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Perder

Por: Milton Oliveira

Perder é um ato constante ao longo da nossa vida. Perdemos o maior e melhor aconchego materno ao nascermos. Quando criança, conhecemos e brincamoscom os primeiros amigos, que a vida nos dá; a inexorável marcha do tempo, porém, faz com que, ao crescermos, tomemos caminhos diversos. E ao fazermos isso, perdemos esses amigos, os quais, possivelmente, nunca mais serão os mesmos de quando os conhecemos. A vida muda tudo, até a personalidade das pessoas, inclusive a dos nossos amigos.

Outros caminhos se abrem à nossa frente na adolescência. É o ardor dos verdes anos que nos dá impulsos, desejos oníricos, paixões avassaladoras, planos diversos e amores clandestinos. Em pouco tempo, veremos, entre assustados e afoitos, que a vida adulta nos aguarda de braços abertos. Ficam, pois, no pretérito, nossas paixões mais calorosas e o tempo que tínhamos para diversões, conversas banais e poucas horas de estudos. Tudo, então, vai ficando para trás, perdido na poeira das saudosas lembranças.

A vida adulta é muito difícil. É nela que estão nossas maiores conquistas e nossas grandes frustrações, sorrisos e lágrimas, muitas recordações e relativas esperanças. Se não nos advertirmos bem, poderemos perder a oportunidade de entrar na faculdade, de ter um bom emprego e uma família organizada, com sólidos princípios religiosos.

Nessa altura da caminhada, talvez, já tenhamos colhidos, no jardim da vida, algumas flores que, infelizmente, murcharam. Sim: um parente ou um amigo querido que partiu para o oriente eterno. Esquecer perdas irremediáveis é, sem dúvida alguma, uma dor que nos acompanhará pelo restante da estrada.

Estaremos perdendo sempre: os dias que se foram, alguns amores, a saúde, o vigor, a paciência, os neurônios e oportunidades diversas.

Há, porém, duas perdas que devemos lutar, aguerridamente, para que não
ocorram: a oportunidade de crescer aos olhos de Deus e o desperdício de um grande amor.

Desviando-nos dos propósitos divinos, entraremos em confronto com nosso próprio instinto humano e poderemos cometer atos difíceis de serem reparados. Deus nos dá a vida, a estrada e a razão; só foge do roteiro quem faz opção pela perda. Essa, poderá ser reparada a qualquer tempo, desde que o arrependimento seja sincero e os olhos voltem a enxergar o caminho de luz, que se encontra à frente.

Perder um grande amor é um ato insano. Mas como ocorre! E como é doloroso!

Quando se perde um grande amor, os olhos demoram a secar, o coração sangra e a alma agoniza dentro do peito. Falo com pleno conhecimento de causa. E posso asseverar, de cima do altar dos meus dolorosos tormentos, que perder, em alguns casos, assemelha-se a morrer gradativamente, destroçando ilusões e quimeras até não mais se ter interesse por tudo que há ao redor.

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