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Últimas publicações do quadro “Afogados da Ingazeira”

Exclusivo: Dr. Roberto Vicente será candidato em 2028 em Afogados da Ingazeira

Em conversa com este blogueiro nesta quarta-feira (09), o médico Dr. Roberto Vicente,profisssional muito querido na cidade, confimou que nas próximas eleições municipais de Afogados da Ingazeira, estará pleiteando um cargo.

“Já conversei com Danilo Simões e acertamos que estarei no seu grupo político em 2028, o cargo veremos futuramente” disse Dr. Roberto. Foto: Finfa

Em primeira mão: Governo de Pernambuco reforça presença no Pajeú com novas lideranças na Casa Civil

Por articulação do deputado Romero Sales Filho, Danilo Simões e Edson Henrique passam a integrar a equipe do Governo do Estado, fortalecendo o Sertão do Pajeú no plano de reconstrução de Pernambuco.

Em reunião na Casa Civil, com o secretário Túlio Vilaça e o secretário executivo Yuri Coriolano, foi comunicada a nomeação em breve das duas novas lideranças políticas para cargos estratégicos na estrutura do governo estadual. Danilo Simões e Edson Henrique passam a atuar como Assessores Especiais da Governadora Raquel Lyra.

A iniciativa representa um movimento firme para fortalecer o diálogo institucional com os municípios do Sertão do Pajeú e garantir a presença ativa do governo nas pautas regionais. Romero Sales Filho tem atuado de forma incisiva para catalisar ações e consolidar apoios em torno do plano de reconstrução liderado pela governadora Raquel Lyra, reforçando o compromisso com a interiorização das políticas públicas.

Danilo Simões, filho do ex-prefeito de Afogados da Ingazeira e ex-deputado estadual Orisvaldo Inácio e da ex-prefeita Giza Simões, foi candidato a prefeito em 2024 e lidera um grupo político combativo e representativo. Já Edson Henrique, advogado municipalista, ex-vereador e filho do vereador Zé Negão, é reconhecido pelo trabalho sério e pela dedicação à população de Afogados da Ingazeira. Ambos foram candidatos pela coligação “União Pelo Povo” e simbolizam a renovação e o compromisso com uma nova política para o Sertão.

“Essa articulação representa o fortalecimento do Sertão do Pajeú no centro das decisões. Danilo e Edson conhecem de perto as necessidades do povo e agora terão as condições necessárias para contribuir com a execução de políticas públicas que melhorem a vida de quem mais precisa. É mais Sertão dentro do governo”, destacou Romero Sales Filho.

A entrada dessas lideranças na Casa Civil representa não apenas o reconhecimento de suas trajetórias políticas, mas também um marco para o novo tempo que Pernambuco vive, com presença, escuta e ação efetiva em todo o estado.

 

Conselho rejeita prestação de contas do Fundeb em Afogados da Ingazeira; R$ 5,5 milhões desviados para o IPSMAI

Após rejeição da prestação de contas, o município solicitou reunião extraordinária, onde o prefeito Sandrinho se comprometeu em devolver os recursos, caso determine o TCE-PE.

O Blog Juliana Lima conversou com a presidente do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb em Afogados da Ingazeira, Izilda Sampaio, acerca da rejeição das contas do Fundeb referentes ao 6º Bimestre de 2024.

Izilda explicou que as contas foram reprovadas inicialmente porque a gestão do prefeito Sandrinho Palmeira usou quase R$ 5,5 milhões dos recursos do Fundeb para cobrir débitos atuariais do IPSMAI – Instituto de Previdência dos Servidores Municipais, o que representa desvio de finalidade dos recursos carimbados do Fundeb, que deveriam ter sido rateados entre os professores no final de 2024.

Segundo Izilda, o município repassou exatos R$ 5.496.603,92 da conta do Fundeb para o IPSMAI no ano passado, motivando a abertura de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). A auditoria foi iniciada no último mês de janeiro, mas até o momento o TCE-PE ainda não se manifestou acerca do caso.

Como o município ainda não fez a devolução dos recursos para o Fundeb e nem o TCE-PE emitiu parecer acerca do caso, o Conselho precisou rejeitar a prestação de contas do 6º bimestre de 2024, durante reunião na última quinta-feira (3).

Com a rejeição da prestação de contas, o município ficaria impedido de conseguir recursos via empréstimos ou convênios para a educação, razão pela qual o prefeito Sandrinho Palmeira solicitou uma nova reunião extraordinária para esta sexta-feira (4), onde se comprometeu em devolver todos os valores desviados do Fundeb, caso o TCE-PE assim determine.

“Nós encontramos falhas nas contas do Fundeb e apontamos essas falhas. Como verificamos que o valor que foi transferido para o IPSMAI não tinha sido retornado para a conta do Fundeb, nós rejeitamos essa prestação de conta. Isso causou um mal-estar porque traz alguns transtornos para o município. As transferências constitucionais continuam ocorrendo normalmente, mas as voluntárias ficam bloqueadas. Então, como o conselho não tem interesse nenhum de prejudicar o município, muito menos a educação, resolvemos dá um voto de confiança ao prefeito, que se prontificou caso o tribunal determine que está irregular, ele vai sentar com a categoria e vai ver como ressarcir os profissionais”, explicou Izilda.

Confira a entrevista exclusiva concedida por Izilda Sampaio ao Blog Juliana Lima:

 

João Alves Guimarães ou simplesmente “Santo Antônio, sinômino de fé, arte e cultura de Afogados da Ingazeira

Por Rinaldo Remígio

João Alves Guimarães, com sua história rica e peculiar, é como um personagem que transcende o tempo, encapsulando o espírito e a cultura de uma época no sertão nordestino. Apelidado de “Santo Antônio” pelo seu talento artístico e paixão pela confecção de imagens sacras, sua jornada começou em 21 de julho de 1900, em Afogados da Ingazeira, uma pequena cidade impregnada pela tradição e religiosidade.

Desde a infância, o menino João Guimarães já demonstrava um talento inato para as artes, que se tornou sua marca registrada ao longo da vida. Com apenas 12 anos, teve o privilégio de contribuir para a construção da Catedral Diocesana de sua cidade ao lado do visionário Padre Carlos Cottart, plantando as primeiras sementes de sua conexão com o patrimônio religioso e cultural da região.

Sua vida pessoal foi marcada por altos e baixos, como qualquer boa narrativa humana. Após seu primeiro casamento com Anália Siqueira e o luto que se seguiu, João encontrou uma nova oportunidade de amar ao lado de Dorotea, com quem construiu uma família que perpetua sua memória: Maria Antonieta, Jorge Teobaldo e João Adriano.Funcionário dedicado do DER por 40 anos, sua aposentadoria em 1967 não foi o fim, mas um recomeço. João mergulhou profundamente no mundo do artesanato, se tornando o pioneiro santeiro de Afogados da Ingazeira. Cada escultura, cada pintura, seja em madeira, gesso ou barro, era um testemunho do cotidiano sertanejo e da alma nordestina. Suas obras, incluindo os delicados anjinhos da Catedral e as restauradas imagens sacras, são testemunhos vivos de sua genialidade e sensibilidade artística.

O uso de madeira, gesso e barro refletiam tanto as tradições artesanais quanto os recursos disponíveis em sua época, evidenciando um compromisso com a autenticidade regional.

É importante afirmar que suas esculturas e pinturas frequentemente retratavam aspectos do cotidiano sertanejo. Esse vínculo com sua terra natal e sua gente foi uma fonte constante de inspiração.

João Alves Guimarães, ou melhor, Santo Antonio não foi apenas um artesão; ele foi um cronista do sertão, esculpindo histórias e memórias em cada obra que criou.

Mesmo após seu falecimento em 4 de fevereiro de 1984, vítima de um AVC, seu legado permanece vivo, ecoando nas paredes da Catedral e no coração do povo afogadense.

Com mãos habilidosas e alma generosa, deixou um legado que transcende a arte e invade os corações: o de alguém que, através de sua paixão e trabalho, eternizou o sertão e seus valores. Seu lugar no Cemitério São Judas Tadeu é, na verdade, um marco para que nunca esqueçamos que o verdadeiro artista vive para sempre através de suas obras.

Fonte de Informações: Maria Antonieta (filha)

Fernando Pires um guardião da memória de Afogados da Ingazeira

* Por: Rinaldo Remígio 

Afogados da Ingazeira, uma cidade que guarda histórias e memórias de gerações, tem em Fernando Pires um verdadeiro guardião da sua história. É com grande alegria e admiração que rendemos homenagem a este homem incansável, que dedicou sua vida a preservar a cultura e a história da nossa querida Afogados da Ingazeira.

Fernando Pires é um exemplo de dedicação e paixão pela história e pela sua terra natal. Mesmo após se aposentar do Banco do Brasil e residir na capital pernambucana, ele nunca esqueceu suas raízes e continuou a se preocupar com o progresso e desenvolvimento de Afogados da Ingazeira.

Sua contribuição para a preservação da história da cidade é imensa. Fernando iniciou suas pesquisas há muitos anos, conversando com os habitantes da cidade, fazendo registros fotográficos e entrevistas gravadas. Ele criou um blog e, posteriormente, um mural onde compartilha suas descobertas e registros da história da cidade.

Fernando Pires é um ser humano simples, pacato, caseiro e ético, mas sua contribuição para a história de Afogados da Ingazeira é gigantesca. Ele não apenas escreve a história da cidade, mas também faz parte dela. Os afogadenses nativos e os que por aqui residiram são testemunhas do seu trabalho incansável.

Eu Rinaldo Remigio, gostaria de expressar meu mais sincero agradecimento e admiração pelo trabalho de Fernando Pires. Seu legado será sempre lembrado e celebrado em Afogados da Ingazeira.

Parabéns, Fernando Pires, pelo seu brilhante trabalho! Você é um verdadeiro guardião da memória de Afogados da Ingazeira, e seu legado será eterno.

* Rinaldo Remígio, Administrador de Empresas, Contador, Mestre em Economia, Professor Universitário e Historiador. Estudou e residiu em Afogados da Ingazeira nos 1970 e hoje reside em Petrolina. 

João Campos estará no Congresso Regional do PSB em Afogados da Ingazeira

O Partido Socialista Brasileiro  – PSB, estará realizando no próximo domingo 30 de Março de 2025, o Congresso Regional 2025 em Afogados da Ingazeira , na Associação Atlética do Banco do Brasil, às 09 horas.

O prefeito do Recife, João Campos confirmou presença  entre outras autoridades.

Iniciada a Audiência Pública do Cimpajeú

Iniciou agora a Audiência Pública realiza pelo Consórcio de Integração dos Municípios do Pajeú  – CIMPAJEÚ, para apresentação do Projeto de Parceria Público-Privada (PPP) destinada à celebração de concessão dos serviços de iluminação pública dos municípios de Betânia, Brejinho, Ingazeira, Serra Talhada, Sertânia, Solidão e Triunfo, no Auditório do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). Foto: Finfa

Usina nuclear indesejada

Por Heitor Scalambrini Costa*

O setor nuclear brasileiro tem em sua trajetória um passado nebuloso, repleto de episódios controversos. Desde o contrabando e exportação de areias monazíticas do litoral capixaba/baiano/fluminense, a cabulosa venda de urânio para o Iraque, o legado de morte e contaminação provocado pela Nuclemon (antiga estatal) na extração de minerais radioativos e de terras raras, o secretismo do Programa Nuclear Paralelo/Clandestino, a tragédia do Césio-137 em Goiânia, o enorme passivo ambiental no Planalto de Poços de Caldas/MG e em Caetité/BA, a falta de transparência e de controle social, o recebimento de propinas milionárias por gestores do setor, roubos e sumiços de radiofármacos e de fontes radioativas, inclusive a omissão de informações cruciais para a população sobre ocorrências (por exemplo: vazamentos de água radioativa) nas usinas nucleares em Angra dos Reis.

Estes episódios aprofundaram perante a opinião pública crescente desgaste e descrédito sobre a política nuclear brasileira e de seus gestores, mostrando a falta de controle, fiscalização e transparência. Ficando claro o descumprimento das obrigações e deveres perante a população, além dos privilégios com supersalários.

O perigo potencial da contaminação, provocado pela radiação, desde a mineração, as diversas aplicações e usos, é um tema que afeta a saúde pública e o meio ambiente. E como tal é de interesse da população, que infelizmente não é informada devidamente dos reais riscos, e segue propositadamente alijada destas discussões.

Este histórico desvirtuoso do setor nuclear é no mínimo preocupante diante da decisão que está prestes a ser tomada pelo governo federal sobre a construção da 3a usina nuclear no país. Relançando assim a possibilidade de novas usinas serem construídas, posicionando o país na direção da nuclearização em seu território, e estimulando outros países da América Latina a fazerem o mesmo. Lembrando que somente o Brasil, Argentina e México dispõe hoje de 7 usinas nucleares (Brasil-2, Argentina-3 e México-2).

Será o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da presidência da república nas questões energéticas quem decidirá a construção ou não da usina de Angra 3. Esta obra, que teve início em 1985 em plena ditadura militar, no âmbito do Acordo Brasil-Alemanha, sofreu períodos de descontinuidade na sua construção por diferentes motivos. Todavia os equipamentos já estão comprados desde então, e atualmente obsoletos, diante dos novos requisitos de segurança.

O próprio governo federal está dividido quando o assunto é investir mais de 23 bilhões de reais em um elefante branco, sem maiores discussões com a sociedade, que está à margem desta decisão importantíssima para o presente e o futuro do país. A finalização deste empreendimento está sendo defendida pelo ministro de Minas e Energia, um dos principais, senão o principal lobista pró-nuclear, que tem atuado utilizando o cargo para impor esta insanidade sem tamanho, que é a nucleoeletricidade, em um país que conta com mais de 85% de fontes renováveis em sua matriz elétrica. O ministro tem atuado como um “cavalo de troia” dentro do governo, provocando a cizânia entre ministérios.

O que está em jogo, caso seja autorizado o prosseguimento de Angra 3, não é somente mais uma usina nuclear que o país terá, mas sim “abrir a porteira” para que novas usinas sejam construídas, conforme propõe o Plano Nacional de Energia (PNE2050), que prevê mais 10.000 MW de nuclear na matriz elétrica até meados do século. Além da nuclearização do país, os “negócios do nuclear” miram a possibilidade de que outros países do continente se aventurem na eletricidade nuclear. Uma corrida perigosa, que sem dúvida levará ao desenvolvimento de armas de aniquilação em massa, principalmente diante do atual contexto geopolítico mundial.

Não podemos deixar de mencionar a forte resistência da sociedade civil organizada contrária a nuclearização, cuja proposta é de investir os 23 bilhões de reais em fontes renováveis de energia, e assim mostrar concretamente ao mundo que na transição energética sustentável, não há lugar para as usinas nucleares.

Mais usinas nucleares e avanços na mineração do urânio sem dúvida aumentarão a probabilidade de ocorrências de acidentes. Não há como dar garantias de zero acidentes. E caso ocorram, com a liberação de material radioativo, a radiação ionizante contamina o ar, a terra e a água, provocando desastres catastróficos para a vida.

Respondendo as falácias e mentiras propagadas, motivadas principalmente por questões de interesse econômico, alguns esclarecimentos são necessários:

A energia nuclear é inesgotável, ilimitada. As 2 usinas nucleares do país, assim como a indesejada Angra 3, utilizam a tecnologia PWR (sigla em inglês, que quer dizer Reator a Água Pressurizada), cujo combustível é o urânio 235 (isótopo do urânio encontrado na natureza). Este tipo de urânio, que se presta a fissão nuclear, é encontrado na proporção, em média, de 0,7%. Todavia é necessária uma concentração deste isótopo em torno de 4% para ser usado como combustível. Assim é necessário aumentar o teor do elemento físsil (tecnicamente chamado de enriquecimento). Assim pode-se afirmar que haverá urânio 235, suficiente para mais 30-50 anos, para atender as usinas nucleares existentes com esta tecnologia.

A energia nuclear é barata. Grande mentira amplamente divulgada. Esta fonte de energia elétrica é muito mais cara do que querem nos fazer crer. O custo do kWh produzido pela nucleoeletricidade é superior ao das termelétricas a combustíveis fósseis, e 4 a 6 vezes superior à eletricidade gerada com fontes renováveis. Mesmo não levando em conta, como geralmente o fazem, os custos de armazenagem do lixo radioativo produzido, e o custo de descomissionamento (próximo ao de construção) no fim da vida útil da usina. Sem sombra de dúvida, estes custos serão repassados para o consumidor final na conta de energia.

A taxa de mortalidade de um desastre nuclear é baixa. O contato com seres vivos, em particular de humanos com a radiação, ocasiona alterações genéticas. Os efeitos biológicos são dramáticos, e dependem de uma série de fatores, entre os quais: o tipo de radiação, o tipo de tecido vivo atingido, o tempo de exposição e a intensidade da fonte radioativa. Conforme a dose recebida os danos às células podem levar um tempo para que as consequências apareçam. Podendo ser, desde queimaduras até o câncer em diferentes partes do organismo humano. Portanto, o número de mortes logo após o contato com material radioativo pode não ser grande; mas as mortes posteriores podem ser expressivas. Segundo entidades não governamentais que monitoram os efeitos da radiação em desastres já ocorridos, a real taxa de mortalidade é dificultada pela mobilidade das pessoas, que após as catástrofes se deslocam. Pessoas que moravam próximas ao local destas tragédias, e que foram contaminadas, mudam de local e a evolução da saúde individual fica praticamente impossível de se acompanhar (causa e efeito).

O nuclear é seguro. Embora o risco de acidente nuclear seja pequeno, é preciso considerá-lo, haja visto que já aconteceu em diferentes momentos, com resultados devastadores. Um acidente nuclear severo torna a área em que ocorreu inabitável. Rios, lagos, lençóis freáticos, ar, e solos são contaminados.

O uso da energia nuclear está em pleno crescimento no mundo. Esta é uma falácia recorrente dos que creditam a esta tecnologia um crescimento mundial. Vários países têm criado dificuldades para a expansão de usinas, e mesmo abandonando a nucleoeletricidade. Como exemplos temos a Alemanha, Áustria, Bélgica, Itália, Portugal, …. E em outros países o movimento antinuclear tem crescido, como é o caso na França e no Japão.

A energia nuclear é necessária, é inevitável e resolverá nosso problema energético, evitando os apagões e o desabastecimento. No caso do Brasil, as 2 usinas existentes participam da matriz elétrica com menos de 2% da potência total instalada. E mesmo que as projeções governamentais apontem para mais 10.000 MW até 2050, assim mesmo a contribuição da nucleoeletricidade será inferior aos 4%. A energia nuclear não é necessária no Brasil que conta com fontes renováveis em abundância. Logo, a afirmativa de que a solução para eventuais desabastecimentos de energia pode ser compensada pela energia nuclear é uma mentira das grandes.

A energia nuclear é limpa. A ciência mostra que não existe energia limpa. No caso da energia nuclear ela é responsável por emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo do combustível nuclear (da mineração a produção das pastilhas combustíveis). Os rejeitos produzidos por tudo que teve contato com a radioatividade, além das substâncias químicas resultantes das reações produzidas pela fissão, entra nessa categoria, Da mineração, as tubulações e equipamentos das usinas, as vestimentas dos funcionários, as ferramentas utilizadas, entre outros, fazem parte deste lixo, que por ser extremamente radioativo, precisa ser isolado do meio ambiente por centenas, e mesmo milhares de anos. Não existe uma solução definitiva de como armazenar de maneira totalmente segura. Um problema não solucionado que será herdado pelas gerações futuras.

O que está ocorrendo no país, caso prossiga a atual política energética nefasta, comandada pelo MME, no sentido econômico, social e ambiental, é um verdadeiro desastre que deve ser evitado. Diversificação e complementaridade de fontes renováveis na matriz é quem garantirá a sustentabilidade energética almejada, desde que sem nuclear e combustíveis fósseis.

Não se pode aceitar que uma decisão de tal importância para o presente e futuro do país seja tomada por meros interesses econômicos, e por grupos minoritários da sociedade brasileira.

A gravidade da ameaça nuclear paira sobre toda a humanidade, e não somente devido às armas nucleares, mas também ao fato das usinas nucleares produzirem elementos radioativos que podem ser utilizados para a fabricação da bomba.

Reagir e resistir às usinas nucleares é defender a vida. Investir na exploração de usinas nucleares é um péssimo negócio. Poucos lucram muito, mas a maioria arca com os prejuízos socioambientais e econômicos desta tecnologia obsoleta, arcaica e perigosa que não responde às exigências de um mundo diante do desafio do aquecimento global.

Para saber mais sugiro a leitura: “Por um Brasil livre das usinas nucleares”- Chico Whitaker, “Bomba atômica pra quê?’”-Tania Malheiros. E os artigos de opinião “Energia nuclear é suja, cara e perigosa”- Chico Whitaker, “O Brasil não precisa de mais usinas nucleares” – Ildo Sauer e Joaquim Francisco de Carvalho, “Porque o Brasil não precisa de usinas nucleares” – Heitor Scalambrini Costa e Zoraide Vilasboas, “Pelo radicalismo ambiental”- Aldo Fornazieri; e o estudo sobre a “Insegurança na usina nuclear de Angra 3”- Célio Bermann e Francisco Corrêa.

* Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Aix, associado ao Centro de Estudos de Cadarache/Comissariado de   Energia Atômica (CEA)-França.