O SEGREDO E A SOLUÇÃO
Tenho acompanhado nos últimos anos, em vários momentos, a renúncia sistemática de pais e/ou responsáveis legais quanto a responsabilidade direta na formação de jovens com idades que variam de três a dez anos. Este papel tem sido terceirizado para escolas, babás e redes sociais. Esta é a verdade em determinadas situação chega a extrapolar todos os limites da lógica presente em práticas anteriormente utilizadas.
Por entender que podemos nos apropriar de diretrizes defendidas por regras originárias em preceitos religiosos, filosóficos de outras vertentes para nos auxiliar na difícil tarefa de educar nossos filhos e netos, contesto a linha de pensamento que defende a inaptidão dos pais em virtude dos avanços sociais. Tudo baseado nas frases: “Não pode ser como era em seu tempo, o mundo mudou.” e “As crianças são protegidas
por legislação que proíbe cerceamentos dos seus direitos”.
Ora se o formato antigo perdeu o efeito e os direitos superando os deveres no sistema em vigor não tem dado respostas adequadas a quem recorrer? Na busca de responder essa difícil indagação coloco no debate o modelo defendido por Dom Bosco que viveu entre nós de 1815 até 1888. Esta linha de pensamento que é tratada como o “Segredo de São João Bosco”, foi por ele denominado como “Sistema preventivo” é tinha como base sustentação três pilares: “Razão, religião e amor.”
Em diversas publicações encontramos que o “Sistema preventivo” é portador da lógica de que em vez de corrigir com punições procurar prevenir os erros com a presença, a orientação e o diálogo e criar ambiente de confiança propício para correção de rumos inadequados. Nesta perspectiva entendo que com a presença dos pais com orientações em conjunto com os educadores e a prática insistente do diálogo entre pais, jovens e educadores o “breu” pode ser convertido em caminho iluminado pela luz. Portanto o “segredo” revelado pode ser a “solução” procurada, cabe-nos acreditar e praticar.

Interessante crônica mestre Ademar Rafael. Penso que a dificuldade maior nos novos tempos é em dialogar. As “verdades” estão se sobrepondo às lógicas e criando seres cada vez mais insensíveis, incapazes de dialogar uns com os outros. O erro maior que tenho visto é essa delegação dos pais no ato de educar. É perfeitamente possível educar preventivamente, com vigilância constante, amor, respeito e carinho, se sobrepondo às práticas violentas que só levam ao rompimento dos laços familiares e à desestruturação familiar.