Por Rinaldo Remígio*
Há homens cuja grandeza não se mede pelos títulos formais, mas pela postura com que caminharam entre seus semelhantes. Homens que, mesmo sem diploma superior, alcançaram o mais alto grau de sabedoria: o respeito do povo. Assim foi o senhor *Miguel de Campos Góes*, o eterno *Miguelito*, nascido em 1º de novembro de 1907, em Afogados da Ingazeira, coração pulsante do Sertão do Pajeú.
Filho do senhor *Luiz Alves de Góes e Melo*, coronel da Guarda Nacional, e da senhora *Petronila de Siqueira Campos do Amaral Góes*, Miguelito cresceu em meio a uma família numerosa — doze irmãos — todos marcados pela cultura, pelo estudo e por uma rara vocação para servir à sociedade. O ambiente doméstico era um verdadeiro berço de talentos: seu irmão *Oscar de Campos Góes*, renomado pesquisador botânico, chegou a se corresponder simplesmente com *Albert Einstein*; outro irmão, *Padre Luís Gonzaga de Campos Góes*, tornou-se figura influente no Rio de Janeiro, construtor do Santuário São Judas Tadeu (Laranjeiras), celebrante em cerimônias de Juscelino Kubitschek e amigo de *Assis Chateaubriand*, magnata da comunicação brasileira.
Entre tantos nomes ilustres, Miguelito destacou-se não por ostentação, mas por caráter.
Desde jovem, chamava atenção pela coerência nas decisões e pela habilidade nata de solucionar conflitos. Em uma época de escassez de professores, concluiu apenas o curso primário, mas encontrou nos jornais sua principal fonte de formação. Era leitor assíduo, observador atento da vida política e social. Tornou-se autodidata por vocação e líder por natureza.
Em 25 de março de 1941, casou-se com *Maria do Carmo Dantas Campos Goes*, com quem formou uma família respeitada, educada e unida. Tiveram cinco filhos — uma descendência que perpetua, até hoje, os valores de retidão e decência que marcaram sua existência.
Inspirado pelo pai e pelo ambiente de liderança moral em que fora criado, ingressou na política. Em 1959, enfrentou uma disputa acirrada contra Possidônio Gomes dos Santos e saiu eleito prefeito de Afogados da Ingazeira para o período de 1959 a 1963. Seu governo deu continuidade à construção do prédio da Prefeitura Municipal — obra que, embora inaugurada anos depois, recebeu de Miguelito a condução responsável e honesta que caracterizava sua vida pública.
Chamavam-no de *“Coronel Miguelito”*. Ele mesmo explicava, com simplicidade: não herdara a patente militar, mas sim o *respeito do povo*, que continuou a tratá-lo como antes tratara seu pai. Era o título informal da autoridade moral — aquela que não se compra, não se impõe e não se proclama: conquista-se.
Seu papel como mediador, entretanto, foi talvez sua marca mais profunda. Em Afogados da Ingazeira, quem tinha um conflito familiar, uma disputa de terras, uma rixa entre vizinhos procurava Miguelito. E ele resolvia. Não para um lado nem para outro — resolvia pelo equilíbrio. Seu conhecimento instintivo das leis e sua influência respeitosa no poder Judiciário faziam dele um verdadeiro pacificador da cidade.
Como tabelião do Cartório de Notas e Protestos, consolidou ainda mais essa imagem de homem justo, ponderado, íntegro. Era procurado não apenas pelos atos oficiais, mas pelos conselhos, pelos pareceres, pela palavra que serenava ânimos.
Morava com a família na antiga Praça Oscar de Campos Goes — hoje Praça *Prefeito Miguel de Campos Góes. O endereço mudou de nome, mas não de significado: continua sendo lugar de memória, de histórias contadas por quem viveu a época em que Miguelito caminhava entre o povo, cumprimentando de chapéu na mão e opinião sempre equilibrada.
Embora irmão de figuras profundamente religiosas, Miguelito era católico discreto. Sua fé revelava-se mais no trato humano do que nas práticas litúrgicas. Era, sobretudo, homem de valores, de convivência pacífica e de honestidade inegociável.
Afastou-se da política em 1965, preferindo a tranquilidade ao acirramento das disputas públicas. Viveu seus últimos anos já fragilizado pelo cigarro e pela idade, até partir em 21 de junho de 1996, aos 88 anos. Foi sepultado no Cemitério São Judas Tadeu, deixando atrás de si um rastro luminoso de serviços prestados.
Em 2002, quando a praça onde viveu foi rebatizada com seu nome, Afogados da Ingazeira fez mais que uma homenagem: reconheceu oficialmente o legado de um homem que ajudou a construir sua identidade social e política.
Seu Miguelito não deixou monumentos grandiosos, mas deixou algo maior: deixou paz, deixou respeito, deixou exemplo.
Sua grande obra foi a coerência. Seu monumento foi a palavra honrada. Seu legado, a pacificação.
Afogados da Ingazeira, ao recordar Miguelito, recorda também uma época em que liderança era sinônimo de responsabilidade, e política era, antes de tudo, serviço.
Homens como ele não passam pela história.
Permanecem nela.
*Professor universitário aposentado e memorialista!
Fonte de informações: Fernando Pires, Miguel Neto.

Uma fonte afogadense enviou ao blog o seguinte relato sobre o descomissionamento do Açude Zé Mariano.
Nesta segunda-feira 1º de Dezembro, o convidado do Podcast ‘Papo com Finfa’, será o empresário Danilo Simões, que foi candidato a prefeito de Afogados da Ingazeira nas eleições de 2024. O Papo com Finfa será às 19:30 horas, transmitido pelo YouTube do blog,
*Por Rinaldo Remígio
Será nesta segunda-feira 24 de novembro, a convidado do Podcast ‘Papo com Finfa’, será vereadora de Afogados da Ingazeira, Gal Mariano. O Papo com Finfa será às 19:30 horas, transmitido pelo YouTube do blog,