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União Europeia procura Itamaraty para discutir situação da Venezuela

CNN Brasil – Diante do impasse eleitoral na Venezuela, chanceleres da União Europeia têm buscado o Brasil para compreender o cenário político no país comandado por Nicolás Maduro.

Nos últimos dias, o chanceler Mauro Vieira foi procurado mais de uma vez pelo ministro de Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares. Na última quinta-feira (1º), o ministro também conversou com o Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Segurança, Josep Borrell.

Em comunicado recente, a União Europeia se posicionou na mesma linha que o Brasil. Cobrou transparência na divulgação dos resultados das eleições presidenciais. Diferentemente dos Estados Unidos, a UE não reconheceu a vitória do candidato da oposição, Edmundo Gonzalez.

No Chile, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve nesta segunda-feira (5) o mesmo discurso adotado pelo Itamaraty. A expectativa é de que, após retorno ao Brasil, o petista converse por telefone com Maduro.

O Brasil tem trabalhado com México e Colômbia por um posicionamento comum. O governo brasileiro cogita, inclusive, enviar o chanceler Mauro Vieira para a Venezuela na tentativa de demover o presidente venezuelano.

Venezuela rompe relações com países vizinhos e isolamento pode fortalecer Maduro

CNN Brasil – As eleições na Venezuela causaram um terremoto político na região. Com algumas exceções – entre as quais só se contam Cuba, Nicarágua e Bolívia – a maioria dos países da América e da Europa exigiram transparência do governo de Nicolás Maduro na publicação dos resultados.

No entanto, havia nuances. Enquanto alguns chegaram ao ponto de ignorar os números publicados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e apelaram a ações conjuntas visando o “respeito à vontade popular”, outros – países centrais devido ao seu papel na região e às suas fronteiras com a Venezuela, como Brasil, Colômbia e até México – optaram pela moderação.

Na segunda-feira, o Governo de Maduro redobrou a aposta contra aqueles que questionavam os resultados oficiais e anunciou, através de um comunicado, que expulsaria o corpo diplomático da Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai.

“É uma situação atípica para as regulamentações diplomáticas e aduaneiras; Não está contemplado nem na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas nem nas Convenções de Caracas ou Montevidéu sobre asilo. É uma suspensão das relações diplomáticas sem romper as relações diplomáticas”, explicou à CNN o ex-vice-chanceler da Argentina e ex-embaixador do país na ONU Fernando Petrella.

Eleição contestada: OEA aponta indícios de distorção e não reconhece vitória de Maduro

Manifestantes queimam banner durante protesto em Caracas, no dia 30 de julho de 2024, um dia após a eleição presidencial na Venezuela

A Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou nesta terça-feira (30) não reconhecer o resultado das eleições presidenciais anunciado pela Justiça eleitoral venezuelana, que indica vitória do presidente do país, Nicolás Maduro.

Em relatório feito por observadores que acompanharam o pleito, realizado no domingo (28), a OEA diz haver indícios de que o governo Maduro distorceu o resultado.

Um dos principais indícios, segundo o documento, foi a demora na divulgação dos resultados apesar de o país ter urnas eletrônicas. O texto afirma também ter havido relatos de “ilegalidades, vícios e más práticas”.

O relatório concluiu que o Centro Nacional Eleitoral (CNE), a principal autoridade eleitoral da Venezuela, comandada por um aliado do governo venezuelano, proclamou Maduro como vencedor sem apresentar os dados para comprovar o resultado e afirmou que os únicos números divulgados em canais oficiais revelam “erros aritméticos”.

“Mais de seis horas após o encerramento da votação, o CNE fez um anúncio […] declarando vencedor o candidato oficial, sem fornecer detalhes das tabelas processadas, sem publicar a ata e fornecendo apenas as porcentagens agregadas de votos que as principais forças políticas teriam recebido”, diz o texto.

O relatório da OEA também afirmou que o regime venezuelano aplicou “seu esquema repressivo” para “distorcer completamente o resultado eleitoral”.

“Ao longo de todo este processo eleitoral assistimos à aplicação por parte do regime venezuelano do seu esquema repressivo complementado por ações destinadas a distorcer completamente o resultado eleitoral, colocando esse resultado à disposição das mais aberrantes manipulações”.

Órgão eleitoral declara vitória de Maduro; oposição denuncia fraude

g1 – O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) informou na madrugada desta segunda-feira (29) que, com 80% dos votos apurados, Nicolás Maduro foi o vencedor das eleições presidenciais realizadas no domingo (28).

Segundo o CNE, liderado por um aliado do presidente venezuelano, Maduro teve 51,2% dos votos, e o principal candidato da oposição, Edmundo González, 44%. O resultado indica uma diferença de 704 mil votos entre os dois candidatos. A última atualização foi na madrugada de segunda, quando o site do CNE saiu do ar –como os dados finais ainda não foram divulgados, esses números devem mudar.

Minutos após a divulgação do resultado, Maduro disse, em discurso a apoiadores em frente ao Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, que sua reeleição era o triunfo da paz e da estabilidade.

“O povo disse paz, tranquilidade. Fascismo na Venezuela, na terra de Bolívar e Chávez, não passará”, disse Maduro.
Com o resultado, Maduro – um ex-motorista de ônibus de 61 anos que se tornou chanceler da Venezuela – deve permanecer mais seis anos no poder em Caracas, chegando a 17 anos no comando do país. Hugo Chávez governou a Venezuela por 14 anos até sua morte, em 2013.

Oposição contesta resultado

A oposição, que tem denunciado irregularidades, contestou os números divulgados pelo CNE, e informou calcular que Edmundo González teve 70% dos votos, e Maduro, 30%. Resultados de duas pesquisas de boca de urna divulgadas pela agência Reuters indicavam vitória de Gonzáles com larga vantagem.

“Queremos dizer ao mundo que a Venezuela tem um novo presidente eleito e é Edmundo González”, disse Maria Corina Machado, a líder da oposição que foi impedida pelo regime de Maduro de disputar a eleição.

Em breve discurso, González – que assumiu a candidatura após o impedimento de Maria Corina – disse que “não descansaremos até que a vontade popular seja respeitada”.

Campanha eleitoral na Venezuela chega ao fim marcada pela polarização

Com mobilizações e concentrações de uma ponta a outra da capital venezuelana, o partido no poder e a oposição mediram forças no encerramento da campanha eleitoral, nesta quinta-feira (25). O presidente Nicolás Maduro tenta ser reeleito para um terceiro mandado na eleição de domingo (28).

Nas semanas anteriores, a campanha foi dominada pela polarização e pela tensão. Maduro chegou a dizer que uma vitória da oposição, liderada por María Corina Machado com a candidatura de Edmundo González, poderia desencadear um “banho de sangue” no país.

O governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) convocou para quinta-feira a “tomada da Grande Caracas”, com marchas e eventos em diferentes partes da cidade.

Já a oposição, que promete mudanças para a Venezuela após 25 anos de governos socialistas, convocou os seguidores para um comício em um bairro de classe média.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, Corina Machado aproveitou para agradecer a todos que acompanharam a jornada da campanha pelo país, além das mensagens de “mudança” e “liberdade”.

“Isto vai ficar para a história”, disse a dirigente, garantindo que a campanha da oposição “foi o movimento cívico mais profundo que a Venezuela já teve”.

“Vivemos o encerramento de um ciclo e o nascimento de uma nova era”, acrescentou.

O candidato da oposição, Edmundo González, descreveu a campanha como “heroica” e afirmou que tudo foi possível graças “à união de todas as forças democráticas e à liderança de María Corina Machado”.

González, um ex-diplomata de 74 anos, foi nomeado em março candidato da oposição. Isso se deu após a Controladoria-Geral da República impedir Corina Machado de concorrer.

Analistas e observadores afirmam que, nestas eleições, a oposição venezuelana tem possibilidades reais de vencer.