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A eleição dentro da eleição com Alê Cavalcanti

Senado tem disputa própria – e dois votos em jogo

A corrida pelas duas vagas pernambucanas no Senado ganhou novos movimentos nesta semana.

Na pesquisa RealTime Big Data, Marília Arraes (PDT) registrou 27%; Mendonça Filho (PL), 21%; Humberto Costa (PT), 20%; Eduardo da Fonte (PP), 13%; e Túlio Gadêlha (PSD), 11%. Carlos Sant’Anna (Novo) teve 2% e Paulo Rubem Santiago (Rede), 1%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O Datafolha da semana anterior havia apresentado percentuais diferentes: Marília com 18%, Humberto com 16%, Mendonça com 12% e Eduardo da Fonte com 10%. Nesse levantamento, a margem era de três pontos percentuais.

Mais uma vez: pesquisas de institutos diferentes são fotografias distintas e não formam, sozinhas, uma linha de evolução.

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O SEGUNDO VOTO EM DISPUTA

A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Recife, na quarta-feira (16), colocou holofotes também sobre o Senado. O candidato à Presidência pediu votos para Mendonça Filho (PL) e Carlos Sant’Anna (Novo).

Mas as escolhas não seguem necessariamente a mesma composição dentro dos partidos. Na quinta-feira (17), o deputado estadual Abimael Santos (PL) declarou apoio a Eduardo da Fonte (PP). Pai atípico, Abimael relacionou a decisão à defesa das famílias de pessoas com deficiência e à ampliação do acesso à saúde no interior.

Dudu recebeu outra adesão nesta sexta-feira (18). Miguel Duque (Podemos), candidato a deputado federal por Serra Talhada, anunciou apoio ao candidato do PP e vinculou a decisão à defesa de uma estrutura de tratamento oncológico no município.

Os movimentos ajudam a colocar uma questão no centro da campanha: além de conquistar um voto para o Senado, as candidaturas também disputam o destino do outro.

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MAS, AFINAL, POR QUE DOIS SENADORES?

Se você ainda está em dúvida, anote: nas eleições deste ano, cada eleitor terá dois votos para o Senado.

Senadores têm mandato de oito anos, mas o Senado não é renovado inteiro numa mesma eleição. A renovação ocorre alternadamente: em uma eleição, muda-se um terço das cadeiras; quatro anos depois, dois terços.

Em 2022, cada estado e o Distrito Federal elegeram um senador. Agora, em 2026, serão escolhidos dois por unidade da Federação, totalizando 54 das 81 cadeiras do Senado.

Os votos devem ser dados a dois candidatos diferentes. Não há obrigação de escolher nomes do mesmo partido ou campo político e não existe segundo turno para o Senado.

Em resumo: dois votos, dois nomes, duas vagas.

E é justamente essa possibilidade de combinar candidatos que ajuda a explicar algumas das alianças que estamos vendo pelo Estado.
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Djalma Paes monta dobradinha em Glória

Na Mata Norte, o ex-prefeito de Glória do Goitá e ex-deputado estadual Djalma Paes formalizou apoio a Pedro Campos (PSB) para deputado federal e Henrique Filho (PP) para deputado estadual. Os dois disputam a reeleição.

O movimento chama atenção também pela reorganização das forças locais. Adriana Paes, ex-prefeita de Glória do Goitá e irmã de Djalma, já esteve no palanque de Henrique Filho, mas fez outras escolhas para 2026: passou a apoiar Lara Santana (PSB) para deputada estadual e Juliana de Chaparral (União Brasil) para deputada federal.

A movimentação desenha dois caminhos dentro de um mesmo núcleo político: enquanto Djalma aposta na dobradinha Pedro Campos – Henrique Filho, Adriana segue com Juliana de Chaparral – Lara Santana.

É também um retrato de uma característica das eleições proporcionais: alianças construídas nos municípios nem sempre reproduzem integralmente os arranjos estaduais.

Nas proporcionais, até os mapas familiares podem ganhar fronteiras eleitorais.

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Da renascença para Brasília

Entre os nomes que disputam pela primeira vez uma vaga na Câmara Federal está Jaciene Freitas (PP), vereadora de Poção, no Agreste pernambucano.

Eleita vereadora em 2016 e novamente em 2024, Jaciene também já ocupou a Secretaria de Ação Social do município. Mulheres, população evangélica, pessoas autistas, geração de emprego e renda e valorização das rendeiras estão entre as pautas apresentadas pela candidata.

Há uma história pessoal costurada à candidatura: Jaciene também é rendeira, ofício que aprendeu com a mãe. A renda renascença, tradição artesanal fortemente associada a Poção e ao Agreste, aparece em seu discurso ao lado da defesa de reconhecimento e oportunidades para as mulheres que vivem desse trabalho.

Na Câmara Municipal, Jaciene apresentou iniciativas relacionadas às mulheres, à acessibilidade e à valorização das artesãs.

Sua candidatura coloca em cena um desafio comum às disputas proporcionais: ampliar para o Estado uma liderança construída inicialmente no município.

Ser conhecida em Poção é uma coisa. Fazer Pernambuco conhecê-la é outra eleição.

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SE A BANDEIRA VOTASSE...

Ela tem uma estrela. Tem um sol. Tem uma cruz. E tem um arco-íris.
Nesta semana, talvez fosse justamente para ele que valesse olhar.
Porque, enquanto os grandes palanques tentam organizar Pernambuco em campos definidos, nos municípios a política mistura cores com desenvoltura.

Há lideranças compondo com candidatos de partidos diferentes. Há dobradinhas proporcionais atravessando fronteiras partidárias. E há candidatos ao Senado de campos distintos dividindo apoios municipais.

Isso faz parte da lógica da política local, onde relações, mandatos, alianças e histórias municipais também entram na composição do voto.

Se a bandeira votasse, talvez o arco-íris entendesse perfeitamente. Por estas bandas, a política nunca precisou de uma cor só.
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PELO MAPA

Caruaru recebeu debates. Afogados apareceu nas articulações proporcionais. Serra Talhada entrou na movimentação pelo Senado. Glória do Goitá reorganizou dobradinhas. Poção lançou uma liderança municipal numa disputa estadual.

Recife continua no centro das agendas, mas o mapa da campanha se espalha.

Feira. Bairro. Caminhada. Reunião. Prefeito. Vereador. Liderança.
Os números das pesquisas tentam fotografar Pernambuco inteiro. A campanha, porém, precisa percorrê-lo pedaço por pedaço.
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TRE DE OLHO

Enquanto as campanhas procuram votos, a Justiça Eleitoral começa a preparar as máquinas que irão recebê-los.

O TRE-PE inicia na segunda-feira (21) a preparação das 23.979 urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições em Pernambuco.

A geração das mídias começou nesta sexta-feira (18), e a preparação dos equipamentos seguirá até o dia 28, nos polos da Justiça Eleitoral espalhados pelo Estado. As cerimônias são públicas e as urnas passam por carregamento dos dados, testes, verificações e lacração antes de serem enviadas aos locais de votação. O primeiro turno será no domingo, 4 de outubro.

A campanha ainda procura votos. A Justiça Eleitoral já prepara onde eles serão depositados.
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DE OLHO

A próxima semana começa com novas fotografias da eleição pernambucana.

Na segunda-feira (21), a AtlasIntel divulga novo levantamento sobre a disputa no Estado. Na quarta (23), será a vez da Quaest, que também medirá a corrida pelas duas vagas de Pernambuco no Senado.

Os novos números chegam a menos de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e depois de uma semana de debates, agendas pelo Estado e novas articulações políticas.

Enquanto isso, a campanha continua onde pesquisa nenhuma consegue ficar parada: na rua. Feira. Bairro. Porta a porta. Caminhada.

A próxima semana terá novos números. O mapa continuará em movimento.
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Do Recife ao Pajeú

Também candidata a deputada federal, Aline Mariano (Republicanos) chega à reta final destacando dois territórios em sua campanha: Recife e Região Metropolitana, de um lado, e Afogados da Ingazeira e o Sertão do Pajeú, de outro.

Em entrevista ao Blog do Finfa nesta semana, Aline apontou essas regiões como prioridades. A relação com o Pajeú também passa pela história familiar: ela é filha do ex-deputado estadual Antônio Mariano e já exerceu mandato de vereadora em Afogados da Ingazeira.

Na entrevista, Aline apresentou pautas sociais que pretende levar à Câmara Federal e declarou apoio a João Campos para o Governo.

As críticas que fez à administração estadual e os elogios ao candidato do PSB são posicionamentos da própria candidata.

A candidatura tenta conectar duas geografias políticas bastante diferentes. Do Recife ao Sertão, o desafio é transformar território conhecido em voto conquistado.

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A ÚLTIMA LINHA

As pesquisas passaram a semana contando pontos. Os candidatos, contando dias. Os prefeitos e lideranças, contando apoios.

Pernambuco não tem apenas uma eleição acontecendo. Há a eleição das pesquisas e a dos palanques; a das chapas estaduais e a das combinações municipais; a que aparece nas grandes manchetes e aquela costurada longe delas.

No fim, todas desembocarão na mesma urna. Mas, até lá, ainda há muito mapa para percorrer.

Enquanto as pesquisas contam pontos, a política conta apoios.

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