A expressão “fundo do poço” tem sido cada vez mais empregada pelos próprios petistas pernambucanos no momento de comentar o atual estágio do partido no Estado. E não é para menos. Após a derrota acachapante sofrida pelo PT na eleição do Recife, no ano passado, a legenda mergulhou numa crise sem precedentes, que impediu até mesmo que uma recente festa em celebração ao aniversário de fundação da sigla passasse ilesa. Trocas de farpas e agressões verbais marcaram o evento. O racha interno é explicitado em qualquer ato que reúna as diferentes correntes que compõem a agremiação em Pernambuco e, ainda, tem a perspectiva de ser ampliado com a realização do Processo de Eleição Direta (PED), marcado para ocorrer em novembro deste ano.
Apesar do discurso de que o partido precisa “juntar os cacos” e se reconstruir, sempre entoado por representantes dos grupos antagônicos nas hostes, até o momento, não se vê uma ação em prol da construção da unidade interna. Muito pelo contrário. Em reserva, vários petistas revelam que se preparam para uma verdadeira guerra, com direito a desconstrução dos adversários. O comando da direção partidária definirá a linha como o PT se apresentará na eleição de 2014 e, principalmente, o espaço que cada um terá na pavimentação de suas próprias candidaturas.
“É o caminho que se tem para sobreviver no partido. Quem sair vitorioso no PED poderá construir um caminho mais confortável para si no PT. Do jeito que está, a coisa não pode continuar. Cada lado tentará, a todo custo, empurrar o outro para o abismo”, disparou um dos petistas com pretensões na disputa pelo comando interno da sigla. Se sair vencedor do PED 2013, o grupo que, atualmente, reúne o deputado federal João Paulo e o senador Humberto Costa pode implementar um projeto que é, publicamente, negado por ambos: o de dificultar os projetos eleitorais do ex-prefeito João da Costa e seus aliados. A possibilidade de negar legenda ao desafeto e seus simpatizantes vem sendo comentada como a resposta ideal à postura assumida pelo ex-gestor na eleição do Recife, quando ele cruzou os braços em relação à campanha do partido e supostamente teria contribuído com a postulação do então candidato do PSB, Geraldo Julio (PSB), que saiu vitorioso das urnas no primeiro turno.
Por outro lado, o flanco encabeçado por João da Costa planeja minimizar o poder de fogo do grupo de Humberto e João Paulo, para tentar construir, junto à direção nacional do partido, um novo organograma petista em Pernambuco. No entanto, esse mesmo grupo já mostra discordância sobre a futura coordenação do bloco. O ex-prefeito do Recife não seguiria mais como uma unanimidade e uma alternativa para o capitaneamento ainda não foi definida. Junto com todo esse clima surge um descontentamento geral com a condução dada pelo atual presidente estadual da sigla, o deputado Pedro Eugênio. Em ambos os lados do partido questiona-se o fato de o parlamentar ter encarado uma campanha fadada à derrota na disputa sucessória em Ipojuca, deixando os mais que visíveis problemas do partido em segundo plano.
Contudo, o PT precisará, logo após a realização do PED 2013, organizar a construção do palanque que dará sustentação à candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), nas eleições presidenciais no próximo ano, em Pernambuco. A continuação da divisão da legenda poderá comprometer a amarração dos apoios à postulante petista. Embora o quadro não seja nada animador, os lados antagônicos garantem que podem marchar juntos por Dilma. Algo que, hoje, é muito difícil de ser concebido.(Gilberto Prazeres – Folha PE)



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