Por Rinaldo Remígio *
Há datas que passam pelo calendário como simples pausas na rotina. Para muitos brasileiros, o dia de Tiradentes é apenas isso: um convite à viagem, ao descanso, ao encontro com amigos. E não há problema algum em descansar — o problema está quando o descanso vem desacompanhado de memória.
Poucos param para lembrar que por trás desse feriado está a história de Joaquim José da Silva Xavier, um homem simples, mas movido por um ideal que ultrapassava os seus próprios limites. Em um tempo em que o Brasil ainda era colônia de Portugal, ele ousou sonhar com liberdade. Sonho perigoso, é verdade. Sonho que lhe custou a vida, após sua participação na Inconfidência Mineira.
Mas o que mais chama atenção não é apenas o ato histórico em si. É o esquecimento que se seguiu nas gerações posteriores. Transformamos luta em feriado, sacrifício em oportunidade de lazer, história em detalhe secundário. E assim, sem perceber, vamos nos distanciando de quem fomos — e, pior ainda, de quem poderíamos ser.
Vivemos tempos em que tudo é rápido, superficial, imediato. Viajar, conhecer lugares, registrar momentos — tudo isso faz parte da vida moderna. Mas quase não paramos para refletir: por que esse dia existe? Quem foi Tiradentes? O que ele representou para o Brasil?
Se não ensinarmos às novas gerações o valor dessas histórias, corremos um risco silencioso: o de perdermos nossa própria identidade. Um povo sem memória é um povo sem direção. E, sem direção, qualquer caminho serve — até mesmo os que nos afastam de nossos valores mais essenciais.
É preciso resgatar o sentido dos nossos feriados. Não para transformar descanso em obrigação, mas para dar significado ao tempo. Que cada data seja também um convite à reflexão, à conversa em família, ao ensino nas escolas, ao despertar da consciência histórica.
Porque, se deixarmos de contar essas histórias, um dia elas deixarão de existir. E quando isso acontecer, não perderemos apenas o passado — perderemos também a capacidade de construir um futuro com raízes, propósito e identidade.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em economia.





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