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Pesquisa CNN/Alfa: João Campos lidera com 61% dos votos válidos

Pesquisa do Instituto Alfa Inteligência, divulgada nesta quarta-feira (26) pela CNN Brasil, mostra João Campos (PSB) com 61% dos votos válidos em uma eventual disputa pelo Governo de Pernambuco. O prefeito do Recife lidera a corrida ao Palácio do Campo das Princesas com uma diferença de mais de 30 pontos em relação à performance eleitoral da governadora Raquel Lyra (PSD), que aparece com 29%. Já o vereador Eduardo Moura (Novo) tem 6%, e o ex-ministro Gilson Machado (PL), 4%.

No cenário estimulado, que também considera a posição de quem pretende anular o voto ou está indeciso, João Campos lidera de forma isolada, com 50% das intenções de voto, contra 24% de Raquel Lyra, 5% de Eduardo Moura e 3% de Gilson Machado. Ivan Moraes (PSOL) não pontuou. Brancos e nulos são 11%, e não sabem ou não responderam, 7%.

Em um segundo cenário, com apenas João Campos e Raquel Lyra sondados junto ao eleitorado, o prefeito do Recife chega a 58% das intenções de voto, e a atual governadora, a 28%. Brancos e nulos são 10%, e não sabem ou não responderam, 4%. Já quando considerados apenas os votos válidos, João tem 67%, e Raquel, 33%, o que configura uma diferença de 34 pontos percentuais.

Foram realizadas 1,2 mil entrevistas em municípios pernambucanos entre os dias 16 e 21 de novembro. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos.

Lula sanciona isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil

CNN – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (25) a lei que amplia a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Além disso, o texto prevê a isenção parcial do imposto para aqueles que têm renda de até R$ 7.350 mensais.

A lei foi sancionada em cerimônia no Palácio do Planalto. Com a sanção, a nova faixa de isenção entra em vigor em 1º de janeiro de 2026.

Aprovada no Senado Federal ainda neste mês, a medida beneficiará 25 milhões de brasileiros. A isenção será compensada com uma taxação maior para aqueles que ganham acima de R$ 600 mil por ano (ou seja, acima de R$ 50 mil por mês).

A isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil é uma promessa de campanha de Lula. O presidente já disse que a proposta corrige uma “grande injustiça” com os trabalhadores brasileiros.

Dona Lica: O sabor que ficou na memória de Afogados da Ingazeira

*Por Rinaldo Remígio

Algumas pessoas não precisam de monumentos para serem lembradas; basta o brilho silencioso da vida que viveram. Maria Salomé Gomes — a eterna Dona Lica — pertence a esse seleto grupo de figuras que, mesmo décadas após sua partida, continuam presentes na lembrança afetiva de um povo inteiro. Se estivesse entre nós, comemoraria neste mês de outubro seus 117 anos. Partiu em 1992, aos 83, mas deixou um legado que nem o tempo, nem o silêncio, nem a saudade conseguem apagar.

Nascida em 28 de outubro de 1908, no sítio Saco dos Queiróz, era filha de Francisco Gomes da Silva e Maria Francelina da Conceição. Vinda de uma família simples de cinco irmãos, cresceu entre o cheiro da terra molhada, o batuque das tradições sertanejas e o calor de um lar que carregava, em cada gesto, o valor da simplicidade e da dignidade.

Ainda adolescente, mudou-se para Afogados da Ingazeira, cidade que, sem imaginar, ganharia ali uma de suas personagens mais emblemáticas. Trabalhou como zeladora no antigo Ginásio Pinto de Campos e dedicou anos de sua vida ao movimentado Cine Pajeú, onde foi funcionária até sua aposentadoria. Porém, se sua presença era marcante nesses espaços, foi na cozinha que ela realmente se tornou inesquecível.

A culinária de Dona Lica atravessou fronteiras simbólicas. Era admirada por visitantes, autoridades, viajantes e, sobretudo, pelos filhos de Afogados da Ingazeira, que encontravam em seus pratos um sabor impossível de replicar. Mulher de estatura mediana, tez morena, traços marcados pela forte descendência indígena, ela cozinhava não apenas com técnica, mas com alma. Cada panela era um gesto de afeto; cada prato, uma história.

Não foram poucos os convites que recebeu para trabalhar em grandes cidades. A própria primeira-dama de São Paulo, Leonor de Barros, esposa do então governador Ademar de Barros, tentou levá-la para o sudeste. Chegaram até propostas dos Estados Unidos, reconhecimento raríssimo para uma cozinheira sertaneja no início do século XX. Mas Dona Lica recusou todas as oportunidades. E recusou por amor: não deixaria seu filho Carlos para trás. Escolheu ficar. Escolheu sua terra. Escolheu sua gente.

Construiu uma família forte e afetuosa. De sua união nasceram quatro filhos: Antônio Gomes,
Neuza de Melo Tavares, José Francisco do Nascimento e Francisco Carlos Gomes.

Para eles, foi porto seguro. Para a comunidade, foi referência de dedicação, amizade e generosidade.

Mesmo sofrendo por longos anos com problemas cardíacos, manteve-se firme, trabalhando, acolhendo e repartindo sua mesa como quem distribui bênçãos. Em 27 de abril de 1992, seu coração, tão grande e tão exigido pela vida e pelos afetos, finalmente repousou. Foi sepultada no Cemitério São Judas Tadeu, deixando a cidade envolta em profunda comoção.

Mas a história de Dona Lica não terminou ali. Ela se perpetuou no imaginário coletivo de Afogados, nos relatos de quem provou seus pratos, nas conversas à sombra das calçadas, no orgulho de um povo que reconhece quem ajudou a construir sua identidade.

Dona Lica não foi apenas uma cozinheira. Foi um símbolo cultural, um patrimônio afetivo, uma mulher à frente de seu tempo que, com seu talento e sua humildade, mostrou ao mundo que grandeza não depende de títulos, e sim de legado.

E o dela permanece — vivo, forte, inesquecível — como o perfume de uma panela que acabou de ser aberta na cozinha do sertão.

*Professor universitário aposentado e memorialista!

Sentença Definitiva Confirma Nulidade da Exoneração e Determina Reintegração da Procuradora-Geral da Câmara Municipal de São José do Egito

A Justiça de São José do Egito proferiu, nesta terça-feira (25/11), sentença definitiva no Mandado de Segurança impetrado por Hérica de Kássia Nunes de Brito, então Procuradora-Geral do Poder Legislativo Municipal, confirmando integralmente a decisão liminar anteriormente concedida e declarando nula a Portaria nº 81/2025, que havia determinado sua exoneração sob a alegação de nepotismo.

A sentença, assinada pela Juíza de Direito Tayná Lima Prado, reconhece que não houve qualquer prática de nepotismo no caso concreto, afastando expressamente a justificativa usada pelo Presidente da Câmara ao exonerar a servidora comissionada.

Segundo a magistrada, os autos demonstraram que o vereador José Albérico Nunes de Brito — irmão da Impetrante — não exerce cargo de direção, chefia ou assessoramento, tampouco integra a Mesa Diretora, não possuindo poder hierárquico, de nomeação ou influência administrativa que pudesse caracterizar a vedação contida na Súmula Vinculante nº 13 do STF.

O decisum destaca ainda que:

Não houve qualquer demonstração de influência política apta a configurar nepotismo;

O cargo exercido pela Impetrante é de Procuradora-Geral, função técnica, com nomeação baseada em qualificação profissional comprovada;

A alegação de nepotismo foi usada como motivação expressa na portaria, mas sem qualquer suporte fático ou jurídico — o que atrai a aplicação da Teoria dos Motivos Determinantes, tornando o ato administrativo nulo por falta de adequação e veracidade dos motivos declarados;

A atuação do Ministério Público, citada pelo Presidente da Câmara para justificar a exoneração, não autorizava ato arbitrário, tampouco dispensava a análise concreta de legalidade.

Diante disso, a Juíza concedeu definitivamente a segurança, determinando:

1. A declaração de nulidade da Portaria nº 81/2025

por ausência de motivação válida e violação aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade.

2. A reintegração definitiva de Hérica de Kássia Nunes de Brito

ao cargo de Procuradora-Geral do Poder Legislativo Municipal de São José do Egito,
com todos os direitos e vantagens inerentes ao cargo, tornando definitiva a medida liminar anteriormente deferida.

3. A condenação da autoridade coatora ao pagamento das custas processuais.

Em razão de vedação sumular, não houve condenação em honorários advocatícios.

A sentença ainda ressalta que a decisão não está sujeita ao reexame necessário e que, embora caiba recurso, os fundamentos jurídicos adotados estão fortemente amparados pela jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal sobre o tema.

Com a publicação da sentença, o processo aguarda apenas o trânsito em julgado.

Entrega da Ponte do Rio Morno e formalização do Município Mais Seguro

A Prefeitura do Recife informa que o prefeito João Campos participa, nesta quarta-feira (26), de duas agendas importantes. A primeira será a entrega da Ponte do Rio Morno, nova estrutura que melhora a mobilidade entre Beberibe e Dois Unidos e integra o conjunto de obras da via radial que ligará a Agamenon Magalhães à BR-101. A ponte possui 30 metros de extensão, 14 metros de largura, ciclovia, passeios e novas conexões viárias no entorno.

Em seguida, o prefeito estará no Compaz Governador Eduardo Campos, bairro da Linha do Tiro, para a formalização da adesão do Recife ao programa Município Mais Seguro, iniciativa do Ministério da Justiça que fortalece a atuação das guardas municipais. Na ocasião, serão detalhados os investimentos, doações de equipamentos e ações de capacitação que o Recife passa a receber dentro do programa.

Coluna do Finfa

Filiação do deputado federal Fernando Monteiro fortalece PSD de Pernambuco no Congresso Nacional

Nesta terça-feira (25), em evento realizado em Brasília, sob o comando da governadora Raquel Lyra — que preside o Partido Social Democrático em Pernambuco (PSD-PE) — , e Gilberto Kasab, presidente nacional da sigla, o deputado federal Fernando Monteiro oficializou a filiação ao time que está mudando Pernambuco do Litoral ao Sertão.

“Tenho buscado sempre mostrar o quanto o PSD é forte. Conseguimos unir pessoas que pensam diferente, mas convergem no propósito de defender valores republicanos e democráticos. Fernando chega para somar e representar o nosso governo e os interesses do povo de Pernambuco na Câmara, mas também para fortalecer a chapa do nosso partido em 2026. É um lindo caminho a ser trilhado pela frente, e fico muito feliz de ter ao nosso lado um deputado sério e competente”, ressaltou a governadora e presidente estadual da legenda, Raquel Lyra.

Maior partido de Pernambuco, o PSD já recebeu mais de 70 prefeitos, e cresce mais a cada dia. A chegada do parlamentar à sigla corrobora com as articulações e os diálogos que vêm sendo feitos com líderes políticos de todas as regiões do estado. Fernando Monteiro destacou que está confiante, e reforça que chega à legenda para colaborar de maneira proativa, tanto na atuação no Congresso, como nas articulações e fortalecimento da gestão.

“A principal razão que me traz aqui hoje é garantir que Pernambuco vai continuar crescendo. Sei do olhar da governadora para quem mais precisa, e não podemos retroceder. Converso com Kassab há mais de dez anos, sempre buscando a convergência, mas por um ou outro motivo, não tive a oportunidade de estar nesse lugar. Dessa vez não tinha como ou porque negar. É um projeto sólido, com grandes lideranças, e aqui me sinto acolhido. Os grandes motes desse momento são amizade e união, e assim seguiremos com foco total na luta pelos interesses dos pernambucanos”, afirmou o parlamentar.

O embarque de outros mandatários e líderes políticos proeminentes em suas bases é esperado nos próximos meses. O  resultado final deve ser uma chapa competitiva, que deve garantir grande representação da legenda na Câmara Federal, e na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O fortalecimento dos quadros do partido vai de encontro às movimentações nacionais do PSD, que tem alcançado um grande crescimento nos últimos pleitos, e deve alcançar um desempenho histórico em 2026, como elencou Gilberto Kassab. “Esse movimento para trazer Fernando Monteiro está sendo feito há algum tempo. Foi graças à governadora que conseguimos fechar de vez essa parceria, e agora ele fará parte da bancada que elegerá mais de 100 deputados em 2026. É um movimento importante, para fortalecimento das nossas lideranças e consolidação do grande momento que o partido vive”, reforçou.

O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, também comemorou a filiação, desejando boa sorte a Monteiro. “Quero só reforçar a alegria que sinto por celebrar esse momento. Não foram poucas as vezes que tentamos construir um cenário em que o partido é liderado por uma grande líder, como Raquel, e recebe um quadro com a envergadura de Fernando, um parlamentar respeitado, que capitaneia a representação de Pernambuco na bancada do PSD. O espaço do partido no Congresso estava vazio desde que saí para ocupar o ministério, mas ele assumirá esse papel de maneira ilustre”, disse.

O evento foi prestigiado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e José Múcio Monteiro (Defesa); além do secretário da Casa Civil de Pernambuco, Túlio Vilaça; o vice-presidente do PSD-PE, André Teixeira Filho; lideranças de diversos estados, e parte da bancada federal do PSD, reforçando a união e consonância do partido, que deverá fortalecer suas trocas e aprendizados na Câmara.

SOBRE FERNANDO MONTEIRO – Fernando Monteiro é natural do Recife, tem 49 anos, e está no terceiro mandato como deputado federal por Pernambuco. Em 2022, foi reeleito com 99.751 votos. Na Câmara dos Deputados, é membro da Comissão de Finanças e Tributação, da Comissão Especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde e da Comissão de Desenvolvimento Urbano.

Álvaro Porto se reúne com Aécio Neves para tratar de 2026

Deputado federal mineiro assume presidência nacional do PSDB nesta quinta-feira (27)

O presidente estadual do PSDB-PE, deputado Álvaro Porto, reuniu-se nesta terça-feira (25.11), em Brasília, com o deputado federal Aécio Neves (MG) para tratar de questões relacionadas à preparação da legenda para a disputa eleitoral de 2026.

Aécio assume a presidência nacional da sigla nesta quinta-feira (27.11), após eleição meramente protocolar. Além dele, Paulo Abi-Ackel (MG), deputado federal e secretário-geral do PSDB, participou do encontro.

De acordo com Porto, os dirigentes nacionais receberam informações sobre a restruturação do partido em Pernambuco e o processo de formação de chapas para as eleições.

“Conversamos sobre estratégias e atividades partidárias para este e para o próximo ano. Foi um reunião para apresentar ideias, ouvir sugestões e alinhar posicionamentos da legenda em relação ao estado e ao país”, afirmou. “Estamos ainda mais motivados para fortalecer o PSDB em Pernambuco, com diálogo e trabalho”, completou Álvaro Porto.

Michelle chora, diz que ora por Moraes e pede ao PL que não antecipe 2026


Em reunião fechada com a bancada parlamentar do PL, na tarde desta segunda-feira (24), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chorou e fez um apelo para que não sejam antecipadas discussões sobre a escolha do candidato da direita à Presidência da República em 2026.

Segundo relatos feitos à CNN Brasil por pessoas presentes, Michelle teria se emocionado ao relatar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmado que é quem mais sofre com a situação.

Ela chegou a tratar o processo contra seu marido como uma “guerra espiritual”e, embora tenha se referido às decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) como cruéis, revelou que tem orado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do plano de golpe.

Michelle e o vereador Carlos Bolsonaro (PL) relataram preocupação com a saúde do ex-presidente e o temor sobre uma piora do quadro durante sua prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Ambos registraram dificuldade de Bolsonaro de dormir, os efeitos dos medicamentos e as dificuldades sobre o refluxo, que obrigam o ex-presidente a mudar constantemente de posição durante o sono.

De acordo com relatos, Michelle se queixou de falas desencontradas de políticos bolsonaristas e de que “muita gente” estaria querendo se aproveitar do “momento difícil” da família.

Por fim, fez uma cobrança: não é hora, na visão dela, de colocar o foco nas eleições presidenciais de 2026. Nem, muito menos, de pressionar ou tirar o protagonismo de Bolsonaro.

As falas de Michelle convergem com o diagnóstico do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). À CNN Brasil, Carlos disse que entregar o espólio político do pai neste momento seria “trair o povo”.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, vinha em uma linha diferente imediatamente antes da prisão do pai.

Fiscalização não é inimiga da população; e o vereador de Triunfo erra ao sugerir o contrário

Por André Luis – Jornalista do blog do Nill Júnior

A recente fala do vereador Márcio de Selminha, durante a sessão da Câmara de Triunfo dessa segunda-feira (24), expõe um problema recorrente no debate público brasileiro: a tentativa de transformar políticas de fiscalização em vilãs, como se o cumprimento da lei fosse opcional ou dependesse de conveniências locais.

Ao criticar a presença de blitzes do Detran no município, o vereador sustenta que as operações seriam “desnecessárias”, “exageradas” e prejudicariam o comércio, mototaxistas e moradores da zona rural. Mas sua argumentação não resiste ao mínimo confronto com os fatos, com a legislação e com a realidade da segurança viária no país.

Blitz não atrapalha; blitz salva vidas

A fiscalização de trânsito é uma obrigação legal do Estado e está amparada pelo Código de Trânsito Brasileiro. Blitzes não são realizadas para “danificar o comércio”, como sugeriu o vereador, mas para prevenir acidentes, coibir irregularidades e proteger vidas.

Se há motoristas com medo de passar em operações, a pergunta que deveria ser feita é: medo de quê? De serem flagrados sem capacete? Sem habilitação? Conduzindo motos irregulares?

Não se trata de perseguição, trata-se de política pública de segurança.

Ao dizer que é “exagero o Detran dentro do município” e pedir que o Executivo impeça a atuação do órgão, o vereador dá um passo além do debate político e ingressa em terreno jurídico arriscado. O Detran tem competência estadual e autonomia para fiscalizar em qualquer município de Pernambuco.

Sugerir que o prefeito “resolva esse problema” é ignorar, ou fingir ignorar, que nenhum gestor municipal tem poder para impedir a atuação de órgãos estaduais de fiscalização.

O argumento econômico não se sustenta

O vereador afirma que operações prejudicam o comércio e o trabalho dos mototaxistas. Mas se a atividade econômica depende da não fiscalização, algo está errado.

Comércio forte não se faz com trânsito irregular. Mototaxistas sérios não precisam temer blitz — ao contrário, ganham quando o serviço é ordenado e quem trabalha corretamente não é obrigado a competir com motoristas ilegais.

“Até quem tem habilitação tem medo”: um retrato da desinformação

A frase revela o cerne do problema: a transformação de uma política de segurança em instrumento de pânico.

Blitz não pune quem está regular. Multa não “cai do céu”. Fotografia de infração não é abuso; é procedimento reconhecido em lei.

E o argumento de que muitos “perdem a carteira” porque o garupa não usa capacete é uma inversão preocupante: a penalidade existe justamente porque andar sem capacete mata.

Fiscalização noturna? Sim, mas não só

O vereador afirma que a maioria das “irresponsabilidades” ocorre à noite, insinuando que fiscalizar durante o dia seria inútil. Essa generalização não tem base técnica. Acidentes acontecem a qualquer hora. Irregularidades também.

A lógica da fala é simples: fiscalize, mas não quando houver gente circulando. A proposta, na prática, anula a política.

O papel de um vereador não é estimular o descumprimento da lei

Ao afirmar que a fiscalização deveria ser retirada do “meio da cidade”, o vereador flerta com a ideia de que Triunfo merece um regime de exceção no trânsito. Não merece — e não pode.

Em vez de incentivar o respeito às normas, a fala acaba estimulando a ideia de que cumprir o básico — ter habilitação, usar capacete, estar com a moto regular — é um fardo injusto.

Triunfo não precisa de menos fiscalização; precisa de mais responsabilidade

A população tem direito a um trânsito seguro. Motociclistas têm direito a trabalhar com ordem. Comerciantes têm direito a uma cidade organizada.

Criticar o Detran pela simples realização de seu trabalho enfraquece o debate e alimenta narrativas que, no limite, colocam vidas em risco.

Fiscalização não é inimiga da economia, do trânsito ou da cidade. É instrumento de proteção. E quem ocupa um cargo público deveria ser o primeiro a reconhecer isso — não o primeiro a tentar deslegitimá-la.