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A noite em que a FACAPE reverenciou sua própria história

Por Rinaldo Remígio *
Confesso que, ao chegar à FACAPE na noite de ontem, meu coração caminhava alguns passos à frente de mim. Aquele auditório não era apenas um espaço físico. Era um lugar onde reencontrei parte da minha própria história. Cada corredor, cada abraço, cada olhar despertava lembranças de uma caminhada construída ao lado de professores, servidores, estudantes e tantos amigos que ajudaram a fazer da nossa faculdade uma das mais respeitadas instituições de ensino superior do interior de Pernambuco.
Enquanto me dirigia ao meu lugar, veio à memória uma frase que costumo repetir: as instituições são grandes não apenas pelo que realizam, mas pela capacidade de reconhecer aqueles que ajudaram a edificá-las. Foi exatamente isso que vivi naquela noite.
O Jubileu de Ouro da FACAPE foi muito mais que uma comemoração. Foi um reencontro com o passado, uma celebração do presente e um compromisso renovado com o futuro.
Sob a liderança do professor doutor Moisés Diniz, atual presidente da instituição, a solenidade foi conduzida com elegância, respeito e profundo senso de gratidão. Em sua mensagem, destacou que a história da FACAPE foi construída por muitas mãos e anunciou que as comemorações continuarão no próximo dia 26 de setembro, quando será realizado o grande baile comemorativo do Jubileu de Ouro, animado pela tradicional Orquestra Super Oara, proporcionando mais um momento de confraternização entre aqueles que ajudaram e continuam ajudando a construir essa história.
A tribuna, naquela noite, não pertenceu apenas aos oradores. Pertenceu à própria história.
A professora Clemilda Barreto, visivelmente emocionada, fez uso da palavra e revelou que está encerrando seu ciclo como docente, após uma trajetória dedicada ao ensino e à formação de gerações de profissionais. Suas palavras transmitiram a serenidade de quem fez da educação uma verdadeira missão de vida, emocionando a todos ao recordar sua caminhada na FACAPE.
O professor Valdenor Ramos, com a serenidade de quem conhece profundamente a instituição, recordou desafios, conquistas e reafirmou que a FACAPE sempre cresceu graças ao espírito coletivo de sua comunidade acadêmica.
Quando fui chamado à tribuna, confesso que a emoção tomou conta de mim. Em poucos segundos passaram pela minha memória anos de trabalho, incontáveis reuniões, decisões difíceis, sonhos realizados, obras concluídas, projetos implantados e, principalmente, pessoas.
Na oportunidade, destaquei alguns acontecimentos marcantes do ano de 1976, período em que a FACAPE iniciava sua caminhada. Recordei que o Brasil vivia um período de profundas transformações políticas, econômicas e sociais, enquanto Petrolina começava a consolidar um sonho ousado: oferecer ensino superior de qualidade no Sertão pernambucano. Ressaltei que aquela iniciativa, liderada pelo doutor Geraldo Coelho e por outros visionários, mudou para sempre o destino de milhares de jovens que passaram a encontrar, em sua própria terra, a oportunidade de construir uma carreira e transformar suas vidas.
Também destaquei que, ao longo dessas cinco décadas, a FACAPE consolidou-se como uma referência acadêmica, formando administradores, contadores, economistas, advogados e profissionais de tantas outras áreas que hoje ajudam a desenvolver Petrolina, Pernambuco e o Brasil.
Ao concluir minha fala, reafirmei uma convicção que sempre me acompanhou durante a vida pública e acadêmica: ninguém constrói uma instituição sozinho. Presidentes passam. Professores se aposentam. Alunos se formam. Servidores encerram suas carreiras. Mas os legados permanecem quando são construídos com honestidade, compromisso e espírito coletivo.
Representando o Poder Executivo Municipal, o vice-prefeito Ricardo Coelho emprestou à solenidade um simbolismo especial. Neto do saudoso doutor Geraldo Coelho, idealizador da FACAPE, sua presença estabeleceu uma ponte entre o passado e o presente. Ao vê-lo ocupar a tribuna, lembrei-me da visão extraordinária daquele homem público que acreditou, há cinquenta anos, que a educação superior seria o maior investimento para transformar Petrolina e todo o Vale do São Francisco. O tempo mostrou que ele estava certo.
Um dos momentos mais significativos da noite foi a entrega das placas comemorativas alusivas ao Jubileu de Ouro. Todos os ex-presidentes homenageados receberam essa distinção como símbolo de reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à instituição. Mais do que uma homenagem individual, aquele gesto representou a gratidão da comunidade acadêmica a todos que, em diferentes épocas, assumiram a responsabilidade de conduzir a FACAPE.
Ao final da solenidade, enquanto observava antigos colegas se reencontrando, professores se abraçando, estudantes registrando fotografias e servidores revivendo lembranças, compreendi que a FACAPE conseguiu realizar algo raro: homenageou pessoas sem esquecer que o verdadeiro homenageado era o legado construído ao longo de cinquenta anos.
Saí do auditório convencido de que o patrimônio mais valioso da FACAPE não são seus edifícios, seus laboratórios ou sua estrutura física.
Seu maior patrimônio continua sendo sua gente.
São os professores que fizeram da sala de aula um sacerdócio.
São os servidores que transformaram seu trabalho diário em missão.
São os milhares de alunos que passaram por suas salas e hoje ocupam posições de destaque em empresas, órgãos públicos, universidades e na vida comunitária.
E são aqueles que tiveram o privilégio de administrá-la, compreendendo que cargos são passageiros, mas o compromisso com a educação permanece para sempre.
Na noite não comemoramos apenas o Jubileu de Ouro da FACAPE.
Celebramos cinquenta anos de sonhos, de trabalho, de coragem e de esperança.
Voltei para casa com o coração leve e a consciência tranquila. Afinal, a maior recompensa de quem dedica parte da vida ao serviço público e à educação não está nas placas recebidas, nas fotografias registradas ou nos aplausos da ocasião. Está na certeza de haver contribuído, ainda que modestamente, para que novas gerações encontrassem, por meio do conhecimento, oportunidades que transformaram suas vidas.
Porque prédios podem atravessar o tempo.
Mas são as pessoas, seus exemplos e seus legados que tornam uma instituição verdadeiramente eterna.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em economia.

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