agradecer ao apoio do governo estadual a Timbaúba, incluindo envio de um helicóptero para resgatar pessoas isoladas na zona rural que precisaram de atendimento. Nossa maior preocupação agora é a zona rural e os distritos sem acesso à cidade”, contou o prefeito de Timbaúba, Marinaldo Rosendo.

Até o momento, o Corpo de Bombeiros já realizou o resgate de 807 pessoas. A Defesa Civil do Estado já registrou 1601 pessoas desabrigadas e 1389 pessoas desalojadas. O Governo do Estado, por meio da Defesa Civil, já destinou a municípios afetados 1354 colchões, 2158 lençóis, 504 kits de limpeza e 404 kits de higiene.

Confira a lista dos municípios em situação de emergência:

1 – Abreu e Lima
2 – Aliança
3 – Araçoiaba
4 – Buenos Aires
5 – Camaragibe
6 – Goiana
7 – Glória do Goitá
8 – Igarassu
9 – Ilha de Itamaracá
10 – Ipojuca
11 – Itambé
12 – Itapissuma
13 – Jaboatão dos Guararapes
14 – Limoeiro
15 – Moreno
16 – Nazaré da Mata
17 – Olinda
18 – Passira
19 – Paudalho
20 – Paulista
21 – Pombos
22 – Recife
23 – São Lourenço da Mata
24 – São Vicente Férrer
25 – Timbaúba
26 – Vicência
27 – Vitória de Santo Antão

Recife solicita ao Governo Federal reavaliar liberação de R$ 475 milhões para construção de contenções de encostas

A Prefeitura do Recife formalizou junto aos ministérios das Cidades e da Casa Civil, um pedido de reavaliação para investir mais de R$ 475 milhões na construção de 35 obras de contenção definitiva de encostas no âmbito do Novo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) 2025. A solicitação foi feita pelo prefeito Victor Marques, em ofício encaminhado ao Governo Federal. No Novo PAC, a capital pernambucana já inscreveu 38 projetos executivos para construção de grandes e, desse total, três propostas foram aprovadas, somando cerca de R$ 29,6 milhões. Essas intervenções, que têm projetos prontos para iniciar execução mediante liberação de recursos, vão proteger diretamente mais de 7,6 mil famílias moradoras dos bairros da Guabiraba, Cohab, Passarinho, Várzea, Água Fria, entre outros. Nos últimos cinco anos, foram entregues mais de 6 mil intervenções nas áreas de morro em toda a cidade. Diante da vulnerabilidade em função das mudanças climáticas, e em decorrência das fortes chuvas, o município reitera o pleito para reconsideração do estoque de projetos já aptos a receber verbas federais.

“Acabei de formalizar, junto ao governo federal, por meio do Ministério das Cidades e da Casa Civil, um pedido de reavaliação do Novo PAC 2025. Nesse pedido, a gente inscreveu R$ 475 milhões em proteção de encosta, todos com projetos executivos prontos, espalhados em várias áreas da cidade, como Cohab, Bola na Rede, morros da Zona Norte, entre outras localidades”, explicou o prefeito Victor Marques. “A gente já vem fazendo um trabalho intenso nessa prevenção. São mais de 6 mil obras entregues para a população do Recife, além de várias outras em andamento. É muito importante que, em um contexto como esse, com muita chuva e diversos transtornos, a gente reforce os trabalhos e a união com o povo. Quanto mais esforço e mais obras, melhor para a população do Recife”, completou.

O Recife dispõe, atualmente, de um banco com 70 projetos para construção de contenções definitivas de encostas já estruturados e aptos para execução imediata. Desse total, 38 intervenções são classificadas como de risco R3 (alto risco) e 32 como R4 (risco muito alto), concentrando-se em áreas de morro historicamente vulneráveis a deslizamentos. O pacote completo representa um investimento estimado em R$ 550 milhões.

As obras de contenção incluem soluções estruturais, como construção de muros de arrimo, drenagem, revestimento de taludes e implantação de escadarias. Essas intervenções são fundamentais para mitigar e/ou eliminar pontos de riscos, além de promover melhorias na infraestrutura urbana e na mobilidade das comunidades atendidas.

No ofício encaminhado ao Governo Federal, a Prefeitura do Recife reforça que os projetos inscritos já passaram por etapas técnicas e estão prontos para execução, dependendo da viabilização financeira por parte do governo federal. A administração municipal também destaca que a ampliação do apoio do PAC permitiria dar continuidade a uma política pública estratégica para prevenção de desastres e proteção de vidas.

MAIS DE 6 MIL OBRAS NOS MORROS ENTREGUES – Nos últimos cinco anos, a Prefeitura do Recife entregou mais de 6 mil obras em áreas de morro em toda a cidade, desde grandes contenções coletivas a serviços do Programa Parceria, protegendo mais de 70 mil pessoas diretamente. Somente na construção de contenções coletivas, já foram entregues 154 barreiras, representando um investimento de R$ 274,6 milhões, e beneficiando diretamente mais de 18 mil pessoas. Atualmente, outras 20 intervenções desse porte estão em andamento, somando outros cerca de R$ 172 milhões em investimentos, com impacto direto para cerca de 7 mil moradores.

A Prefeitura do Recife também entregou mais de 5,5 mil obras do Programa Parceria e outras 395 estão em andamento. Já no que se refere à aplicação de geomanta, foram concluídas concluiu cerca de 140 intervenções desse porte na cidade, protegendo mais de 5 mil pessoas. Ao todo, foram investidos mais de R$ 17,8 milhões com essa tecnologia.