Serviços, que devolverão ao teatro seu colorido original, vermelho e intenso, serão executados sem interrupção na agenda de espetáculos da casa e devem terminar em novembro
Uma das mais importantes e antigas casas de espetáculos do Brasil, o Teatro de Santa Isabel está passando por uma requalificação de R$ 933 mil para substituir a tapeçaria dos corredores, escadas e plateia, além de reformar e reestofar poltronas, cadeiras e demais mobiliários internos. Nesta sexta-feira (14), o prefeito Victor Marques vistoriou o andamento dos serviços, que têm previsão de conclusão em novembro e vão garantir mais qualidade e conforto a um dos principais equipamentos culturais da cidade.
Durante a visita, o prefeito destacou a importância da obra. “Hoje eu estou muito feliz em visitar a requalificação do Teatro Santa Isabel, um grande patrimônio da cidade e do Brasil inteiro. Vale lembrar que tudo isso passou pela aprovação do IPHAN porque ele é um patrimônio histórico. Cada poltrona do Teatro é de 1950 e há muito tempo existia essa espera para a reforma, trazendo mais conforto e mais segurança para que a gente possa seguir produzindo cultura e arte nesse grande equipamento”, disse.
A requalificação prevê a substituição de toda a tapeçaria do teatro e também dos estofados das cadeiras da plateia, dos camarotes e frisas, que somam 570 lugares ao todo. Os recursos são provenientes de Emenda Parlamentar da senadora Teresa Leitão, destinada à preservação e valorização do patrimônio cultural do município do Recife.
Para a senadora, a requalificação vai além do aspecto estrutural. “O Teatro Santa Isabel é um equipamento cultural e por aqui passam milhares de artistas, da música ao teatro, e, ao mesmo tempo, ele é um patrimônio cultural tombado IPHAN, então não é qualquer reforma. Tudo tem que seguir as regras do patrimônio histórico e ele por si só já é uma peça maravilhosa, muito vinculado à história da nossa terra. Cuidar do teatro, como o prefeito está fazendo, é cuidar da história da nossa terra”, afirmou.
Os serviços estão sendo executados em horários alternativos à pauta de espetáculos do teatro, para não interferir na agenda de um dos mais nobres e demandados palcos pernambucanos, há 176 anos dedicado à celebração das artes cênicas e da cultura brasileira. “Essa reforma era uma coisa necessária porque a gente sabe que esse teatro funciona o ano inteiro, praticamente todos os dias tem espetáculos, ensaios ou orquestras, além de ser um patrimônio da cidade do Recife e um dos 14 patrimônios de teatro do Brasil, então a importância é grandiosa”, reforçou a secretária de Cultura do Recife, Milu Megale.
A última troca de carpetes e estofados do teatro aconteceu há 26 anos, quando o Santa Isabel passou por uma grande requalificação, no ano de 2000. Além da preservação de um bem tombado pelo IPHAN, considerado um dos mais importantes teatros históricos do Brasil, os serviços vão devolver ao Santa Isabel seu tom original de vermelho, carmim e vibrante.
Sobre o Teatro de Santa Isabel – Monumento tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 31 de outubro de 1949 e considerado um dos 14 teatros-patrimônio do Brasil, o Teatro de Santa Isabel é o mais antigo e expressivo exemplar de Arquitetura Neoclássica em Pernambuco e um dos mais notáveis do país.
A ideia de construir um teatro público no Recife, capital da província, partiu de Francisco do Rego Barros, futuro Conde da Boa Vista, presidente da província de 1837 a 1844. O engenheiro contratado para transformar esse sonho civilizatório em realidade foi o célebre francês Louis Léger Vauthier.
Inaugurado em 18 de maio de 1850, em homenagem à Princesa Isabel, o teatro atravessou séculos de história, formando muitas gerações de plateias. Assistiu à Revolução Praieira, à campanha abolicionista e à campanha pelo advento da República, quando dois nomes ligaram-se definitivamente à sua história: Joaquim Nabuco e José Mariano. Foi lá que Nabuco proferiu a conhecida frase, gravada numa placa exibida até hoje no teatro: “Aqui nós ganhamos a causa da Abolição”. Tanto tempo depois, o teatro segue devotado à celebração das liberdades e criatividades do povo pernambucano.



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