Em entrevista à Rádio Jornal, prefeito falou sobre Ponte Giratória, orla, creches, metrô, transporte metropolitano, Carnaval, Compesa e eleições 2026
Por Rodrigo Fernandes
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), concedeu entrevista à Rádio Jornal nesta sexta-feira (19) e fez um balanço da gestão em 2025, além de projetar entregas, obras e posições políticas para o próximo período.
Durante a conversa, o gestor falou sobre mobilidade urbana, grandes obras da cidade, concessões, educação, saneamento, cenário político e debates nacionais.
Em relação às obras em curso no Recife, o prefeito subiu o tom contra as críticas que a obra da Ponte 12 de Setembro, conhecida como Ponte Giratória, vem recebendo, detalhando tecnicamente os problemas estruturais encontrados durante o serviço de restauro e que ocasionaram a lentidão na entrega.
João Campos afirmou que a ponte deverá ser liberada para o tráfego até 25 de dezembro, dia de Natal. A obra está atrasada há dois anos e ainda não teve uma data exata confirmada pela gestão municipal. “Pode ser dia 24, dia 23, vamos fazer uma surpresa”, anunciou.
O prefeito também deu um novo prazo para a entrega da nova orla do Recife. Segundo ele, o projeto será concluído até setembro de 2026. A previsão inicial da gestão era de inaugurar etapas da obra a cada quatro meses, com conclusão total em abril de 2026.
De acordo com João Campos, a prefeitura está finalizando as tratativas com a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) para viabilizar um trecho conector entre os bairros do Pina e de Brasília Teimosa.
“A gente já está com o projeto pronto e está esperando a aprovação final da SPU para fazer o Mercado do Peixe e o trecho conector”, afirmou.
Sobre os parques do Recife, João Campos afirmou que a gestão municipal deve economizar cerca de R$ 10 milhões com a manutenção de parques urbanos após a adoção do modelo de concessão desses equipamentos à iniciativa privada.
Segundo o prefeito, a economia ocorre em razão dos investimentos previstos de R$ 413 milhões ao longo de 30 anos, que incluem serviços de limpeza, vigilância, iluminação, capinação, pintura e manutenção dos espaços. Para João Campos, o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) “está dando certo e está funcionando”.
‘Feito histórico nas creches’
Na área da educação infantil, o prefeito afirmou que o Recife vive um “feito histórico”. Segundo João Campos, quando assumiu a prefeitura, a capital tinha 6.439 vagas de creche, número acumulado ao longo de cerca de quatro décadas. Atualmente, afirmou, são 16.500 vagas em funcionamento, com mais de 10 mil novas vagas criadas.
A previsão, segundo ele, é chegar a 18 mil matrículas já em fevereiro e triplicar a oferta até o meio do próximo ano. “Uma cidade que tem 3,5% da população do Brasil criar 40% das vagas de creche das capitais não é pouca coisa. Não adianta prometer, falar e não entregar. A gente está fazendo”, afirmou.
Metrô e transporte urbano
João Campos comentou o acordo firmado entre os governos federal e estadual para destinar R$ 4 bilhões ao Metrô do Recife. Ele participou da reunião realizada na última terça-feira (16), em Brasília, que formalizou o entendimento.
Questionado sobre por que gestões anteriores do PSB no Governo de Pernambuco não conseguiram avançar na solução do metrô, o prefeito atribuiu a dificuldade à ausência de aporte federal.
“Essa modelagem agora começou em 2019. E por que não foi feita? Porque não tinha um governo que topasse botar R$ 4 bilhões, como o governo federal está botando. […] Porque tem governos que perseguem adversários políticos, estados, cidades, pessoas, que fazem conta vinculada à eleição, o que não é o caso do presidente Lula”, apontou o prefeito.
Segundo João Campos, o acordo envolve um compromisso do presidente Lula com a criação de um fundo garantidor para assegurar a aplicação dos recursos.
“Era um compromisso do presidente Lula criar um fundo garantidor para garantir que, podia ser quem fosse no governo federal, o fundo com R$ 4 bilhões fosse utilizado independentemente de quem está no governo, porque o foco é no usuário. Isso já foi discutido lá atrás e não foi feito porque faltava Lula ser presidente”, declarou.
O prefeito também afirmou que a capital está disposta a colaborar financeiramente com o Consórcio Metropolitano de Transporte, como cobrou a governadora Raquel Lyra (PSD), desde que haja participação financeira de todos os municípios atendidos pelo sistema.
João Campos afirmou que o Recife não pode arcar sozinho com os custos de um sistema utilizado por outros municípios da Região Metropolitana.
“São 13 ou 14 cidades que têm o serviço. Três fazem parte do consórcio, mas 14 têm o serviço. Eu topo pagar se todo mundo pagar. Não dá para o Recife pagar uma parte que vai ser usada por outras cidades. Embora eu goste das outras cidades, o recifense vai dizer: ‘Ô, prefeito, a gente vai botar o dinheiro do Recife para pagar o negócio de Jaboatão, Camaragibe, Olinda, Paulista?’”, questionou, citando especificamente municípios administrados por aliados de Raquel.
Carnaval não será privatizado
João Campos afirmou que não pretende adotar um modelo de parceria público-privada para o Carnaval do Recife, diferentemente do que ocorre com o Réveillon.
“O Carnaval não funciona desse jeito porque é muito grande e orgânico. Nós jamais vamos fazer qualquer tipo de movimento de concessão, privatização ou camarotização do Carnaval, assim como do São João”, disse João.
Segundo o prefeito, o Réveillon pode adotar esse modelo por não se tratar de uma festa popular tradicional. “Não é patrimônio cultural de ninguém. Por isso, conseguimos fazer um modelo que desonera os cofres públicos, pois há uma parte da área comercializada e outra aberta ao público”, explicou.
‘Concessão da Compesa tem riscos’
Após o leilão da concessão dos serviços da Compesa, realizado na quinta-feira (18), na B3, em São Paulo, João Campos avaliou que há riscos no modelo adotado pelo Governo de Pernambuco, especialmente quanto à tarifa. “O maior risco é ter um desequilíbrio contratual e a proteção tarifária não ser suficiente, botando o usuário para pagar.”
Segundo o prefeito, há divergências relevantes sobre a real cobertura de esgoto em ao menos 66 municípios, o que teria inflado o valor da outorga paga pelas concessionárias.
“Você tem cidades onde está dito que existe cobertura de esgoto, mas, na prática, não tem estação de tratamento, nem rede. Quando a empresa entra e faz o diagnóstico real, isso gera um buraco enorme.”
Política e eleições de 2026
Como presidente nacional do PSB, João Campos criticou a votação do partido no Projeto de Lei da Dosimetria no Senado Federal. Dos cinco senadores do partido, quatro votaram a favor do projeto e um votou contra.
“Eu sou totalmente contrário a isso. O partido tem posição majoritária contrária a isso, a própria bancada da Câmara dos Deputados se posicionou de forma contrária a isso. Depois nós procuramos os senadores para dizer: ‘Ó, isso é uma posição que não tem uma sinergia com o sentimento do partido’”, criticou.
João Campos voltou a desconversar sobre uma eventual candidatura ao Governo de Pernambuco em 2026, afirmando que a decisão será tomada “no tempo certo”.
“Fico feliz com a lembrança que as pessoas têm tido em poder apontar o nosso nome à frente das pesquisas e em muitos institutos Pernambuco afora, mas estou absolutamente focado no Recife. Noventa por cento do meu tempo é focado no ofício de prefeito, trabalhando no dia a dia da cidade”, declarou.
“Fico feliz pelo reconhecimento que as pessoas têm, de torcer, e no tempo certo as decisões serão tomadas. A gente está no fim do ano, início do ano que vem a gente já vai ter prazos eleitorais acontecendo. Ninguém é candidato de si mesmo, você tem que representar um conjunto de ideias, partidos”, acrescentou o prefeito.
No encerramento da entrevista, João Campos fez um aceno direto ao público da capital e do interior do estado. “Estou animadíssimo para o próximo ano. 2026 vai ser o melhor ano da vida da gente, muita realizações, trabalho, de fé em Deus, e que a gente possa ter principalmente muita paz e saúde. Vou seguir trabalhando, fazendo a minha parte e seguir fazendo o que eu gosto, que é servir ao nosso povo”, finalizou.







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