Por Rinaldo Remígio – Colaborador semanal do blog

Afogados da Ingazeira, 1º de julho de 1909. Nascia ali, no coração do Sertão pernambucano, uma cidade destinada a ser farol para toda a região do Pajeú. Hoje, passados 116 anos, Afogados não é apenas um ponto no mapa — é um símbolo de resistência, trabalho e sonhos tecidos com suor e esperança.
Desde os primeiros passos dados por Manuel Francisco da Silva, homem de visão que lançou as sementes do que viria a ser a Princesa do Pajeú, até os dias atuais, a trajetória de Afogados é marcada por um contínuo pulsar de desenvolvimento.
O tempo passou, e com ele vieram os avanços. A cidade ganhou forma, corpo e alma. A Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, guardiã da fé e da história do povo, tornou-se um dos cartões-postais da cidade. A Praça Arruda Câmara — com sua fonte e a beleza serena de sua cascata — é ponto de encontros, memórias e contemplação. E a Rádio Pajeú, com sua voz forte, ecoa cultura e consciência, mantendo viva a tradição oral e informativa que molda uma população crítica e participativa.
Mas Afogados não é feita apenas de concreto e tradição. É feita de gente — gente que fez e continua fazendo história. De Dom Francisco Austregésilo a Monsenhor Arruda Câmara, da cantora Maria Dapaz à medalhista olímpica Yane Marques, de Deinha dos gramados brasileiros aos sons afinados de Toinho Tarê, dos pulmões dos Mestres Dino, Biu e Guaxinim, de Silvério Brito, João Alves, Orisvaldo e Giza Simões, de Antonio Mariano a José Patriota, do Padre João Acioly e Pastor Nelson (Igreja Batista), cada nome é um tijolo na construção simbólica dessa cidade que canta, luta, sonha e acredita.
Nos últimos anos, Afogados cresceu com vigor. É hoje o segundo mais importante município do Pajeú e principal centro regional de comércio e serviços do Médio Sertão. Sedia diretorias regionais, tem estrutura bancária sólida, comércio movimentado, setor educacional em ascensão com a Faculdade de Formação de Professores e o curso de Direito ganhando corpo e prestígio. No setor industrial, brilha como um dos polos moveleiros mais expressivos de Pernambuco, com as fábricas Móveis São Carlos e Magno Móveis gerando centenas de empregos e consolidando a força do trabalho afogadense.
Mas como toda cidade viva e vibrante, Afogados da Ingazeira também carrega desafios. Precisa avançar em áreas como mobilidade urbana, criação de empregos, ensino superior ampliado e políticas para convivência com a seca. A Barragem de Brotas, símbolo de esperança, segue sendo guardiã das águas e das promessas de dias melhores.
Quem deixou afogados há quase 50 anos, como eu, vê com admiração o quanto ela evoluiu, sem perder a ternura do passado. Mas é impossível não desejar mais. É preciso que os gestores atuais e futuros compreendam que o protagonismo de Afogados precisa ser retomado — com ações planejadas, com otimização do erário público e acima de tudo transparência, políticas sérias e compromisso com o bem comum. Não basta ser conhecida como a Princesa do Pajeú. É preciso agir como tal.
Afogados da Ingazeira segue, altiva, resiliente, com mais de 40 mil habitantes que carregam no peito o orgulho de pertencer a uma terra de sol e encantos mil. Uma terra que pulsa com a força de sua gente, que honra o seu passado e olha para o futuro com fé.
Que esses 116 anos sejam celebrados com gratidão, mas também com responsabilidade. Porque a história de uma cidade não se escreve apenas com glórias — mas com a coragem de recomeçar, reinventar e construir, todos os dias, um amanhã melhor.
Parabéns, Afogados da Ingazeira. Que tua chama siga acesa, iluminando caminhos no sertão e no coração de todos os que te amam.
*Administrador, contador, historiador e professor universitário
Fontes de informações: Fernando Pires, Reginaldo Remigio, Blogs do Finfa e do Nill Junior














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