Por Magno Martins/ Edição de Ítala Alves

Era para ser o início da recuperação. Mas, minutos depois de deixar o centro cirúrgico, uma paciente do Hospital da Restauração (HR), no Recife, viveu um novo trauma. Parte do teto da Sala de Recuperação Anestésica do bloco cirúrgico desabou justamente sobre o leito onde ela se recuperava de uma cirurgia vascular. Segundo relatos de funcionários da unidade, a paciente foi atingida pelos destroços e precisou retornar ao bloco cirúrgico em decorrência do incidente.
Imagens registradas no local mostram um grande buraco aberto no forro, pedaços de gesso espalhados pelo chão e profissionais trabalhando para retirar os destroços enquanto o atendimento seguia na unidade. O caso aumenta a preocupação com as condições estruturais do maior hospital de urgência e emergência de Pernambuco. E não é um episódio isolado.
Em maio deste ano, parte do teto do 7º andar do Hospital da Restauração já havia cedido, abrindo um buraco no corredor e provocando susto entre pacientes e profissionais. Na ocasião, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a área afetada ainda não havia passado pelas obras de requalificação.

O problema também se soma a uma sequência de ocorrências em outras unidades da rede estadual. Nos últimos meses, o Hospital Agamenon Magalhães registrou sucessivos episódios envolvendo desabamentos e riscos estruturais em diferentes setores da unidade. O hospital também ganhou repercussão após imagens mostrarem a presença de ratos em suas dependências.
Enquanto isso, a governadora Raquel Lyra afirma estar realizando a maior reforma da história do Hospital da Restauração, com investimento milionário em obras de ampliação e recuperação da unidade. No entanto, até agora, a distância entre a propaganda oficial e a realidade encontrada pelos pacientes nos corredores dos hospitais públicos parece ser medida pelos buracos no teto, pelas infiltrações e pelos riscos enfrentados por quem deveria encontrar ali proteção e cuidado.



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