Press "Enter" to skip to content

Últimas publicações do quadro “Afogados da Ingazeira”

Governo publica edital para construção da Seção do Corpo de Bombeiros em Afogados da Ingazeira

A Companhia Estadual de Habitação e Obras (CEHAB) publicou o edital de licitação para a construção da Seção do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco em Afogados da Ingazeira. A nova unidade será viabilizada com recursos do Governo do Estado, como parte das ações voltadas à ampliação da estrutura de segurança pública no interior.

Os assessores especiais do Governo de Pernambuco, Danilo Simões e Edson Henrique, participaram da articulação institucional para viabilizar a obra e acompanharam a publicação do edital. A unidade do Corpo de Bombeiros atenderá não apenas Afogados, mas também os municípios vizinhos da região do Pajeú.

“A presença do Corpo de Bombeiros representa um avanço na capacidade de resposta a emergências, incêndios e situações de risco. É uma demanda antiga da população que agora começa a se concretizar”, afirmou Edson Henrique, que tem atuado junto à Casa Civil e outros órgãos estaduais.

Danilo Simões destacou o direcionamento de recursos para o Sertão. “A governadora Raquel Lyra tem priorizado investimentos no interior. A construção dessa unidade mostra que o Sertão está inserido nas decisões estruturantes do Estado”, disse.

A publicação do edital marca o início do processo para a instalação da unidade, com previsão de início das obras após a conclusão da licitação. A medida é considerada um avanço na política de descentralização dos serviços de segurança e atendimento emergencial.Blog do Nill Júnior

João Carlos Acioly – Um legado que a fé esculpiu no coração do Pajeú

*Por Rinaldo Remígio

Entre as montanhas e planície do Sertão do Pajeú, onde o céu parece tocar a alma e a terra guarda histórias de fé, resistência e esperança, nasceu um homem cuja vida foi mais que uma travessia – foi um testemunho. Monsenhor João Carlos Acioly Paz, partiu aos 61 anos, deixando um legado que se escrever com tintas de eternidade nas páginas da história de Afogados da Ingazeira, da Diocese de Afogados, e dos corações que o conheceram.

Nascido em 10 de julho de 1960 no distrito de Jabitacá, em Iguaracy, o Monsenhor João Carlos já trazia no nome a firmeza de um apóstolo e a leveza de quem carregaria o peso do mundo sem reclamar. Filho do Senhor Pedro Severo e Dona Cordeira, formou-se na simplicidade da roça, na dignidade do trabalho e na fé que se aprende mais com os olhos que com os livros.

Trabalhou ainda menino, vendendo chinelos, ajudando na panificadora de Severino Lolô – quem viveu em Afogados sabe o quanto essa padaria alimentou não só estômagos, mas memórias. A vida, contudo, não lhe foi leve. Uma atrofia na perna esquerda, causada por uma reação a vacina contra poliomielite e agravada por um acidente de moto, poderia ter limitado seus passos. Mas não limitou seus sonhos. Fez da sua dor, bandeira. E da sua limitação, força. Lutou pelos que sofriam o preconceito das deficiências. Era ali, na sua marcha compassada, que Deus mostrava o que é andar com propósito.

A vocação sacerdotal o encontrou ainda jovem. Foi acolhido por Dom Francisco, que o tratou como filho. E como filho da fé, João Carlos vestiu a batina e jamais a deixou enrugar nos cabides da omissão. Em mais de 37 anos de sacerdócio, foi mais que pároco. Foi construtor de templos e de almas. Esteve à frente das paróquias de Afogados, Iguaracy, Flores e Tuparetama, sendo sempre mais que um administrador: era um pastor que conhecia suas ovelhas pelo nome.

Estudioso, tornou-se Doutor em Direito Canônico pelo prestigiado Instituto Superior do Rio de Janeiro. Presidiu o Tribunal Eclesiástico do Regional Nordeste II da CNBB com o rigor de quem conhece a lei e a misericórdia de quem conhece o Evangelho. Sua inteligência era do tamanho de sua humildade, e sua firmeza nunca veio descolada da ternura.

No campo educacional, foi decisivo para a consolidação da FAFOPAI, atual FASP. Sonhava com um Sertão que pensasse, que refletisse, que tivesse universidade própria. Como professor, deixou discípulos; como gerente administrativo, deixou estrutura; como visionário, deixou sementes.

Também fez história na comunicação. Na Rádio Pajeú, foi gestor e articulador, dando voz à esperança e à fé do povo. Como Presidente da Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios, cultivou a identidade e o patrimônio do sertanejo. E como Vigário Geral da Diocese, foi conselheiro leal de bispos como Dom Luis Pepeu e Dom Egídio Bisol, com quem partilhou caminhos e decisões.

Nos bastidores da vida pastoral, João Carlos foi também confidente de famílias, orientador de casais, amigo dos aflitos. Seu dom era o da escuta. E sua força vinha de uma oração silenciosa, feita entre as paredes do presbitério e o coração do povo.

Conheci João Carlos ainda na adolescência, no auge da juventude, estudamos juntos no Colégio Normal, rapaz extrovertido, gentil, estudioso. Dividimos amizades, sorrisos e a alegria dos bailes no ACAI. Ninguém poderia prever ali que o menino risonho seria um sacerdote tão sério, tão comprometido, tão essencial. A vida, com seus mistérios, já o moldava para uma missão maior.

Hoje, Afogados da Ingazeira não tem mais o Padre João Carlos fisicamente, mas o o tem na memória. Porque, as memórias dele são muitas: um gesto acolhedor no confessionário, uma palavra firme no púlpito, um olhar sereno nas decisões difíceis. Deixa-nos não apenas a lembrança de um homem bom, mas o exemplo de um cristão completo.

Foi padre, foi doutor, foi líder, foi amigo, foi conselheiro. Mas, acima de tudo, foi servo. E serviu com alegria até o fim, mesmo enfrentando dois anos de luta contra o câncer com a mesma fé inabalável com que enfrentou a vida.

Fica aqui minha singela homenagem, com gratidão por tudo o que ele foi para tantos. Sua voz silenciou, mas sua obra ecoa – no altar, na sala de aula, no rádio, nas ruas, na história de um povo que hoje se curva, em respeito, diante de seu maior sacerdote.

*Professor universitário e memorialista!

Prefeito Sandrinho envia à Câmara projeto de regulamentação dos aplicativos de moto em Afogados da Ingazeira

Blog Juliana Lima

O prefeito Sandrinho Palmeira encaminhou à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei Ordinária nº 008/2025 que regulamenta o serviço de moto-táxi, extensivo à categoria de transporte individual de passageiros, realizado exclusivamente por profissionais que possuam permissão do poder publico para atuar na cidade de Afogados da Ingazeira.

O Projeto de Lei prevê que os serviços poderão ser realizados por meio de solicitação direta do passageiro, assim como por meio de aplicativo de passageiros, a exemplo do 99, que já atua na cidade com grande movimentação de usuários cadastrados.

“Considera-se aplicativo de passageiros, para os fins desta lei, aquele que tenha conexão com a Internet e exija o pré-cadastro do usuário do serviço, assim como o prestador do serviço”, diz a lei, que também versa sobre a fiscalização na cidade.

“No caso de a fiscalização flagrar o exercício da atividade de moto-taxista por pessoa não autorizada pelo Poder Público Municipal, será apreendido o veículo, assim como será imposta multa no valor de um salário mínimo”.

Confira o Projeto de Lei na íntegra:

Projeto de lei ordinária nº 008.2025

Afogadense reclama da Secretaria Municipal de Saúde de Afogados da Ingazeira

Encontrei agora a pouco, na Rua Décio Campos no centro de Afogados da Ingazeira, o afogadense Alberto Guimarães, conhecido por Pançudo, que tinha acabado de chegar com o seu sobrinho Clebison Guimarães, conhecido por Primo, que está acometido de um surto psiquiátrico, e Pançudo relata do foi ao CAPS e lhe mandaram para o Postinho do Borges, e lá ficou marcado a consulta para a Drª Fátima, para o próximo dia 22 de agosto.

Daniel Bueno: O Cantador que escreveu sua história em notas e palavras

*Por Rinaldo Remígio

Era uma vez um menino chamado Roberval Medeiros, que em janeiro de 1971 chegou a Afogados da Ingazeira ainda com 10 anos no rosto e um universo inteiro de sonhos no peito. Mal sabia ele que aquela terra sertaneja, quente de sol e rica de cultura, se tornaria a moldura do início de sua jornada artística.

Já era ouvinte da Rádio Pajeú, essa velha senhora que embalou tantas gerações, quando começou a participar timidamente, respondendo perguntas do “Waldecy Menezes Show”. Era o rádio o seu primeiro palco, e as palavras, suas primeiras companheiras de cena. Aos 15 anos, Daniel ingressou na própria emissora como estagiário — produtor, repórter, curioso das coisas do mundo e das pessoas.

Mas o menino queria mais. Tinha música nas veias e poesia no coração. E foi assim que, em 1984, sua “Canção para Dom Hélder” venceu o Festival Pernambuco Música Hoje, gravada no Conservatório Pernambucano de Música. Era o talento começando a ganhar corpo e voz.

Idealista e movido por paixão, fundou em Afogados o grupo Ideal Jovem e criou o FERCAN – Festival Regional da Canção. Ali, incentivava outros jovens sonhadores como ele, provando que o Sertão também sabe cantar alto e bonito.

Em 1987, seguiu o caminho de tantos nordestinos e partiu para a capital: Recife. Mas ao contrário de quem se perde na multidão, encontrou seu espaço. Passou pela Rádio Olinda e pelo Jornal do Commercio, até que um chamado mais forte falou mais alto: A MÚSICA.

Deixou o rádio para trás, mas nunca as palavras. Com o violão nas mãos e as melodias na alma, registrou-se com DANIEL BUENO (por sugestão da gravadora) gravou dois LPs, 15 CDs e escreveu cinco livros que misturam música, história e memória, e, ainda compôs alguns cordéis de natureza linguistica, inspiração que captou dos poetas repentistas. Também foi o idealizador e produtor do Festival Nacional da Seresta do Recife, evento que há três décadas resiste como um oásis de romantismo em tempos de pressa.

Foi nesse festival que não apenas homenageou, mas dividiu microfone com ícones da música brasileira: Benito di Paula, Agnaldo Timóteo, Núbia Lafayette, Cauby Peixoto, Ângela Maria — como se a vida lhe devolvesse, em duetos, tudo o que ele entregou de alma à música.

E seguiu compondo. Sua canção mais recente, “Oásis do Meu Deserto”, nasceu da parceria com ninguém menos que Michael Sullivan — um encontro de talentos, uma declaração de que a boa música ainda tem chão para caminhar.

É mais que um cantor. É meu amigo, torcedor do querido Santa Cruz Futebol Clube do Recife, cronista de emoções, compositor de melodias, construtor de pontes entre o sertão e o mundo. Um artista que fez da vida uma canção — e da canção, uma forma de vida.

Porque há homens que passam e há homens que marcam. Ele está entre os que ficam, entre os que, como o nome já diz, fazem bem. E fazem bonito.

*Professor universitário e memorialista!