* Por Rinaldo Remígio
Em cada cidade, há nomes que resistem ao tempo não pela pompa dos títulos ou pelo brilho das honrarias, mas pela força da memória afetiva que provocam. Afogados da Ingazeira tem muitos desses nomes, mas um deles ecoa com o ronco dos motores antigos e a simplicidade de um coração generoso: José Marques de Araújo, o inesquecível Zé Gago.
Filho único entre cinco irmãs, nasceu em 31 de maio de 1921, na então Tabira, distrito de Afogados. Cresceu entre as ruas de terra, o cheiro de milho verde e as vozes femininas da casa, temperadas com afeto e firmeza. Desde pequeno já queria falar o mundo, tudo de uma vez, e a pressa de dizer lhe rendeu o apelido que o acompanharia por toda a vida – Zé Gago –, dito com carinho e respeito por quem o conheceu de verdade.
A vida de Zé Gago foi feita de coragem, motor e estrada. Aos 16 anos, forjou a idade para servir ao Exército em plena Segunda Guerra Mundial. Queria lutar pelo Brasil, mas foi em Aldeia, em Pernambuco, que cumpriu sua missão, guiando os soldados até o porto. Não foi à Europa, mas travou suas batalhas diárias com a mesma valentia. Carregava fardos, pracinhas e esperanças, e ali, entre um embarque e outro, cruzou com ninguém menos que Luiz Gonzaga, outro sertanejo que transformaria o mundo com sanfona e saudade.
De volta ao sertão, com humildade e tino para o futuro, comprou seu primeiro caminhão em 1947 com as economias guardadas por dona Noca, sua mãe. Em 1950, fez a primeira viagem a São Paulo – marco de uma nova era em sua vida: a estrada se tornava extensão do seu destino. Não foi só motorista. Foi pioneiro. Um dos primeiros a cruzar a difícil Rio-Bahia nos anos 50, enfrentando poeira, atoleiro e solidão com a coragem de quem carrega mais que carga: carrega sonhos, progresso e pão.
Casou-se em 1952 com Jeanete do Nascimento Góes, com quem teve sete filhos, herdeiros de sua bravura e simplicidade. A cada curva da vida, Zé Gago cultivava o amor pelo lar, o respeito pelas pessoas e a fé no trabalho honesto. Sua casa, na praça Monsenhor Alfredo de Arruda Câmara, era ponto de chegada e partida, de aconchego e histórias.
Foi nesse compasso de rodas e ternura que seguiu até 15 de agosto de 1980, quando partiu, ironicamente, fazendo o que mais amava: dirigir caminhão. O acidente, entre São Caetano e Caruaru, silenciou o homem, mas não a lenda.
Seus filhos, espalhados entre Recife, São Paulo e Afogados, carregam em si a marca do pai: dignidade, força e trabalho. Araújo, o filho caminhoneiro, revive os caminhos do velho Zé e ainda ouve, nas engrenagens, o sussurro do pai. Outros filhos seguiram rumos diversos: medicina, comércio, direito, contabilidade, jornalismo, mas todos mantêm, no coração, a firmeza do exemplo.
Hoje, no bairro Borges, uma rua leva seu nome – um gesto simbólico, mas justo, para um homem que guiou a própria história com a firmeza de quem nunca perdeu o rumo. Mais que um nome de rua, Zé Gago é um nome de alma. Um homem simples, mas com uma vida que vale um romance inteiro.
E assim, entre lembranças e ladeiras, entre marchas e memórias, Zé Gago continua seguindo viagem… dentro de cada história que o sertão ainda conta.
*Administrador, contador, historiador e professor universitário
Fontes: Milton Oliveira, Fernando Pires e Blog do Finfa






Acabei de ser informado, do falecimento da minha amiga de infância, minha comadre Sandra Cristina de Siqueira Oliveira, no Hospital dos Servidores de Pernambuco na capital pernambucana.
Na última semana, o deputado estadual Luciano Duque se reuniu com o presidente da Compesa, Alex Campos, na sede da companhia, para discutir soluções para o problema histórico de abastecimento de água em Afogados da Ingazeira e Tabira, no Sertão do Pajeú.