
Na segunda semana de janeiro deste ano desloquei-me da Chapada do Araripe no Ceará com destino a Marabá, com direito a um pernoite em Carolina, cidade situada na Chapada da Serra das Mesas no Maranhão. Ao passar pelos “Gerais de Balsas”, no estado do Maranhão, percebi o quando a falta de políticas agrícolas e industriais tem penalizado nosso país.
Em 1982 quando cheguei ao cariri cearense, precisamente na cidade de Barbalha, encontrei a Usina Manoel Costa Filho em pleno funcionamento e uma unidade da EPACE – Empresa de Pesquisa Agropecuária do Ceará desenvolvendo as atividades com êxito.
A Usina de açúcar absorvia toda produção de cana dos municípios de Barbalha, Missão Velha, Jardim e Crato e a unidade de pesquisa produzia sementes de feijão e sorgo.
Atualmente nas áreas anteriormente ocupadas com cana-de-açúcar existe um pouco de cana para produção da rapadura, banana, pastagens e outras culturas de baixo resultado financeiro e no local da EPACE não existe nem placa de indicação.
Enquanto isto na região de Balsas no Maranhão que no início dos anos 80 era uma fronteira agrícola em fase embrionária é hoje uma área de produção de grãos em expansão. Quem corta a região através da BR-230, a famosa Transamazônica, encontra lavouras nos municípios de Pastos Bons, São Domingos do Azeitão, São Raimundo das Mangabeiras, Balsas e Riachão além de reflorestamentos nos municípios do Carolina e Estreito.
Caso nosso país dispusesse de políticas agrícolas e industriais os ciclos de desenvolvimento regionais não seriam interrompidos abruptamente, teriam vida longa e resultados duradouros.
A região do cariri cearense procurou outras atividades econômicas, com destaque para serviços médicos de alta complexidade, faculdades com cursos de primeira linha, comércio e indústrias de pequeno porte. Sem estas alternativas a geração de emprego e renda no CRAJUBAR – Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha estaria próximo de zero.
As fontes de produção atual poderiam conviver com a produção de açúcar e álcool, com as pesquisas da EPACE e outras atividades que ficaram pelo caminho em função da paralisação das operações da Usina.
A força dos empreendedores rurais, presentes nas cidades do Maranhão e em outras fronteiras agrícolas desafiam os obstáculos criados pelo poder público cujo desempenho nos últimos anos tem tido destaque unicamente na geração de crises políticas, aumento da carga tributária e gastos excessivos.
Por: Ademar Rafael
