O ex-governador e senador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos (PMDB) está empenhado no projeto nacional do seu ex-desafeto, o governador Eduardo Campos (PSB). Após o fim da disputa histórica entre as duas lideranças, o peemedebista atua nos bastidores para trazer setores insatisfeitos do seu partido ao palanque de Campos nas eleições de 2014. O senador também é uma das vozes que defendem a aliança entre o ex-governador José Serra, que estaria saindo do PSDB, com o cacique pernambucano.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico desta sexta-feira (22), Jarbas disse que José Serra “precisa ser ouvido” e que tem uma aliança histórica com o tucano. “Ele não teve um tratamento adequado após a eleição. Não tenho por que fazer ataques ao PSDB, mas estou dando minha opinião. Sou aliado e amigo. O PSDB está na obrigação de resolver isso, pacificar. Vou a São Paulo falar com ele em dez ou 15 dias”.
Ao falar do aliado tucano, que poderia ser candidato ao governo de São Paulo na próxima eleição pelo PPS, Jarbas esconde suas pretensões neste encontro que terá com José Serra. No entanto, o peemedebista acredita a aliança com Eduardo Campos é, sim, possível já para 2014. O senador, que é conhecido pelo discurso direto, diz que Serra é um dos “grandes quadros” da política brasileira.
“Se Serra se ajusta diante do PSDB, passa a ser ouvido e a ser uma voz dentro do PSDB, não cabe a mim tentar puxá-lo. Não vou puxar uma pessoa com a capacidade e a dimensão do Serra para vir para o meu lado. Só posso fazer isso se ele estiver numa situação de desconforto. Aí eu faço. Mas espero que ele supere esses problemas dentro do partido”, declarou.
Jarbas Vasconcelos também centrou fogo contra o próprio partido. Disse que ainda existem quadros históricos do PMDB insatisfeitos com a última convenção – que reconduziu o vice-presidente da República, Michel Temer, para a presidência da legenda.
“Existem pessoas que têm história dentro do partido, como as do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Mato Grosso do Sul. Vou tentar reunir essas pessoas e levá-las para ouvir Eduardo, o que ele pensa do Brasil, porque é dissidente do governo e porque acha que pode fazer mais. Acho que está todo mundo interessado em ouvir. É uma avalanche de pessoas interessadas em conversar com ele, ouvi-lo”, concluiu.



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