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Crônica de Ademar Rafael: Onde não devemos voltar

ONDE NÃO DEVEMOS VOLTAR

Recebi em um Grupo de Amigos texto que apontava os locais que não devemos voltar por terem as seguintes características: “Não fomos aceitos, ampliam nossas fraquezas e neles fomos infelizes”. Cabe esclarecer previamente que o gesto de evitar tais ambientes não nos coloca no rol dos reféns de medos ou dos que praticam a omissão deliberadamente, mas que nos protege via autovalorização.

Muitas vezes, talvez com a intenção de apresentarmo-nos como pessoas fortes, insistimos em sermos aceitos e subestimamos nossas fraquezas e infelicidades. Isto, de acordo com a lógica inicialmente citada, é um erro a ser evitado. Seguir no sentido contrário é bater em portas fechadas e deixarmos de caminhar em busca das portas abertas que insistimos em não ver por teimosia.

Com sua sabedoria infinita Jesus sugere aos seus discípulos, em Matheus 10:14, o seguinte: “E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” Percebe-se com clareza no texto que o Redentor recomenda o afastamento do ambiente hostil e o caminhar em direção aos locais onde sua mensagem é aceita, respeitada e não causa desconforto ao mensageiro.

 Cabe ressaltar que caso aconteça uma mudança no ambiente quanto ao nosso acolhimento e nossa importância a harmonia local nunca devemos deixar de darmos nossa contribuição. Nestas hipóteses as portas antes fechadas encontram-se abertas e por elas devemos passar. Para isto precisamos usar a flexibilidade para trilharmos caminhos antes infestados de obstáculos, sendo felizes.

Defendo, contudo, a preservação da nossa dignidade. Insistir na permanência onde não somos aceitos é deixar nossa autoestima mas mãos de terceiros e não legitimarmos nossas forças onde são requeridas. O termo “Só entro onde me cabe”, tem perfeita adequação, assim penso.

Um comentário

  1. Valdinar Monteiro de Souza 24 de agosto de 2026

    Mandou bem!

    José Monteiro da Silva, meu avô materno, piauiense que não negava as origens, dizia sempre: “Sou de cera, só quero quem me queira.”

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