As leis e suas aplicabilidades.
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.” Quem de nós não conhece esse dito popular? Acredito eu que a maioria dos nossos leitores já escutou esse ditado em algum lugar e, não raro, temos que concordar que apesar de antiquíssimo ele está sempre em evidência.
A matéria que trazemos hoje está diretamente relacionada com as nossas leis. É muito comum escutarmos que há leis que pegam e leis que não pegam. Concordam? Eu, particularmente, não concordo. O que existe é aplicação ou não das normas criadas. Quando as autoridades se decidem a fazer cumprir o que ficou estabelecido, a despeito das chiadeiras dos descontentes, é que uma lei passa a entrar em vigor. Até então, é apenas uma carta de intenções.
Foi assim com a proibição do fumo em lugares fechados (alguém é capaz de imaginar, hoje, um cigarro ou charuto aceso num avião?). Foi assim com o uso obrigatório do cinto de segurança e será com a lei seca no trânsito, se o poder público continuar com o mesmo empenho que vem demonstrando.
Os primeiros resultados já foram percebidos neste Carnaval. Com medo das punições mais duras – multa de quase R$ 2mil, apreensão da carteira de habilitação e até detenção-, muitos preferiram deixar o carro na garagem. Só os que passaram longe do álcool se aventuraram a ser parados nos pontos de bloqueio.
O número de carteiras apreendidas no período momesco foi 16% menor que no ano passado e o de motoristas multados por alcoolemia, 32%. Esses resultados jamais seriam obtidos apenas com campanhas educativas, pois existe uma forte tendência (principalmente entre os jovens) de se acreditar que eventos sinistros só acontecem com os outros.
Agora que o Carnaval passou, é provável que a fiscalização arrefeça. Mas, até que evitar dirigir sob efeito do álcool se torne um hábito saudável, as autoridades terão que fazer muitas blitzes. Principalmente nos finais de semana, nas proximidades de bares e clubes, e durante eventos festivos.
Concluindo, volto a bater na mesma tecla: se houver negligência por parte das autoridades e frouxidão nos procedimentos que visam a coibir os abusos provocados pelo uso do álcool, por nossos motoristas, corremos o risco de voltar à velha e corriqueira cantilena de que a “Lei não pegou” e isso é o pior que poderá acontecer.
Por: Danizete Siqueira de Lima



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