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ESPAÇO DO INTERNAUTA

Falta lógica do governo na logística
Semana passada, como presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Infraestrutura Nacional, promovi em Brasília um encontro da frente, de empresários e executivos do setor de infraestrutura e de transportes com o diretor presidente da Empresa de Planejamento de Logística (EPL) Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira.
Figueiredo falou sobre o Programa de Investimentos em Logística, abordou o Plano Nacional de Logística Integrada e respondeu a questionamentos sobre os gargalos e desafios da logística nacional, além de apresentar ideias gerais de como o governo pretende tratar a questão logística, com destaque para a necessidade de formação de uma “carteira de projetos”, da agilização nos licenciamentos ambientais e dos investimentos que deverão ser feitos no setor de infraestrutura . Tudo sob a responsabilidade formal e executiva da EPL.
Não há razão para duvidar do empenho e das intenções de Figueiredo para por nos trilhos, com bom destino, o trem da logística nacional. A não ser pela forma errática e a falta de lógica com que o governo tem tratado a questão.  A Lei 12.404, de quatro de maio de 2011, autorizou a criação da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A. (ETAV) e dispôs sobre a autorização para garantia do financiamento do Trem de Alta Velocidade (TAV) no trecho entre o Rio de Janeiro (RJ) e Campinas (SP).
Mais de um ano depois, com o decreto nº 7.755, de 14 de junho de 2012, o governo criou a ETAV, especificou seu capital social e indicou outras providências. Mas em seguida, por meio da Medida Provisória nº 576, de 15 de agosto de 2012, alterou as leis 10.233, de cinco de junho de 2001, e 12.404, modificando a denominação da ETAV para EPL e ampliando suas competências.
Nesse tempo todo, perdemos velocidade e precisaremos administrar junto com o nó da logística a encrenca do TAV, quem nem saiu das boas intenções ou das concorrências.
Há tempos cobramos mais investimento do governo para destravar esse nó, sugerindo que as melhores opções para alcançar esse objetivo passam pelas PPPs (Parcerias Público-Privadas) e concessões. Mas essencialmente insistimos que o governo precisa estabelecer políticas públicas de longo prazo para que se possa planejar investimentos, incorporar as iniciativas mais consistentes do passado (como a construção efetiva de ferrovias e hidrovias) e promover a eficiência e eficácia da gestão pública.
A Associação Brasileira de logística (Abralog) aponta que no Brasil um produto leva 15 dias em média para ir da fábrica até a loja, no varejo ou até o porto do lado atlântico para ser exportado quando o ideal seria que entre aquela origem e esses destinos não se gastasse mais do que dez dias. O porte do prejuízo expresso entre o tamanho dos Pais apregoado pelo governo e o tumulto provocado pela precaríssima infraestrutura nacional mede-se pela incapacidade de planejamento do Estado e pela absoluta incapacidade do próprio governo de atuar sobre as instituições que comanda sem uma caixa de maquilagem debaixo do braço. Foi assim que quando analisamos a Medida Provisória que constituiu a EPL _ fui a favor! _ propus que ficasse vinculada ao Ministério do Planejamento ou à Casa Civil a ela também se vinculassem sem a Secretaria Especial dos Portos e o Departamento de Aviação Civil gerando assim sua efetiva capacidade de integração.
Com míseros 30 mil quilômetros de trilhos, o Brasil está na rabeira dos emergentes com os quais vive se comparando. A Índia tem 63 mil quilômetros de ferrovias enquanto a China põe seus trens a rodar em 77 mil quilômetros de trilhos e a Rússia em outros 87 mil quilômetros. No bloco dos países continentais, os ricos Estados Unidos riscam seu território com 220 mil quilômetros de caminhos de aço. E se você acha que o problema está apenas na extensão dos caminhos, verá que a rota da má burocracia – sob a qual viceja a corrupção – borra maquilagens e corrompe boas intenções.
No final de semana passado, a Folha de S. Paulo publicou matéria informando que “um comandante de um navio de bandeira estrangeira que chegue ao Brasil precisa entregar 190 informações para as autoridades do governo brasileiro, e que às vezes, a mesma informação segue em documentos diferentes para a Receita, a Marinha, a Anvisa e a Polícia Federal”.
Apesar do caos logístico para entrar e sair dos portos, a burocracia ainda é o principal problema dos portos brasileiros, segundo pesquisa feita pelo Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain). Nenhum desses problemas, porém, foi abordado na MP dos Portos, aprovada depois de uma acirrada batalha política no Congresso Nacional.
Em julho passado, o Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC), revelou que as empresas instaladas no Brasil perdem cerca de US$ 80 bilhões ao ano por causa da falta de investimentos públicos no setor de logística – portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. O valor equivale a uns 4% do Produto Interno Bruto (PIB) ou o mesmo que o País precisa investir anualmente, nos próximos dez anos, para eliminar os gargalos do setor.
O caos que envolveu portos e estradas nacionais com a recente retomada das grandes safras agrícolas brasileiras demonstra a crônica falta de planejamento logístico público ou privado. Mas esconde a ausência permanente de condições de armazenamento, de distribuição interna adequada, de comunicações, de estruturas intermodais e de legislação fiscal inteligente. Como o governo tem sido pontual, segmentado e restrito à troca imediata de apoios ou à imposição de práticas gerenciais para resolver emergências, a logística passou longe da MP dos portos cujo manejo requer abordagem integrada com rodovias, ferrovias, armazenagem e burocracia hoje espalhada por quase quatro dezenas de ministérios.
A rodovia Anchieta (SP), principal acesso ao porto de Santos (SP), o maior da América Latina, é quase a mesma desde que sua primeira pista foi inaugurada em 1947. A única estrada para os caminhões carregarem mercadorias à boca dos navios. Já a Imigrantes, sob a égide do regime de Concessões, já teve uma nova via inaugurado e tem “salvado a lavoura”! Faltam projetos, planejamento e sobra demora na execução das obras. A China construiu dois mil km de ferrovia em região montanhosa, em três anos e meio. Aqui, a ampliação do corredor ferroviário Norte e Sul – com 2,2 mil km que pretende integrar a Transnordestina e a Ferronorte – aguardada com esperança e torcida desde 2010. Perdeu o prazo de entrega  até entre os mais otimistas e graduados gestores governamentais.
Os gastos dos empresários com transporte encostam-se nos 12% do PIB. Na China e na África do Sul, são de 8% do PIB e 9% PIB, respectivamente. E espera-se que caiam para perto de 7% do PIB. E aqui, que possam explodir para 20% do PIB, nos próximos anos. Se o Brasil crescer com o tamanho dos repetitivos discursos governamentais, não haverá caminho confiável para o comércio interno e externo se desenvolver sem caminhos confiáveis para a economia fazer circular matérias primas, insumos e mercadorias a tempo, a hora e a custos competitivos.
Arnaldo Jardim é Deputado Federal (PPS/SP) e presidente da frente em Defesa da Infraestrutura Nacional

MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL ASSINA CONVÊNIOS NO VALOR TOTAL DE R$ 254 MILHÕES DO ÁGUA PARA TODOS

O Ministério da Integração Nacional disponibilizou aporte de R$ 254 milhões para intensificar as ações do programa Água para Todos nos estados da Bahia, Ceará e Minas Gerais. Com os recursos serão implantadas mais 90 mil cisternas de polietileno em comunidades rurais com acesso precário à água.

O convênio com o governo da Bahia vai destinar R$ 146 milhões para implantação de 46.594 mil cisternas. Já no Ceará, serão R$ 58,5 milhões para a instalação de mais de 19 mil reservatórios. Para Minas Gerais serão aplicados R$ 50 milhões para a implantação de mais de 23 mil cisternas de polietileno.
“O Água para Todos está, a cada dia, ampliando o acesso à água das populações mais carentes no Brasil. Trata-se de uma ação parceira entre os diferentes entes governamentais e sociedade civil, e que trata o problema com novas tecnologias”, afirmou Miguel Ivan, diretor do programa no Ministério da Integração Nacional.

Até 2014 serão implantadas 750 mil cisternas em todo o semiárido brasileiro, bem como em outras regiões do país em que o acesso à água seja precário. Amazonas, Rondônia, Tocantins e Rio Grande do Sul são alguns dos estados atendidos pelo programa Água para Todos.

Pelo Ministério da Integração Nacional serão entregues 300 mil cisternas de polietileno e seis mil sistemas coletivos de abastecimento, ambos para o consumo humano. Em relação à produção agrícola e pecuária, serão implantadas 20 mil cisternas de produção, 20 mil pequenos sistemas de irrigação e três mil barragens para saciar a sede dos animais.

PMDB USA CAMPOS PARA CERCAR O PT

O estremecimento da relação entre PT e PMDB no Congresso reflete e contamina a formação de palanques estaduais que darão sustentação ao projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Apesar da entrada do vice-presidente Michel Temer (PMDB) e da própria petista na costura de alianças regionais para 2014, peemedebistas resistem a se aliar ao PT em estados estratégicos e ameaçam se coligar com o PSB, do governador de Pernambuco Eduardo Campos, possível candidato à Presidência.

Em estados onde a situação azedou, o PMDB já usa a aproximação com Campos como uma forma de emparedar o PT. O discurso em favor do pernambucano passou a funcionar como ferramenta de pressão contra os petistas, com um único objetivo: obter condições mais favoráveis de negociação. O principal foco de insatisfação com o PT começou no Congresso. Ficou evidente durante a aprovação da MP dos Portos na Câmara e, depois, na apresentação do pedido de abertura da CPI da Petrobras. Deputados reclamam da articulação política da presidente e defendem, nos bastidores, a candidatura de Campos. “Ele será o novo presidente da República. Há um grande desgaste com o PT”, declarou um parlamentar do PMDB.

A presidente, que não costuma entrar diretamente na costura política, começou a agir para apaziguar a aliança. Viajou a Estados em que a relação não estava boa, participou de jantares com bancadas estaduais e até interpretou o Canto Alegretense, num ato de simpatia com os peemedebistas conflagrados do Rio Grande do Sul.

O discurso peemedebista pró-Campos está mais vitaminado em Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia e Bahia. No Rio Grande do Sul, a aliança é inviável. A tendência é que o partido lance candidato próprio, com José Ivo Sartori, ex-prefeito de Caxias do Sul, ou o ex-governador Germano Rigotto. O PT tentará reeleger o governador Tarso Genro. Com um antagonismo profundo não está descartado o PMDB se aliar ao PSB ou até ao PSDB.

Em Mato Grosso do Sul, o PMDB reclama do fortalecimento político do senador Delcídio Amaral (PT), cotado para disputar o governo. Dilma foi até a capital, entregou 300 ônibus ao lado do governador André Puccinelli, mas o PMDB não descarta dar palanque a Campos. Na Bahia, os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima lideram um movimento que deve unir o PMDB do estado aos principais partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) para lançar uma candidatura de oposição ao PT, do governador Jaques Wagner.

No Ceará, o PT está dividido quanto ao apoio ao PMDB. Há uma tentativa de trazer o PSB, do governador Cid Gomes, para a aliança, o que será difícil se Campos for candidato. Em Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)) defende a candidatura de Campos contra o PT. No Piauí, o PMDB pode ficar dividido entre Dilma e Campos. Lá se desenha um confronto entre José Filho (PMDB), com o apoio do PSB, e Wellington Dias (PT).

BIDEN DIZ QUE EUA ESTUDAM TEMPO MENOR PARA BRASILEIRO OBTER VISTO

Na última etapa de sua visita à América Latina, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, enalteceu nesta sexta-feira (31) o papel conquistado pelo Brasil no cenário internacional e voltou a defender o desejo do governo norte-americano de intensificar as relações bilaterais com o Brasil. O vice de Barack Obama sinalizou ainda que Washington poderá vir a flexibilizar a emissão de vistos para os brasileiros que queiram viajar para os EUA.

“Já conversei com nosso embaixador [no Brasil] para encontrarmos uma maneira de passar de 12 semanas para dois ou três dias o tempo necessário para se obter um visto. Para isso, nós estamos dobrando o número de funcionários que temos à disposição em nossos consulados. Nós queremos os brasileiros viajando para os Estados Unidos, não apenas para fazer compras, mas para nos ver, para nos entender”, enfatizou Biden.

Em um pronunciamento de cerca de 13 minutos no Palácio do Itamaraty, ao lado do vice-presidente da República, Michel Temer, Biden sugeriu que os dois países podem reforçar suas parcerias nas áreas de energia, educação e inovação tecnológica.

Em meio à declaração oficial, o norte-americano ressaltou que a Casa Branca aguardará “ansiosa” a visita de Estado da presidente Dilma Rousseff ao país. Biden aproveitou a passagem por Brasília para formalizar o convite para que Dilma visite Washington, em outubro. Na ocasião, disse Biden, a presidente brasileira será recebida com distinção reservada a poucos países.

O vice de Barack Obama está em visita oficial ao Brasil desde a noite da última terça (28), quando desembarcou no Rio de Janeiro ao lado de sua mulher, Jill Biden. Antes de chegar ao Brasil, o norte-americano esteve na Colômbia e em Trinidad e Tobago.

Biden se reuniu na manhã desta sexta com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Ao ingressar por uma porta lateral, ele se limitou a dizer “bom dia”, em inglês, às dezenas de jornalistas que o aguardavam.

Após a reunião com Dilma, escoltado por forte de esquema de segurança, se dirigiu de carro até a sede do Ministério das Relações Exteriores, a cerca de 350 metros do Planalto. No Itamaraty, ele teve encontro a portas fechadas com o vice-presidente da República, Michel Temer, e foi homenageado com um almoço na sede da chancelaria brasileira.