POETAS NÃO MORREM!
Na condição de ouvinte assíduo de rádios e admirador declarado da poesia popular hoje falarei, com tristeza, sobre os poetas candores Heleno da Silveira e Raimundo Borges, que partiram para outra dimensão. Ambos transformaram os programas radiofônicos Em aliados para divulgar seus trabalhos e os trabalhos de outros poetas de forma exemplar. A soma do tempo que tais poetas utilizaram microfones de emissoras no Pajeú, ambos e na região de Cajazeiras – PB, no caso de Raimundo, ultrapassa setenta anos. Sempre atuaram como defensores da cultura popular representada pela cantoria de improviso. Foram mestres exemplares nessa missão.
Contemporâneos, tive o privilégio de conviver com os dois. Raimundo Borges foi um grande conselheiro na época que eu cometia alguns excessos nas farras. Sempre teve o cuidado de não me alertar em público, sempre reservadamente deu-me sábio conselhos. No final dos anos 1970 mostrei-lhe um poema. Ele guardou no bolso e dias depois sentenciou: “Você leva jeito, com humildade aprenda mais sobre rimas e métrica e siga o caminho que seu pai conhece como poucos.” Heleno da Silveira com sua fidalguia costumeira certa vez me disse: “Tenho muita admiração pelo seu pai Quincas Rafael, ele respeita todos os cantores é diferente de muitos que falam somente dos grandes nomes da profissão.” De fato assim agia o poeta das Varas.
Na crônica “SEM RONCO NEM SONHO” publicada no dia 09.09.26 o cronista paraibano Hayton Jurema da Rocha escreveu: ”Há uma ideia antiga à qual o tempo vem me fazendo dar razão: toda pessoa morre duas vezes. A primeira, quando recebe sepultura e epitáfio. A segunda, na última vez em que seu nome é pronunciado entre os vivos.” Esta linha de raciocínio guarda perfeito alinhamento com uma frase repetida pelo escritor e poeta egipsiense Toinzé: “Os poetas não morem”. De fato por terem suas obras declamadas reiteradas vezes por anos serão lembrados por várias gerações. Que Deus receba os poetas e que não deixemos de citar seus nomes e continuarmos dando razão ao genro de Lourival Batista.


Quanta honra ter meu nome mencionado em seu texto sobre um tema tão sensível para mim: a convicção de que aqui permanecemos enquanto lembrarem de nós pelo que fizemos e fomos para aqueles ao nosso redor.