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José Galdino Sobrinho: Um nome que o tempo não apagou

Por Rinaldo Remígio*

No ano passado, durante uma conversa com o poeta Ademar Rafael e com meu irmão Reginaldo Remígio, perguntei-lhes quais nomes da história de Afogados da Ingazeira mereciam ser resgatados para que as novas gerações conhecessem o legado daqueles que ajudaram a construir nossa terra. Quase de imediato, Ademar enviou-me uma extensa relação de personalidades. Reginaldo, por sua vez, não hesitou em destacar um nome em especial: José Galdino Sobrinho.

Confesso que meu convívio com o homenageado foi breve. Ainda adolescente, costumava ir ao Mercado Público comprar cereais e era ali que, frequentemente, encontrava José Galdino e alguns de seus filhos. Guardo vivas as lembranças de Dada, Baía e, principalmente, de Geneci Galdino, que anos mais tarde se tornaria um dos mais respeitados contadores de Afogados da Ingazeira e de toda a região. Geneci também constituiu uma bela família ao lado de Fátima Brandão, minha colega dos tempos do Colégio Industrial.

Talvez por essas recordações, ao ouvir novamente o nome de José Galdino, compreendi que sua trajetória não poderia permanecer restrita à memória de sua família. Há homens cuja grandeza não se mede pelos bens que acumularam, mas pelos valores que transmitiram, pelo exemplo que deixaram e pelo respeito que conquistaram ao longo da vida.

Graças às informações gentilmente repassadas por seu filho, Geneci Galdino, pude conhecer melhor essa bela história.

Filho de José Xavier dos Santos e Quitéria Galdino dos Santos, José Galdino nasceu em 18 de fevereiro de 1919, no Sítio Quixaba. Desde muito cedo experimentou a dureza da vida sertaneja. Trabalhou na lavoura, enfrentou as dificuldades de uma época em que estudar era privilégio de poucos e, movido por uma admirável determinação, aprendeu sozinho a ler e escrever.

Foi justamente essa perseverança que o transformou em um dos comerciantes mais respeitados do Pajeú. Atuando no ramo de estivas e cereais, expandiu seus negócios para além de Afogados da Ingazeira, alcançando Iguaracy, Tabira, Carnaíba, Quixaba, Tavares e Juru. Eram tempos em que a palavra de um homem tinha o mesmo valor de sua assinatura. E foi sobre esse patrimônio invisível — a confiança — que José Galdino edificou sua reputação.

Ao lado de Dona Eufrasina Godê de Vasconcelos, carinhosamente conhecida como Dona Flor, construiu uma família numerosa. Criou quatorze filhos — dos quais sete chegaram à idade adulta — e abriu as portas de sua casa e do seu coração para acolher três sobrinhos como verdadeiros filhos. Um gesto que revela a grandeza de quem compreendia que a família é muito mais do que os laços de sangue.

Sua liderança natural conduziu-o também à vida pública. Em 1981, exerceu o cargo de vice-prefeito de Afogados da Ingazeira, ao lado do prefeito Antônio Mariano de Brito. Na política, levou os mesmos princípios que nortearam sua trajetória pessoal: honestidade, compromisso, seriedade e respeito pelo próximo.

Católico convicto, alegre por natureza, boêmio sem excessos e sempre vestido de branco, tornou-se uma figura facilmente reconhecida nas ruas da cidade. Não impunha respeito pelo poder, mas pela simplicidade de seu comportamento, pela retidão de seu caráter e pela forma acolhedora com que tratava cada pessoa.

José Galdino partiu em 15 de junho de 1988. Contudo, homens como ele não desaparecem com o tempo. Permanecem vivos na lembrança da família, dos amigos e da comunidade, porque compreenderam que a verdadeira riqueza está na honra, no trabalho e na dedicação àqueles que caminham ao nosso lado.

Ao escrever estas linhas, sinto que não apenas atendo ao pedido de Ademar Rafael e de meu irmão Reginaldo, mas também assumo um compromisso com a memória de Afogados da Ingazeira. Um povo que preserva a história de seus homens e mulheres ilustres fortalece sua identidade e mantém vivas as raízes que sustentam o futuro.

José Galdino Sobrinho pertence a essa geração de sertanejos que transformou dificuldades em oportunidades, trabalho em exemplo e honestidade em legado. São homens assim que o tempo não consegue apagar. Ao contrário, o tempo apenas confirma a grandeza de suas vidas e a importância de seus exemplos para as gerações que os sucedem.

*Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em economia.

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