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Crônica de Ademar Rafael

UM GRANDE RISCO?

“Quando o mês de agosto se anuncia, o vento do Sertão parece soprar mais leve sobre Jabitacá. Entre os dias 06 e 15, a igrejinha de Nossa Senhora dos Remédios vira o coração de Iguaracy, vestindo-se de luz e fitas para receber seus filhos. É o tempo sagrado em que a rotina da caatinga cede espaço ao badalar do sino,  convocando a alma sertaneja para celebrar sua padroeira. Mais que um evento do calendário, as noites de agosto são o altar das grandes reuniões familiares. Parentes que a seca ou a busca por trabalho distanciaram cruzam estradas poeirentas para o reencontro no pátio da matriz. Ali, entre um abraço apertado e o cheiro de milho assado, as gerações se renovam e as velhas histórias da comunidade ganham vida nova sob o céu estrelado. Na procissão de encerramento, os passos lentos revelam a força de uma fé inabalável, moldada pela esperança e pelo respeito ao sagrado. Olhos marejados fitam a imagem da Virgem, enquanto os cânticos tradicionais ecoam como preces coletivas de agradecimento pelas graças alcançadas. Naquele chão de terra batida, a religiosidade do sertanejo se mostra em sua forma mais pura: humilde, terna e profundamente unida.”

Cara leitora e caro leitor essa é talvez a mais preocupante reflexão que faço em todo esse período que estamos juntos cada segunda-feira. O texto acima transcrito não foi produzido por mim nem por outro ser humano, é fruto da Inteligência Artificial – IA que se auto intitula como: “… campo da ciência da computação que desenvolve sistemas e máquinas capazes de aprender, raciocinar e tomar decisões de forma semelhante aos humanos.” No texto apenas duas incoerências Nossa Senhora dos Remédios é de fato a copadroeira e a época do milho assado normalmente acaba em junho.

Para encerrar apresento preocupação do jornalista e pesquisador Felipe Vilicic que na matéria “Sinais de Alerta com a IA”, revista Veja Negócio nº 26 nos aponta que tais ferramentas “…em mãos mal-intencionadas ampliam risco à cibersegurança e abrem espaço para ameaças que vão de golpes em escala industrial ao bioterrorismo.” Todo cuidado é pouco.

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