Por: Magno Martins
Perfil técnico e burocrático, o governador Paulo Câmara (PSB) não é um animal político como o seu criador Eduardo Campos. Descoberto nos labirintos da corte que julga as contas dos gestores públicos, o Tribunal de Contas do Estado, Câmara demorou a pegar gosto pela seara política, diferentemente do prefeito Geraldo Júlio, que procura ser cópia fiel de Eduardo.
Poucos, entretanto, exercem tamanha influência junto ao príncipe quanto o secretário da Casa Civil, José Neto, amigo de adolescência do governador, confidente e conselheiro. Cria do ex-governador Joaquim Francisco, de quem é sobrinho, Neto convenceu Câmara a trocar, enfim, o gabinete refrigerado pelas ruas e, ontem, fez um bom susto a Brasília Teimosa chegando no bairro sem avisar.
Saiu animado e convencido de que as agendas informais nas ruas produzem muito mais do que os despachos frios e solitários, embora sob o olhar romântico dos ipês roxos dos jardins das Princesas.