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ESPAÇO DO INTERNAUTA

No beco de seu Zezé (poesia).
 
Navegando pelas páginas do Afogados Ontem & Hoje e lendo uns versos produzidos pelo poeta Wellington Rocha (No beco de seu Zezé), não tive como evitar uma guinada para retroagir aos anos sessenta, quando cheguei à Afogados da Ingazeira, mais precisamente em janeiro de 1962, há exatos 51 anos.
 
Na época eu era simplesmente uma criança com seis anos de idade, trajando calças curtas, sandália japonesa nos pés, um medo arretado de encarar a cidade grande mas, com uma imensa vontade de estudar. Já alfabetizado e morando com os meus avós maternos fui trabalhar com o meu tio Aniceto Elias de Brito que tinha a sua loja instalada à Tv. Major Antônio César, 52 no popular beco de “Zezé Rodrigues”.
Como não poderia ser diferente, resolvi pegar um gancho no tema do amigo Wellington e escrever as décimas que seguem:

Dezenove meia dois / Aos seis anos de idade / Eu vim morar na cidade / Que me viu crescer depois / E para dar nome aos bois / Meu pensamento requer //Lembrar quando andava a pé / Do centro até a estação / E de tudo que era atração / No beco de seu Zezé.

 
Da Manoel Borba prá praça, / Esquina lado direito / Zé Coió com muito jeito/ Dava o ar de sua graça / Preto igualmente a fumaça / Jacó cochilava em pé / E Mangueira com muita fé / Esperando um caminhão / Prá botar tudo no chão / Do beco de seu Zezé.
 
Na esquina, do outro lado / O anúncio em uma placa / Fumo de Arapiraca / Que Dóia pôs no mercado / Com uma faca de lado / Tabaqueiro de rapé / Homem, menino e muié / Uns com  rumo, outros, sem rumo / Tinham que provar do fumo / No beco de seu Zezé.
 
O popular Aniceto / Do bazar das miudezas / Sempre trazendo surpresas / Pro estoque ficar completo / Seu balcão era repleto / De plástico, louça e talher / Agulha para croché / panela e perfumaria / Eu vendia todo dia / No beco de seu Zezé.
 
Mosquiteiro e camisola / E peças prá bicicleta /Meião, calção prá atleta / Frigideira e caçarola/ Desde cordas prá viola / Tesoura de mão e pé / Talco prá tirar chulé / Malhas Hering e Marisol / Cibalena e Cibazol / No beco de seu Zezé.
 
Vizinho na loja seguinte / Os dois filhos e Sr. Zé Leite / Tinham tudo que era enfeite / Para dar luxo e requinte / Quadros tinham mais de vinte / Com imagens de São José / E Maria de Nazaré / Junto a Pedro e outros santos / Ocupando os quatro cantos / Do beco de seu Zezé.
 
Continuando a subida / Tinha Tereza Biá  / Vendendo café e chá, / Sopa e batata cozida, / Cuscuz com carne moída, / Buchada e sarapaté, / Cachaça, vinho capilé, / Salsicha com pão e ovo / Tudo prá agradar ao povo / No beco de seu Zezé.
 
Lembro Fernando Simões / Homem forte e de respaldo / Que botou o filho Osvaldo / No ramo de construções / Para vender vergalhões, / Arreios prá pangaré, / Acho que vendiam até / Máscara prá quem é asmático, / Solda e ácido muriático / No beco de seu Zezé.
 
Inda tinha no bequinho / Severino Cipriano / França barbeiro, Caetano, / A pousada de Nequinho / Aqui, ali, um barzinho / Que a gente bebia em pé / Vendedor de picolé / Nos seis dias da semana / Rolete e caldo de cana / No beco de seu Zezé.
 
Como tudo vira pó / Prá maltratar as pessoas / Inda lembro das canoas / Do grande Miguel Jacó / Das rodadas de bozó / Que brinquei fazendo fé / E dos bules de café / Que eu tomava á tardinha /Com tapioca quentinha / No beco de seu Zezé.
 
Por: Danizete Siqueira de Lima.

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