Por: Milton Oliveira
Custa-me aceitar que tu não estás mais ao meu lado e não sei como me conformar com essa triste situação.
Por mais que eu tente fugir desse drama pessoal, atrevidamente, ele se aproxima de mim e me rouba o sono, obrigando-me a varar madrugadas com tua doce lembrança gravada na minha memória. Espanto-me, ao virar-me na cama, e vejo que não te encontras ao meu lado; nessas ocasiões, puxava-te para junto de mim e murmurava, ao teu ouvido, o quanto te adoro. Agora, só restam o vazio e a dor.
Gostaria de ficar em paz. Vivo trancafiado dentro de casa, como se houvesse cometido algum ilícito; meu crime foi te amar tanto. No silêncio do meu quarto, solitário e triste, atravesso madrugas insones, o travesseiro encharcado por abundantes lágrimas e lastimo a sorte, que me é madrasta.
Eu te amo desesperadamente, como se fora eu quem te houvera parido.
Não medi esforços para emprestar brilho aos teus castanhos e lindos olhos; menos, ainda, me cansei de projetar luz sobre teu sorriso esgazeado. És para mim a personificação do amor, esse enlevo capaz de causar felicidade ou tristeza, como está ocorrendo conosco. Apesar de tudo, sou feliz, não só pelo que eu te dei; muito mais pelo que recebi de ti.
Agora, enciumado com as notícias que tenho de ti, atiro-me sobre a cama e choro como um desditoso, cônscio da escassez e súbita interrupção do ato de respirar. Na verdade, aturdido sem saber o que fazer da minha vida longe de ti, uma tristeza doentia e constante se instalou dentro de mim, tornando-me réprobo do amor, esse amor que supus ser minha salvação.
Acabou-se tudo entre nós; como é triste e como dói! Qual de nós dois perde mais? És jovem, bonita, saudável; tens a estrada inteira à tua frente. O mesmo não posso dizer de mim. Antes do que supões, poderás sentir teu coração pungido pelo adeus eterno e provarás da saudade duradoura e sem solução. Asseguro-te, porém, se é para te ver nos braços de outro, que a morte não se atrase pelo caminho.
Tu, ao saíres da minha vida, devolveste minha alma, que te fora entregue leve, serena e pura; agora, ela retorna agônica e em frangalhos.
Escrevo-te e as palavras jorram em golfadas de dor, rasgando meu peito e arrancando lágrimas dos meus olhos cansados de chorar.
Tenho um pedido a fazer-te e não te será difícil atender-me: se acaso encontrares comigo na rua, não olhes para mim; só assim não verás sair a chorar calçada a fora.






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