Por: Portal Júnior Campos
A saúde pública de Serra Talhada volta ao centro do debate após a divulgação, nesta segunda-feira (28), de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) que identificou graves deficiências na assistência materno-infantil em municípios pernambucanos. O município sertanejo está entre as 22 cidades fiscalizadas pelo órgão, em uma avaliação que analisou a estrutura das unidades de saúde, a gestão dos serviços e o acompanhamento de gestantes e crianças de até dois anos.
Os dados acrescentam um novo elemento ao conjunto de questionamentos sobre a saúde pública de Serra Talhada, área administrada pela secretária Lisbeth Rosa, mãe de Breno Araújo, candidato a deputado estadual e esposo da prefeita Márcia Conrado (PT).Explore Guias Locais
O levantamento foi realizado a partir de inspeções em 306 Unidades de Saúde da Família (USFs) e 167 equipes de saúde nos municípios selecionados. A escolha levou em consideração os resultados dos 184 municípios pernambucanos em indicadores de atenção básica materno-infantil do antigo programa federal Previne Brasil.
Serra Talhada integra o grupo de cidades submetidas à fiscalização, que incluiu 17 municípios com os piores desempenhos nos indicadores analisados e outros cinco com melhores avaliações, utilizados como referência comparativa.
Serra Talhada aparece em painel com indicadores preocupantes
O painel disponibilizado pelo TCE-PE apresenta, para Serra Talhada, uma distribuição dos níveis de adequação que chama a atenção: 66,7% dos resultados estão classificados como graves, 28,6% como críticos e 4,8% como moderados.Explore Guias Locais
A avaliação foi estruturada em três eixos: governança municipal, infraestrutura das Unidades de Saúde da Família e processos de trabalho das equipes.
O índice foi desenvolvido pelo próprio Tribunal para verificar a execução das políticas públicas de atenção materno-infantil e identificar falhas que comprometem a qualidade dos serviços oferecidos à população.
Problemas vão da falta de medicamentos ao acompanhamento infantil
No conjunto dos 22 municípios fiscalizados, os auditores encontraram problemas estruturais e falhas nos serviços que deveriam garantir o atendimento desde o pré-natal até os primeiros anos de vida da criança.
Na infraestrutura, 192 das 306 unidades avaliadas (63%) apresentavam mofo ou infiltrações em pelo menos um ambiente de atendimento. Outras 134 unidades (44%) tinham deficiências no descarte de resíduos contaminados.
A fiscalização também identificou que 164 unidades (54%) não possuíam em estoque medicamentos essenciais para o pré-natal e/ou puericultura. Em 30 unidades, faltava pelo menos uma vacina importante para a prevenção de doenças.
Os problemas também apareceram no acompanhamento das pacientes. Entre as 702 gestantes avaliadas, 234 não realizaram pelo menos seis consultas de pré-natal, quantitativo indicado pelo Ministério da Saúde.
Já entre as 884 crianças analisadas, 86% não haviam realizado o mínimo de nove consultas de puericultura recomendado até os dois anos de idade. Em 76% dos casos, não havia registro da avaliação dos marcos do desenvolvimento infantil.
Os números apresentados são referentes ao conjunto dos municípios fiscalizados e não devem ser confundidos com percentuais exclusivos de Serra Talhada. O painel do TCE-PE permite consultar os resultados específicos por município e por eixo de avaliação.Explore Guias Locais
Gestão da saúde volta a ser questionada
O levantamento do TCE-PE chega em um momento particularmente delicado para a saúde de Serra Talhada. Além das deficiências apontadas na assistência materno-infantil, a Secretaria Municipal de Saúde está no centro de denúncias envolvendo supostas empresas fantasmas, pagamentos por serviços questionados e contratos de locação de geradores que, segundo vereadores da oposição, não foram encontrados nas unidades onde deveriam estar instalados.
É nesse cenário que os novos indicadores do Tribunal de Contas ganham ainda mais peso. De um lado, há um órgão de controle apontando deficiências na assistência materno-infantil; de outro, denúncias sobre contratos e pagamentos que cobram explicações da mesma estrutura administrativa responsável por garantir atendimento, medicamentos e acompanhamento às famílias.
Enquanto isso, a população segue enfrentando os problemas da rede pública e aguardando respostas. Até quando?






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