O campo majoritário do PT no estado não conseguiu nesta segunda-feira (23), fazer valer a tese sobre a necessidade de o partido entregar os cargos de primeiro escalão no governo Eduardo Campos (PSB), como desejava. Mas as lideranças da sigla petista afinaram o discurso e não pouparam críticas ao PSB e à chapa petista que concorre à presidência estadual contra Bruno Ribeiro, comandada pela deputada Teresa Leitão.
O evento foi realizado no auditório do Sindsep, na área central do Recife, com a presença massiça de suas principais lideranças, incluindo o deputado federal João Paulo e o senador Humberto Costa. Até mesmo o secretário estadual de Transportes, Isaltino Nascimento, compareceu. Ele quebrou o silêncio, negou a disposição de deixar a legenda e afirmou que obedeceria toda orientação da executiva nacional.
O encontro foi marcado por um clima intimista e teve uma duração de quase três horas. Foram longos discursos das lideranças, suavizados por repentistas que contaram toda a história do PT e homenagearam o ex-ministro Luiz Gushiken, que faleceu em virtude de um câncer.
A deputada Isabel Cristina lamentou o fato de Teresa Leitão não estar ao lado da atual chapa, porque ela tem história de militância no partido, mas agora está ao lado de pessoas que não estão preservando essa história. Isabel também disse ser contra a candidatura de Teresa porque ela é candidata a deputada e não teria disponibilidade para cuidar do partido como ele merece.
“Nós defendemos a candidatura de Bruno porque precisamos de um presidente que não esteja na disputa (para deputado) porque ele vai olhar o partido de forma igual. Não é justo que o partido tenha um incrível projeto no país e apenas 13 prefeitos em Pernambuco. Nosso desafio é fazer valer a força do nosso governo aqui”, declarou.
O deputado Odacy Amorim, por sua vez, mandou indiretas para o governo do PSB, que não estaria compartilhando com os petistas os investimentos feitos pelo governo federal em Pernambuco. “Tem muito militante do PT recuado, construindo a casa e agindo feito aquela música: ‘tá vendo aquele edifício, moço, eu também não posso entrar’. “Tem um periquito chamado São José que toma a casa feita pelos outros pássaros”, arrematou.
O secretário de Transportes, Isaltino Nascimento, justificou todos os confrontos internos do PT, que sempre passa por um processo de Eleição Direta para renovar seus quadros. “Muitos não compreendem porque nós fazemos discussões permanentes. Porque, diferente de muitos partidos, o PT não tem dono. Somos um partido em que o conjunto se expressa e tem direito de dizer o que acha. Estão tentando tirar de nós o que é mais sagrado: o orgulho de ser petista”, afirmou.
Já o deputado federal João Paulo, chamado pelos presentes de “governador, governador”, trouxe à plateia uma mensagem cifrada. Disse que ele e Humberto começaram a sofrer ameaças de retaliação – sem citar nomes -, mas prometeu que poderia voltar a virar um “gladiador”. “Fazia tempo que eu não estava perto de um reator nuclear como estou hoje. A energia produzida aqui é capaz de tudo. Um revolucionário vale por mil soldados”, disse.
O senador Humberto Costa pediu que a legenda fizesse uma autocrítica. “Eu vejo a nossa companheira Teresa Leitão dizer, por exemplo, que quer o diálogo, que quer a unidade, e tem que acabar com essa briga. Concordo plenamente. Mas, no mesmo dia, o concorrente do nosso companheiro Jessé (Oscar Barreto) faz exatamente o contrário, parte para atacar a mim e o companheiro João Paulo. Afinal de contas, qual é a posição desta chapa? É a posição da sua candidata presidente estadual ou é a posição do seu candidato à presidente do Recife?


Seja o primeiro a comentar