A História da ratoeira.
A crônica de hoje está relacionada com a história da ratoeira. Vocês conhecem-na?
É mais ou menos assim: contam que numa residência da zona rural havia um espaço para guarda de cereais e que estava totalmente dominado pelos ratos. A proprietária, dona Toinha, resolve armar uma ratoeira e provoca uma reviravolta entre os bichos, os quais tentam, a todo custo, fazer uma reunião com o grupo para que sejam tomados alguns cuidados.
Como era de se esperar, não houve a tal reunião porque os bichos diziam que o problema estava diretamente relacionado com os ratos e eles tinham mais o que fazer.
Pouco tempo depois cai uma cobra na dita ratoeira e, inadvertidamente, dona Toinha passando por ali é picada pelo réptil e socorrida às pressas para o Hospital. Ao voltar para casa, muito debilitada, alguém sugeriu que fosse feita uma canjinha para alimentá-la. Ato contínuo, sobrou para a galinha. Mais tarde, precisaram de dinheiro para comprar remédios e tiveram que abater alguns porcos e, por último, quando dona Toinha estava totalmente recuperada, mataram uma rês da fazenda e chamaram a vizinhança para um churrasco, afinal, motivos tinham de sobra.
A lembrança dessa história, que ouvi quando criança, veio-me à mente nesta semana, quando folheava um jornal de grande circulação e via na primeira página, em letras chamativas: “Seca faz PIB de Pernambuco desacelerar”. E mais: “Soma das riquezas produzidas no Estado em 2012 subiu 2,3%. É mais que a média nacional (0,9%), mas abaixo da previsão inicial de 5%.”
Diante desses dados, perguntamos: isso é bom? Claro que é péssimo, seria a resposta. Outros, mais lúcidos diriam: eu já esperava.
Cadê o inverno? Desde quando ele sumiu? O que fizeram para ajudar no combate às estiagens? As respostas são: não sei, faz tempo e nada.
Recursos do Governo Federal são jogados fora em forma de esmola e sem qualquer critério resolutivo, carros pipas cercam as casas desprovidas do precioso líquido, o governo do estado destina alguns salários para agricultores previamente cadastrados, distribuem algumas toneladas de milho para alimentar os animais, visitam o Sertão com ares de que estão preocupados, fazem novas promessas e tchau. Agora tá tudo certo.
Será que é assim que a banda toca? Enquanto os nossos governantes não tomarem vergonha na cara e resolver tomar medidas definitivas para o combate a esse problema crucial, irá haver choro e ranger de dentes. O mais curioso é que faz 3 anos que tento fugir desse tema e ele continua a me perseguir.
A seca hoje é um fenômeno anunciado. Os institutos preveem com uma mínima margem de erro onde e quando ela acontecerá, mas é como a história da ratoeira: seca é coisa de pobre e não interessa às outras classes. Sendo assim, não vamos reclamar de queda de PIB, de alta dos produtos da cesta básica, de miséria, de rebanhos dizimados, de gente morrendo de fome e sede, ou, até, assassinadas por motivo torpe, como um pai de família que queria um resto de lavagem para os seus filhos e o outro achou que a lavagem pertencia aos seus porcos.
Isso aconteceu em Recife na primeira semana de março e é desnecessário dizer o quanto ficou chocada a população. Contudo, esse assunto só deve ficar em evidência enquanto não surge a próxima tragédia.
Só para lembrar Renato Russo que já dizia: “Que país é este?”
Por: Danizete Siqueira de Lima





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